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Essa pré-venda é de Maylson Honorato para a publicação do livro "Bromélias imaginárias".
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A HORA E A VEZ DE GILVAN
Faz quase 14 anos desde que celebrou sessenta primaveras, ele pensou, com os olhos esbugalhados, surpreso com a memória festiva. Estavam todos lá, lembrou. Todos.
Mariazinha levou uma torta deliciosa de churros, era um prato decorado que os amigos sabiam que o filho dela, Fabiano, que hoje mora na Holanda, fora o cozinheiro, apesar de ela jurar que madrugou para deixar o bolo pronto. - Nos olhávamos e ríamos, já não tínhamos idade para retrucar mentirinhas, éramos velhos cúmplices.
Estava divagando, pensou. Numa hora daquelas e divagando. - Mas não foi para isso que pratiquei a vida inteira? - disse, quase sem dizer e gastando o resto da sua ironia. As palavras saíam com muito esforço, percebeu.
Lembrou ainda do Fernando, poeta de frases curtas e cheio de vida. Ninguém diria que escrevia trovas tão tristes - trocadilhos asquerosos que nós amávamos - disse mais uma vez, esforçando-se, ainda que não houvesse mais ninguém naquela sala.
Respirou fundo, tentou lembrar o próprio nome.
- Gilvan!
Quase gritou, num susto.
Foi quando os olhos da filha surgiram em sua memória prejudicada. Parecia que uma fumaça densa encobria os olhos de Milena. E percebeu que fazia alguns dias que não pensava nos olhos de Milena ou naquele sorriso gentil de Milena ou nos cabelos ao vento de Milena.
- Milena, Milena, Milena, repetiu, entre uma respiração e outra.
A filha, que só viveu até os 18 anos, faleceu há mais de duas décadas.
Mariazinha, coitada, morreu de uma queda três meses depois da festa. Uma tristeza, pensou. O filho dela foi embora do Brasil pouco tempo depois. Dizem que nunca mais foi feliz e nunca mais fez um bolo de churros.
- Fernando ainda durou, disse Gilvan para ninguém.
E os nomes não paravam de brotar em sua mente cansada. Sorrisos, toques, gestos, expressões e abraços lhe surgiram e sumiram. Era como se mergulhasse no mar da própria memória sem saber nadar. E, afundando, tentasse agarrar a filha morta, a mãe morta, a esposa morta, os amigos mortos, os sabores e beijos sepultados no tempo.
E parecia retornar àquele aniversário de 60 anos, 14 anos atrás, quando ainda vivia quem o conhecia. Quem sabia que ele era filho de Godofredo e Elizabeth?, pensou. Quem recordava que morou na Rua São José na infância e jogava bola com Fernando e Cláudio? Quem lembrava das broncas que levou por fazer a porta do velho Gabriel de gol? Ninguém. Ninguém mais sabia dele. Quem sabia já morreu, pensou.
Sentado na poltrona reclinável que lhe fazia companhia na hora da novela, com os olhos vidrados, se observava refletido na TV desligada, quase sem poder falar. Também não parecia mais ouvir direito, o ar sumia e a manhã escurecia, era um eclipse, um eclipse para sempre, pensou.
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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos.
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.