AMAR, DEPOIS DE PERDER: UMA POÉTICA DA NINFA, de Maura Voltarelli |

AMAR, DEPOIS DE PERDER: UMA POÉTICA DA NINFA, de Maura Voltarelli

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Gabriel Morais Medeiros

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 Amar, depois de perder -- Uma Poética da Ninfa é a edição impressa, revista e ampliada, da tese de doutoramento de Maura Voltarelli Roque, a ser lançada com posfácio de Eduardo Sterzi e orelha de Roberto Zular, pela Ofícios Terrestres Edições.


Um dos objetivos principais da tese, que teve orientação do crítico literário, poeta e professor Eduardo Sterzi, e foi defendida no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp, em maio de 2019, foi desarranjar as narrativas usuais da historiografia poética brasileira moderna e contemporânea, vendo, no lugar de rupturas a opor diferentes momentos históricos, vínculos insuspeitados, sobrevivências inquietantes, enlaces de tempos, em um jogo de transmissão e transformação de gestos emotivos.


Para tanto, a Pathosformel Ninfa – essa “fórmula patética” tal como pensada pelo historiador da arte alemão Aby Warburg – foi escolhida como a desorganizadora dos gêneros e estilos literários, e seguiu-se de perto o seu “deslocamento anárquico” pela poesia de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, poetas fundamentais da modernidade poética, e, em direção ao momento contemporâneo, pela poesia de Donizete Galvão e Carlito Azevedo.


A partir de uma zona de deslizamento entre a imagem e a palavra, aproximando literatura e artes visuais, o livro procura mostrar como cada uma dessas “poéticas da imagem” se debate com o fluxo de desejo que é a Ninfa, um paradoxo em movimento, ao mesmo tempo evanescente e corpórea, impassível e erótica, doce e demoníaca, jovem e antiga, perdida e reencontrada.


“[…] belas aparições vestidas, vindas de não se sabe onde, caminhando no vento, sempre comoventes, nem sempre muito sábias, quase sempre eróticas, inquietantes às vezes. Ninfas: divindades menores sem poder institucional, mas irradiantes de uma verdadeira potência a fascinar, a desarranjar/ atormentar a alma e, com ela, todo possível saber sobre a alma. Perigosas, como o é a memória – quando reconhecida até nos seus continentes escuros – o desejo, o próprio tempo” (Georges Didi-Huberman, Ninfa moderna, 2002, p. 07). 


Das mênades pagãs com o exuberante drapeado do seu vestido e o detalhe do seu passo dançante, passando pela serva florentina de Ghirlandaio com a sua leve e inquietante brise imaginaire, pela Salomé mortífera, pela Vênus de Botticelli com seus cabelos a flutuar livremente ao vento, por Beatriz, a amada impossível de Dante, pelas formas fluidas do art nouveau, chegando até a modernidade com as histéricas de Freud, a fugidia passante baudelairiana ou com a demoníaca Lolita, de Nabokov; a Ninfa não cessa de fluir e refluir, atravessando o tempo e assumindo múltiplas identidades.


É ela, igualmente, que se insinua nas danças com serpentes vivas dos índios hopi em que sobrevive o mesmo e sempre outro enlace trágico de desejo, violência e morte dos cultos a Dionisio da Antiguidade, e que depois reaparece em certas esculturas de Maria Martins, e ainda, no inebriante e extático movimento dos parangolés de Hélio Oiticica.


A eternidade efêmera que se desprende desse ser de relance, convulsivo, metamórfico e indomável, que aparece apenas para desaparecer, deixando um rastro de aroma antigo, parece estar refletida no que escreveu Proust, “os mais belos paraísos são aqueles que perdemos”, e também no verso de Drummond que compõe o título do livro: Amar, depois de perder.


Em sua aparente simplicidade, capaz de dizer algo a qualquer pessoa, esse verso, que surge ao final do poema “Perguntas”, de Claro Enigma, cristaliza o paradoxo fundamental do pensamento sobre a imagem e, por consequência, sobre a Ninfa. Diante da imagem, estamos sempre diante do perdido, diante do que não mais está, mas do que existe justamente de dentro dessa ausência, de dentro dessa perda irremediável. É por meio da imagem, mais especificamente, da memória em sua espessura que é tanto íntima quanto histórica, que o passado se abre para nós como uma inesgotável possibilidade no presente.


Amar, depois de perder, viver de dentro da morte, é converter-se em fantasma, em imagem. Não por acaso, o fantasma é o interlocutor desses versos drummondianos surreais e improváveis. Amar, depois de perder, é, assim, um gesto de afirmação da vida, da beleza nascida da dor, da espera, de tudo aquilo que insiste em seus mais profundos desejos. Que insiste, apesar de tudo. Frágil, mas profundo. Esse estudo é, antes de qualquer outra coisa, um abrir-se ao fascínio das imagens que só podem ser capturadas quando perdidas, como sucede com o real, com a própria vida. Amar uma Ninfa; Amar, depois de perder, é atravessar o abismo.

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 Amar, depois de perder -- Uma Poética da Ninfa é a edição impressa, revista e ampliada, da tese de doutoramento de Maura Voltarelli Roque, a ser lançada com posfácio de Eduardo Sterzi e orelha de Roberto Zular, pela Ofícios Terrestres Edições.


Um dos objetivos principais da tese, que teve orientação do crítico literário, poeta e professor Eduardo Sterzi, e foi defendida no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp, em maio de 2019, foi desarranjar as narrativas usuais da historiografia poética brasileira moderna e contemporânea, vendo, no lugar de rupturas a opor diferentes momentos históricos, vínculos insuspeitados, sobrevivências inquietantes, enlaces de tempos, em um jogo de transmissão e transformação de gestos emotivos.


Para tanto, a Pathosformel Ninfa – essa “fórmula patética” tal como pensada pelo historiador da arte alemão Aby Warburg – foi escolhida como a desorganizadora dos gêneros e estilos literários, e seguiu-se de perto o seu “deslocamento anárquico” pela poesia de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, poetas fundamentais da modernidade poética, e, em direção ao momento contemporâneo, pela poesia de Donizete Galvão e Carlito Azevedo.


A partir de uma zona de deslizamento entre a imagem e a palavra, aproximando literatura e artes visuais, o livro procura mostrar como cada uma dessas “poéticas da imagem” se debate com o fluxo de desejo que é a Ninfa, um paradoxo em movimento, ao mesmo tempo evanescente e corpórea, impassível e erótica, doce e demoníaca, jovem e antiga, perdida e reencontrada.


“[…] belas aparições vestidas, vindas de não se sabe onde, caminhando no vento, sempre comoventes, nem sempre muito sábias, quase sempre eróticas, inquietantes às vezes. Ninfas: divindades menores sem poder institucional, mas irradiantes de uma verdadeira potência a fascinar, a desarranjar/ atormentar a alma e, com ela, todo possível saber sobre a alma. Perigosas, como o é a memória – quando reconhecida até nos seus continentes escuros – o desejo, o próprio tempo” (Georges Didi-Huberman, Ninfa moderna, 2002, p. 07). 


Das mênades pagãs com o exuberante drapeado do seu vestido e o detalhe do seu passo dançante, passando pela serva florentina de Ghirlandaio com a sua leve e inquietante brise imaginaire, pela Salomé mortífera, pela Vênus de Botticelli com seus cabelos a flutuar livremente ao vento, por Beatriz, a amada impossível de Dante, pelas formas fluidas do art nouveau, chegando até a modernidade com as histéricas de Freud, a fugidia passante baudelairiana ou com a demoníaca Lolita, de Nabokov; a Ninfa não cessa de fluir e refluir, atravessando o tempo e assumindo múltiplas identidades.


É ela, igualmente, que se insinua nas danças com serpentes vivas dos índios hopi em que sobrevive o mesmo e sempre outro enlace trágico de desejo, violência e morte dos cultos a Dionisio da Antiguidade, e que depois reaparece em certas esculturas de Maria Martins, e ainda, no inebriante e extático movimento dos parangolés de Hélio Oiticica.


A eternidade efêmera que se desprende desse ser de relance, convulsivo, metamórfico e indomável, que aparece apenas para desaparecer, deixando um rastro de aroma antigo, parece estar refletida no que escreveu Proust, “os mais belos paraísos são aqueles que perdemos”, e também no verso de Drummond que compõe o título do livro: Amar, depois de perder.


Em sua aparente simplicidade, capaz de dizer algo a qualquer pessoa, esse verso, que surge ao final do poema “Perguntas”, de Claro Enigma, cristaliza o paradoxo fundamental do pensamento sobre a imagem e, por consequência, sobre a Ninfa. Diante da imagem, estamos sempre diante do perdido, diante do que não mais está, mas do que existe justamente de dentro dessa ausência, de dentro dessa perda irremediável. É por meio da imagem, mais especificamente, da memória em sua espessura que é tanto íntima quanto histórica, que o passado se abre para nós como uma inesgotável possibilidade no presente.


Amar, depois de perder, viver de dentro da morte, é converter-se em fantasma, em imagem. Não por acaso, o fantasma é o interlocutor desses versos drummondianos surreais e improváveis. Amar, depois de perder, é, assim, um gesto de afirmação da vida, da beleza nascida da dor, da espera, de tudo aquilo que insiste em seus mais profundos desejos. Que insiste, apesar de tudo. Frágil, mas profundo. Esse estudo é, antes de qualquer outra coisa, um abrir-se ao fascínio das imagens que só podem ser capturadas quando perdidas, como sucede com o real, com a própria vida. Amar uma Ninfa; Amar, depois de perder, é atravessar o abismo.

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