Como Seria? |

Como Seria?

Daniel Gonçalves tenta imaginar sua vida sem a paralisia cerebral que afeta sua coordenação motora.


Como Seria?

Daniel Gonçalves tenta imaginar sua vida sem a paralisia cerebral que afeta sua coordenação motora.


Meta 1: R$ 40.000

Como Seria?

A ideia do filme surgiu a partir de um curta de três minutos que fiz para um concurso de vídeos inspiradores do YouTube. Não ganhei, mas Como Seria? teve mais de 27 mil visualizações em um ano. Nele, eu tento imaginar a minha vida sem a paralisia cerebral que afeta minha coordenação motora. O filme, que por enquanto também vai se chamar Como Seria?, é em primeira pessoa.

Dessa vez a busca pelo diagnóstico sobre o que causou minha deficiência é que vai conduzir o filme. Através de imagens de arquivo da família, de reportagens feitas comigo nos últimos anos, de cenas de tem bala aí? – meu primeiro curta-metragem – vamos passear por momentos, histórias e reflexões. O documentário também vai passar por temas como infância, reabilitação, escolas, faculdade, adolescência, família, terapeutas, amigos, paixões, mulheres, Rio, Barra Mansa, escalada, esportes, edição, TV, cinema, ficção, documentário...

Essas palavras me trouxeram até aqui e certamente me levarão a outro lugar depois de Como Seria?

Ficou com vontade de assistir ao curta? Ele está aqui: https://youtu.be/rUSz6p-Vbjc

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Lá vocês poderão ver vídeos exclusivos e ficar por dentro de tudo sobre o filme.

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Um beijo,

Daniel.

Perfil:

Meu nome é Daniel de Castro Gonçalves, tenho 30 anos e sou portador de uma paralisia cerebral discinética, de causa desconhecida, que afeta minha coordenação motora.

Nasci em Barra Mansa, RJ, e moro na capital do mesmo estado há 10 anos. Vim para a faculdade. A primeira, de biologia, abandonei. Voltei para a casa dos meus pais, fiz cursinho e passei para Comunicação Social na PUC-Rio. Queria ser jornalista esportivo. Um estágio, no meio do curso, começou a mudar meu rumo. Na TV PUC-Rio editei pela primeira vez. Achava que era impossível ser repórter, que jamais me escolheriam e por isso optei pela vaga de editor. Santas escolha e ignorância. Escolha porque durante aquele ano descobri que levava jeito para essa coisa de cortar e colar imagens e texto. Ignorância porque durante esse mesmo ano fiz meu primeiro programa – Do seu próprio jeito – e vi que também tinha facilidade para ouvir e extrair boas histórias das pessoas. Se não me enquadrava no ‘padrão’ de repórter, ali, ainda que sem saber, dava meus primeiros passos como documentarista.

Anos depois, um amigo me perguntou se eu já tinha imaginado a minha vida sem a paralisia cerebral que afeta minha coordenação motora. Respondi que era impossível dizer como seria e que provavelmente não teria sido tão divertido.

Teria sido mais fácil começar a andar. Um grande colégio de Barra Mansa não teria achado difícil me ter como aluno. Poderia ter sido goleiro. Correria. Saltaria. Subiria em árvores. Andaria de skate. Faria um monte de outras coisas que toda criança faz. Mas não seria eu.

Não teria feito papel de minhoca numa peça teatral no colégio. Não teria sido o centro das atenções quando cheguei com uma máquina de escrever elétrica em sala de aula. Não conheceria meus terapeutas. Não saberia como é gostosa a sensação de fazer determinado movimento pela primeira vez. Não teria tido o prazer de mandar tomar no cu aquele que me chamou de coitadinho. Pode ser que tivesse mais desenvoltura e não travasse na hora de chegar nas meninas. Não riria dos que pensam que estou chapado de ecstasy, LSD e outras coisas. Possivelmente não escalaria. Não seria jornalista, editor, cinéfilo e nem documentarista.

Como seria? vai, através de histórias que vivi, mostrar que é possível que uma pessoa com deficiência tenha uma vida normal. Para isso, o primeiro passo é aparecer para o mundo e enfrentar de cabeça erguida, sem esquecer de uma boa dose de humor, as dificuldades que aparecerem pelo caminho.

A primeira lembrança que tenho de reagir a algum comentário a meu respeito é ‘tadinho é o caralho!’. Eu devia ter uns 10 anos e soltei a expressão libertadora para um casal que havia falado algo do tipo ‘tadinho dele’ ao me ver andando no clube do condomínio onde eu e minha família passávamos as férias, em Angra.

Sem pensar duas vezes, quase vinte anos depois, ao chegar na rodoviária Novo Rio, foi a vez de uma mulher ouvir o mesmo ‘tadinho é o c...’ em resposta à fatídica expressão acompanhada por um detestável olhar de pena.

Reações desse tipo ao que é dito sobre mim não são comuns. Em geral prefiro conversar e explicar. Isso veio de casa. Sempre estive na rua com meus pais. Nunca tiveram vergonha e me esconderam dos outros. No colégio, quando crianças perguntavam alguma coisa para minha mãe sobre mim, ela dizia ‘Pergunta pra ele!’. Por isso, até hoje não me vejo nem me percebo diferente dos outros. Aprendi a não ver os vários olhares tortos, curiosos, de espanto e até de reprovação lançados quando ando pelas ruas.

Adaptações sempre foram aceitas sem problemas. Como quando estava sendo alfabetizado. Escrever à mão era impossível – hoje ainda não é nada prático – e a solução foi uma máquina de escrever elétrica. Foram três, do antigo CA até a formatura na PUC.

Ela, a máquina, está diretamente ligada a ‘causos’ que uns chamariam de discriminação, outros de preconceito, mas que prefiro classificar como ignorância. O primeiro deles aconteceu em 2001, na primeira fase do vestibular da UFF. A prova era objetiva e na inscrição disse que usaria minha máquina de escrever e pedi auxílio para preencher o cartão-resposta. Não era a primeira que fazia dessa forma e achei que não haveria problema. Ledo engano. No dia fui impedido de usa-la. A alegação era de que se havia alguém para me ajudar a pintar os quadradinhos do cartão, essa mesma pessoa deveria escrever pra mim. Mas eu escrevia. Na máquina, mas escrevia. E, por isso, não aceitei o escritor para a prova. Foi difícil, a mão cansou, mas eu fiz. Só chamei a pessoa na hora de preencher o cartão. No dia seguinte, o coordenador do colégio fez uma reclamação formal e a organização do vestibular pediu desculpas pelo ocorrido.

Anos mais tarde, um caso parecido. Era a prova teórica do Detran e como não precisaria fazer nenhuma conta, dispensei o uso da máquina. Quando terminei, chamei um fiscal que estava na sala e pedi ajuda para, novamente, pintar os minúsculos espaços do cartão. Dessa vez a resposta foi diferente. Os fiscais de sala, o responsável pelo local da prova, seu superior e até o órgão que fazia a prova, deram a mesma justificativa. Diziam que somente eu poderia escrever em meu cartão e que, por isso, ninguém estava autorizado a me ajudar. Resultado: grampearam a prova onde havia marcado as alternativas que julgava corretas ao cartão. Passei e hoje em dia dirijo.

Em 2011, o último e mais absurdo deles. No concurso para o BNDES, com vagas reservadas para pessoas com deficiência, fui impedido de usar a máquina pois, segundo eles, caso a usasse, estaria levando vantagem sobre os outros candidatos. Poderia até ter entrado com um mandado de segurança, mas como não estava com a menor vontade de me tornar funcionário público, fiz a prova com o tal ‘personal escritor tabajara’ e não passei. Muito estranho ditar as respostas para uma desconhecida sabendo que poderia eu mesmo escreve-las. O melhor e mais engraçado foi a sala de fácil acesso que me arrumaram. Para mim não foi difícil, mas ela ficava no segundo andar de um colégio sem elevador! Coisas de um país que tem leis mas não está preparado para cumpri-las.

Ao longo dos anos treinei a escrita manual com o único objetivo de ter uma assinatura. Era muito chato ter de sujar o dedo todas as vezes que precisava "assinar" algum documento, etc. Hoje tenho uma assinatura que combina as iniciais do meu nome.

Quatro anos atrás, mais um episódio de ignorância. Saí do trabalho e fui direto para a rodoviária. Precisava chegar em Barra Mansa a tempo de ir ao cartório fazer um reconhecimento de firma para poder vender meu carro. Cheguei no horário e fomos ver o que era preciso fazer. Um dos atendentes disse que era só assinar duas vezes num papel e tudo estaria resolvido. Pedi para assinar sentado em uma cadeira para ter mais estabilidade. Me sentei, o cara me mostrou onde eu tinha que escrever e, rapidamente, fiz as duas assinaturas e devolvi o papel para que ele pudesse terminar de preencher o que faltava (nome completo, CPF, endereço, etc.). Para minha surpresa, ele disse que não podia porque só eu poderia escrever no papel! Tentei explicar. Disse que escrever manualmente é difícil, me cansa, a letra fica horrível, etc. Não o convenci e ele ainda veio com aquele papo ‘como ele não escreve?’, ‘como é possível alguém assinar e não escrever?’. Chegaram a perguntar quem era o responsável por mim, que completaria 26 anos dali a dois dias! Depois de muito custo, o pessoal do cartório resolveu ligar para o tabelião, teoricamente, uma pessoa mais esclarecida. Teoricamente. Na prática ele manteve o discurso. Só eu poderia escrever! Para não perder a viagem, peguei o papel e escrevi. Demorei, a mão doeu, suou e a letra, como já era esperado, ficou uma merda. E eles... aceitaram!

Ainda me lembro de quando comecei a treinar a escrita manual com Suzane, minha terapeuta ocupacional. As aulas de caligrafia eram em cartolinas e eu tinha que completar as enormes letras pontilhadas feitas por ela. Como cansava. E como as mãos transpiravam. Depois de ficar craque no pontilhado foi a vez de escrever sozinho, com letra cursiva ou, como aprendi no colégio, de ‘mãos dadas’. Lápis na mão, papel na mesa e na hora de escrever... nada. Não sabia como começar a desenhar as letras, que caminhos seguir para o a ser um a. Suzane escrevia e eu tentava copiar seus movimentos. Foram muitas folhas, tentativas e risos para, alguns anos depois, chegarmos à minha assinatura atual. E claro, hoje, se precisar, consigo escrever à mão com relativa desenvoltura.

Desenvoltura essa que me falta na hora de chegar nas meninas. Resquícios de uma época em que ouvi vários ‘mas nós somos só amigos’. Demorei a aprender como contornar o problema de ser visto só como amigo pelas garotas que estava afim de ficar. É delicado achar o limite entre uma coisa e outra porque, em geral, prefiro me aproximar e conhecer um pouco melhor a pessoa antes de tomar a iniciativa. Na noite sempre foi mais difícil. Cansei de conversar com desconhecidas que na maioria das vezes ou não me davam bola ou achavam que eu estava bêbado. Ficava chateado no início, mas depois passei a achar graça disso. Melhor pensar que o problema era delas e não meu.

Engraçado também era ir à festas rave. A primeira foi no final de 2005 e desde o momento em que entrei pessoas me olhavam torto, espantadas. Só entendi o motivo quando ouvi um comentário do tipo ‘nossa, como ele tá louco!’. Sim, no meio de doidões, balas e doces, eu deixei a paralisia de lado e me tornei mais um que estava viajando, sem controle dos movimentos. No início aquilo me incomodou. Dizia que estava ‘de cara’, que não tinha tomado nada, mas pouco adiantava. Ainda era o mais chapado da festa para quem não me conhecia. Até que entrei na pilha. Passei a brincar e falar que tinha tomado tudo quando me perguntavam. E ria, ria muito daquilo e decidi me incluir no filme sobre raves que seria meu trabalho de conclusão de curso na PUC-Rio. Tem bala aí? combina entrevistas de produtores, DJs e frequentadores com narrações em off sobre minha experiência nas festas.

Em Como Seria?, retorno, de uma maneira mais profunda e diversa, a reflexões sobre o que vivi e penso em relação à minha paralisia cerebral. Lógico que seria ótimo jogar futebol, basquete, andar de skate, correr. Já imaginei ser abduzido por extraterrestres que me devolveriam ‘normal’ à Terra. Poderia, então, de uma hora para outra, me tornar o craque da camisa 10 do Flamengo. Apesar de pensar nisso de vez em quando, nunca me martirizei por ter a deficiência. O fato de não sabermos o que causou a paralisia não foi um peso para minha família. Sabíamos o que deveria ser feito – fisio, fono e TO – e seguimos em frente. Ir aos tratamentos foi, é e, provavelmente, sempre será parte da minha rotina. Não existe cura para a atetose e meus pais nunca quiseram ou cobraram dos meus terapeutas que eu ficasse ‘normal’. E isso, a aceitação, foi, para mim, e é, para qualquer pessoa com deficiência, o ponto principal para o desenvolvimento. Qualquer melhora do quadro motor, por menor que fosse, era comemorada. Sempre soube que não precisava ser consertado para ser amado, mas era cobrado o tempo todo para evoluir, melhorar. Como ainda não andava, mas conseguia me arrastar e engatinhar, fiz papel de minhoca numa peça teatral do colégio. Fizeram festa quando andei sozinho pela primeira vez, aos cinco anos. A máquina de escrever foi aceita numa boa e me acompanhou até o fim da faculdade. Escalo sem qualquer adaptação, dirijo carros de transmissão automática, pego ônibus no Rio de Janeiro e moro sozinho.

Vivo como qualquer pessoa e nego veementemente a palavra superação da forma como é usada em relação a mim e outras pessoas com deficiência. Não sou nenhum super-herói por morar sozinho, andar de ônibus, dirigir e escalar tendo a paralisia cerebral. Deveria ser normal ver pessoas com quaisquer deficiência que levam vidas normais. Mas, infelizmente, não é isso que acontece. Por isso, quando a grande mídia encontra pessoas como eu, somos elevados à categoria de mitos. Dizem: ‘Daniel superou sua deficiência para se tornar editor’. Não. Nunca vou superar a paralisia. Ela estará sempre comigo e eu não preciso deixa-la para trás para viver. Eu evoluo, melhoro meu quadro, consigo fazer movimentos que pareciam inatingíveis semana passada. Quando apareço como um ser humano que, apesar de ter a deficiência, faz o que os ditos ‘normais’ fazem, ganho força. Desço do pedestal em que fui colocado e me torno um exemplo que pode ser atingido e até seguido.

 

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