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LevAnelia

Chamada geral para participação na viagem e vida travesti d'Anélia.

Projeto por: Anélia Zacarias
R$ 270,00
arrecadado
meta R$ 2.000,00

7 benfeitores
apoiaram essa campanha

Não foi dessa vez :/

A meta de arrecadação não foi atingida e todas as colaborações foram estornadas. Obrigado pelo apoio ainda assim!

POR

Anélia Zacarias

Anélia Zacarias
R$ 10
Vale Ilustração
1 benfeitor apoiando
A pessoa que doar 10 reais vai poder escolher, entre uma amplitude de opções, três imagens para receber em qualidade original, e dedicatória.
R$ 20
Vale Retrato
2 benfeitores apoiando
A pessoa doadora de vinte reais poderá escolher três imagens de sua vontade para que sejam editadas e estilizadas por mim.
R$ 50
Vale Livro
1 benfeitor apoiando
A pessoa doadora de cinquenta reais poderá escolher três livros dentre os que tenho disponíveis, e também poderá escolher uma foto para que seja tratada e editada por mim.

9 disponíveis.
R$ 100
Vale Ensaio
1 benfeitor apoiando
A pessoa que doar cem reais poderá ter um ensaio fotográfico agendado por hora ou quantidade de fotos. Válido apenas para residentes de DF e entorno. Localidade e adereços não fazem parte da recompensa.
R$ 150
Vale Retratos
Seja o primeiro a apoiar!
A pessoa poderá optar entre uma determinada seleção de roupas e estilos. Edições serão realizadas sob demanda. Válido apenas para residentes de DF e entorno.
R$ 300
Muita gratidão.
Seja o primeiro a apoiar!
Estará construindo meu futuro, firmando as bases de pedra para que eu passe, será lembrada(o) até que eu tenha capacidade de lembrar. Também poderá requisitar qualquer recompensa anterior.
R$ 500
Vale Desejo
Seja o primeiro a apoiar!
Se estiver ao meu alcance material, tentarei ao máximo realizar.

Esse projeto constrói as esperanças de futuro para mim e minha família. Através das artes que produzo e o que tenho, eu quero ocupar meu lugar na universidade pública e ter a chance de me ampliar até onde for possível para manter a mim e as minhas. 

Agora vou partir do princípio que pra meter dinheiro em algum lugar, é muito importante saber a história e trajetória.  Então lá vai:

Meu nome, Anélia. 

essa sou eu 

Nasci, e antes de mim minha mãe nasceu. Ela é filha de cearenses, eu sou neta. Vivemos todas ainda em família.

Essa casa onde vivo tem  seis pessoas, sete gatos e um cachorro, moramos no Itapoã. 

Eu sempre vivi no Paranoá e no Itapoã, são lugares difíceis dedicados para as vidas difíceis. Somos as periferias de Brasília.

Aqui eu sofro violências urbanas desde que me entendo por gente, mas também já amei e já ganhei muito dessa cidade, sou grata.

Tenho 18 anos.

Desisti da escola no segundo ano pra conseguir trabalhar integralmente.

O período durante a escola não é minha época favorita, mas foi quando eu conheci a mulher que inaugurou minha carreira. Vânia é uma professora de arte e artista veterana de brasília, ela produziu meu primeiro curta, e ganhamos junto de uma equipe maravilhosa o prêmio por melhor abordagem ao tema no quarto festival de curta metragens das escolas públicas, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Segue o filme:

 

Meu primeiro trabalho foi vender bolos no pote, aprendi tudo com a minha mãe que é uma incrível de uma cozinheira.

Depois fui desbravando a minha artista, comecei a trabalhar vendendo fotos nas ruas de Brasília, era um sucesso. 

Porém, infelizmente, tive que parar pelos inúmeros assédios e agressões que sofria, a perseguição nas ruas me levou pra uma depressão terrível, 

Fiquei em casa durante um longo período, sempre produzindo e tentando me recuperar. 

Recuperei, voltei a estudar em 2019, cursando o EJA noturno. Várias experiências, várias pessoas, todas importantes e que entraram e alargaram a minha vida. 

Conheci o teatro bem aqui, com um professor de filosofia. 

Saí do EJA, decidi estudar sozinha para o ENEM. Estudava em torno de 14 horas todos os dias, de outubro até o dia da prova.

Através de amigos -que amo muito- eu tive aa chance de ser iniciada no teatro.

Foi quando entrei em uma oficina de iniciação teatral voltada para pessoas travestigeneres e aberto para pessoas LGBT. Conheci todas as paixões que transpassam minha pele, minha cena. MUITO aconteceu aqui, muito de mim se construiu e desconstruiu durante esse processo. Muito aprendizado, muito sentir, partes de meu futuro se evidenciaram e eu pude afirmar para mim mesma que a vida de atriz, artista dona de si, recipiente de muitas, era o que eu queria. 

Nós apresentamos o espetáculo Estrada sem Mapa que foi um reflexo/produto desse processo. Contamos com a interpretação e criação de: Clara Maria Matos, Ultra Martini, Rafael Ribeiro, Anna Kali, Jude, Uri Schramm, Silvero Pereira, Aysha Luiza Silva e Anélia. Foi um verdadeiro transe, uma imersão onírica nas possibilidades de mim, de outros.

 

Então fui e fiz o ENEM já sabendo que queria cursar cinema ou qualquer arte em uma universidade federal. São trabalhos que me atravessam, pessoas que me atravessam. 

Minhas notas no enem foram essas: Redação 940,00 Linguagens 602,70 Matemática 749,40 Ciências da Natureza 609,40 Ciências Humanas 661,70

Adivinha? PASSEI!

Passei em bastante coisa, e me veio a chance de sair de onde estou. Decidi que sairia. 

Mas é óbvio que não importa o que eu decida, importa o que eu posso fazer, e se eu tenho como poder. E eu, agora, não tenho. 

Minha família veio do nordeste, lembram? Lá eles tinham muito pouco. Mas muito pouco mesmo, sabe? Eu diria que eles tinham que plantar a fome pra colher exploração. Durante anos, meus bisavós trabalharam na construção de rodovias para comprar a farinha e o feijão que alimentaria uma família de 12 pessoas. Meus avós, não muito longe, trabalhavam nas terras de homens mais ricos em troca de comida, um lote, e uma roça. Minha avó tecia algodão todo dia,com suas duas e únicas refeições. Meu avô enquanto preparava farinha e limpava os lotes, tinha as mesmas duas refeições diárias. Meus avós juntos fizeram sete filhos, fizeram estrada pra brasília e fizeram, aqui, tudo que faria possível existir esse site, esse meu nome, esse meu futuro: minha mãe.

E meio mundo adiante, não estamos nem perto do suporte. As gerações dessa árvore genealógica que fizeram parte da terra Brasil nunca gozaram de sua estadia, mas já tendo conquistado o mundo para ter o tanto -seja pouco ou muito- que tem, aqui estamos. E eu não posso pedir o que nunca tivemos, por isso venho anunciar:

Abro meus peitos para esse projeto, abro meu tempo e meu corpo para o máximo possível de arte e de conhecimento. Todo o dinheiro arrecadado será destinado a mudança de estado, a minha manuntenção nos primeiros meses de faculdade -e também para a alimentação dos sete gatinhos pois sou mãe solteira-.

Portanto, venho pedir ajuda para que haja oportunidade, e para que eu possa continuar produzindo. 

Esse é o caminho enorme entre mim e meu futuro.

Para mais informações sobre o processo, os resultados e mais produtos, acesse https://www.instagram.com/aneli.po/?hl=pt-br

 

 

Minha obra  está disponível em https://anerias60.wixsite.com/minhocanelia

Meu instagram para contato é https://www.instagram.com/aneli.po/?hl=pt-br

outras coisinhas em https://www.behance.net/anelipo

 

Pra criar intimidade, vou aproveitar e mostrar a família de quem tanto falo, lá vai:

essa é minha avó

esse é meu avô:

E MINHA MÃE É PERFEITA e só tenho isso a dizer sobre essa mulher incrível. Me carregou, me projetou, me suportou, me assitiu, me acompanha.

Meu pai tem uma grande história também, mas vou optar por não abordar esse lado que eu conheço tão pouco. 

essa é minha mãe:

 

E agora, com alguns minutos de leitura, estamos aqui. 

tal é o  presente:

FUI APROVADA NA USP!

TRAVESTI NA FEDERAL!

enquanto escrevo é dia 29 de janeiro, O DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE TRANS. DA OCUPAÇÃO TRAVESTI. DO CORPO TRAVESTIGENERE NA SOCIEDADE, EXISTENTE, RESISTENTE. 

ESTOU SILENCIOSAMENTE EUFÓRICA E O BRASIL É NOSSO!! 

 

Estou feliz, muito feliz, e queria que estivessemos todas felizes. Mas me lembro que em 29 dias já tantas morremos, e permaneço como sempre: atenta, viva, forte, aqui.

 

 

 

Anélia Zacarias ainda não publicou nenhuma notícia.

Esse projeto constrói as esperanças de futuro para mim e minha família. Através das artes que produzo e o que tenho, eu quero ocupar meu lugar na universidade pública e ter a chance de me ampliar até onde for possível para manter a mim e as minhas. 

Agora vou partir do princípio que pra meter dinheiro em algum lugar, é muito importante saber a história e trajetória.  Então lá vai:

Meu nome, Anélia. 

essa sou eu 

Nasci, e antes de mim minha mãe nasceu. Ela é filha de cearenses, eu sou neta. Vivemos todas ainda em família.

Essa casa onde vivo tem  seis pessoas, sete gatos e um cachorro, moramos no Itapoã. 

Eu sempre vivi no Paranoá e no Itapoã, são lugares difíceis dedicados para as vidas difíceis. Somos as periferias de Brasília.

Aqui eu sofro violências urbanas desde que me entendo por gente, mas também já amei e já ganhei muito dessa cidade, sou grata.

Tenho 18 anos.

Desisti da escola no segundo ano pra conseguir trabalhar integralmente.

O período durante a escola não é minha época favorita, mas foi quando eu conheci a mulher que inaugurou minha carreira. Vânia é uma professora de arte e artista veterana de brasília, ela produziu meu primeiro curta, e ganhamos junto de uma equipe maravilhosa o prêmio por melhor abordagem ao tema no quarto festival de curta metragens das escolas públicas, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Segue o filme:

 

Meu primeiro trabalho foi vender bolos no pote, aprendi tudo com a minha mãe que é uma incrível de uma cozinheira.

Depois fui desbravando a minha artista, comecei a trabalhar vendendo fotos nas ruas de Brasília, era um sucesso. 

Porém, infelizmente, tive que parar pelos inúmeros assédios e agressões que sofria, a perseguição nas ruas me levou pra uma depressão terrível, 

Fiquei em casa durante um longo período, sempre produzindo e tentando me recuperar. 

Recuperei, voltei a estudar em 2019, cursando o EJA noturno. Várias experiências, várias pessoas, todas importantes e que entraram e alargaram a minha vida. 

Conheci o teatro bem aqui, com um professor de filosofia. 

Saí do EJA, decidi estudar sozinha para o ENEM. Estudava em torno de 14 horas todos os dias, de outubro até o dia da prova.

Através de amigos -que amo muito- eu tive aa chance de ser iniciada no teatro.

Foi quando entrei em uma oficina de iniciação teatral voltada para pessoas travestigeneres e aberto para pessoas LGBT. Conheci todas as paixões que transpassam minha pele, minha cena. MUITO aconteceu aqui, muito de mim se construiu e desconstruiu durante esse processo. Muito aprendizado, muito sentir, partes de meu futuro se evidenciaram e eu pude afirmar para mim mesma que a vida de atriz, artista dona de si, recipiente de muitas, era o que eu queria. 

Nós apresentamos o espetáculo Estrada sem Mapa que foi um reflexo/produto desse processo. Contamos com a interpretação e criação de: Clara Maria Matos, Ultra Martini, Rafael Ribeiro, Anna Kali, Jude, Uri Schramm, Silvero Pereira, Aysha Luiza Silva e Anélia. Foi um verdadeiro transe, uma imersão onírica nas possibilidades de mim, de outros.

 

Então fui e fiz o ENEM já sabendo que queria cursar cinema ou qualquer arte em uma universidade federal. São trabalhos que me atravessam, pessoas que me atravessam. 

Minhas notas no enem foram essas: Redação 940,00 Linguagens 602,70 Matemática 749,40 Ciências da Natureza 609,40 Ciências Humanas 661,70

Adivinha? PASSEI!

Passei em bastante coisa, e me veio a chance de sair de onde estou. Decidi que sairia. 

Mas é óbvio que não importa o que eu decida, importa o que eu posso fazer, e se eu tenho como poder. E eu, agora, não tenho. 

Minha família veio do nordeste, lembram? Lá eles tinham muito pouco. Mas muito pouco mesmo, sabe? Eu diria que eles tinham que plantar a fome pra colher exploração. Durante anos, meus bisavós trabalharam na construção de rodovias para comprar a farinha e o feijão que alimentaria uma família de 12 pessoas. Meus avós, não muito longe, trabalhavam nas terras de homens mais ricos em troca de comida, um lote, e uma roça. Minha avó tecia algodão todo dia,com suas duas e únicas refeições. Meu avô enquanto preparava farinha e limpava os lotes, tinha as mesmas duas refeições diárias. Meus avós juntos fizeram sete filhos, fizeram estrada pra brasília e fizeram, aqui, tudo que faria possível existir esse site, esse meu nome, esse meu futuro: minha mãe.

E meio mundo adiante, não estamos nem perto do suporte. As gerações dessa árvore genealógica que fizeram parte da terra Brasil nunca gozaram de sua estadia, mas já tendo conquistado o mundo para ter o tanto -seja pouco ou muito- que tem, aqui estamos. E eu não posso pedir o que nunca tivemos, por isso venho anunciar:

Abro meus peitos para esse projeto, abro meu tempo e meu corpo para o máximo possível de arte e de conhecimento. Todo o dinheiro arrecadado será destinado a mudança de estado, a minha manuntenção nos primeiros meses de faculdade -e também para a alimentação dos sete gatinhos pois sou mãe solteira-.

Portanto, venho pedir ajuda para que haja oportunidade, e para que eu possa continuar produzindo. 

Esse é o caminho enorme entre mim e meu futuro.

Para mais informações sobre o processo, os resultados e mais produtos, acesse https://www.instagram.com/aneli.po/?hl=pt-br

 

 

Minha obra  está disponível em https://anerias60.wixsite.com/minhocanelia

Meu instagram para contato é https://www.instagram.com/aneli.po/?hl=pt-br

outras coisinhas em https://www.behance.net/anelipo

 

Pra criar intimidade, vou aproveitar e mostrar a família de quem tanto falo, lá vai:

essa é minha avó

esse é meu avô:

E MINHA MÃE É PERFEITA e só tenho isso a dizer sobre essa mulher incrível. Me carregou, me projetou, me suportou, me assitiu, me acompanha.

Meu pai tem uma grande história também, mas vou optar por não abordar esse lado que eu conheço tão pouco. 

essa é minha mãe:

 

E agora, com alguns minutos de leitura, estamos aqui. 

tal é o  presente:

FUI APROVADA NA USP!

TRAVESTI NA FEDERAL!

enquanto escrevo é dia 29 de janeiro, O DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE TRANS. DA OCUPAÇÃO TRAVESTI. DO CORPO TRAVESTIGENERE NA SOCIEDADE, EXISTENTE, RESISTENTE. 

ESTOU SILENCIOSAMENTE EUFÓRICA E O BRASIL É NOSSO!! 

 

Estou feliz, muito feliz, e queria que estivessemos todas felizes. Mas me lembro que em 29 dias já tantas morremos, e permaneço como sempre: atenta, viva, forte, aqui.

 

 

 

Anélia Zacarias ainda não publicou nenhuma notícia.