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Diante dessa necessidade de ter novos casais aptos a executarem a dança específica desse segmento nas escolas de samba e nos blocos, Mestre Manoel Dionísio resolveu criar a Escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta-Estandarte. O projeto, que foi fundado em 17 de julho de 1990, já formou inúmeros dançarinos do samba. Desde 2018, ocupa o espaço do Centro de Artes Calouste Gulbenkian, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura. “Nossa sede é aqui onde a história do samba começou! Fico muito feliz pelo futuro do projeto, vamos revelar muitos talentos ainda!”, afirma Mestre Manoel Dionísio. As atividades são gratuitas e incluem aulas práticas e teóricas para ensinar aos futuros dançarinos os fundamentos e origens da dança, além do regulamento do desfile e de questões éticas e profissionais que envolvem o ofício de mestre-sala e porta-bandeira. O curso, que acontece aos sábados das 13h às 18h, é aberto para todas as idades nos níveis básico, intermediário e avançado e oferece lanche aos alunos. A Escola ainda dispõe de um pedagogo, dando orientações educacionais e apoio em questões comportamentais e sociais. Entre os instrutores estão ilustres ex-alunos do projeto, como Peixinho, primeiro mestre-sala da Inocentes de Belford Roxo, e Feliciano Junior, que já atuou no Império Serrano e na Estácio de Sá, além da porta-bandeira Alcione Carvalho, da Estácio. A partir de 2019, conta com a presença de Lucinha Nobre, primeira porta-bandeira da Portela, que foi campeã do carnaval por três vezes. Marcos Rodrigues, Marquinhos, também integra o grupo de instrutores ilustres da Escola, Marquinhos conquistou por quatro vezes o título do Grupo Especial, sendo dois campeonatos na Mangueira (1998 e 2002) e dois na Unidos da Tijuca (2010 e 2012), passou também pela Estação Primeira de Mangueira, Unidos da Tijuca, Unidos de Vila Isabel, Unidos do Viradouro e Paraíso do Tuiuti. As vitórias são muito comemoradas em meio a várias dificuldades: “A escolinha chegou a maioridade sem patrocínio, apenas com a ajuda de amigos e parceiros. Somos uma entidade filantrópica sem fins lucrativos.” E completa com esperança: “Eu já dizia em 1990 e repito até hoje: eu vou fazer da dificuldade um trampolim para fazer um grande salto”. Mestre Manoel Dionísio é nome fundamental na história do carnaval carioca e brasileiro. O início da carreira foi em 1955, quando forma-se dançarino afro no Balé Folclórico de Mercedes Batista. A família queria a carreira militar, ele ficou em dúvida entre o futebol, o cinema e a dança, mas, felizmente, optou pela última e não a abandonou jamais. O mestre encara a dança não como trabalho, mas como lazer, e diz com orgulho que criou a família assim. Manoel Dionísio atuou no teatro na montagem histórica de Orfeu da Conceição, de Haroldo Costa, passou 14 anos dançando na Europa, e fundou em 1990 a Escola de Mestre Sala, Porta Bandeira e Porta Estandarte do Rio de Janeiro, responsável pela formação de dançarinos que estão à frente das escolas de samba da cidade do Grupo C ao Especial, além de formar crianças, adolescentes, jovens e adultos nas categorias do gênero.