Mestres das Kebradas na Índia |

Mestres das Kebradas na Índia

Cinco líderes comunitários vão à Índia para imersões e troca de experiências com projetos para a criação de uma universidade livre na periferia

Projeto por: GISELLE PAULINO DOS REIS DE OLIVEIRA
R$ 75.680,00
arrecadado
meta R$ 29.700,00

102 benfeitores
apoiaram essa campanha

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Obrigado a todos os Benfeitores por mais um projeto bem sucedido. Agora, acompanhe as novidades e comentários do projeto.

POR

GISELLE PAULINO DOS REIS DE OLIVEIRA

GISELLE PAULINO DOS REIS DE OLIVEIRA
R$ 25
Papo reto com a Kebrada
11 benfeitores apoiando
Encontro especial para as Kebradas. Você participa de um encontro para moradores da periferia sobre como criar jornadas de aprendizagem ou sua própria universidade. A partir de abril de 2020.

indisponível.
R$ 60
Cartão Postal
15 benfeitores apoiando
Você recebe em casa um Cartão Postal originário de Udaipur, Rajastão, com um agradecimento pessoal por ter apoiado essa emocionante jornada dos Mestres das Kebradas na Índia. Enviado até 20 de fevereiro de 2020.

34 disponíveis.
R$ 120
Fanzine Mestres das Kebradas em PDF
21 benfeitores apoiando
Você recebe por e-mail nosso fanzine com fotos, histórias e reflexões dos líderes sobre como seguir em frente, cuidar das pessoas e do planeta e sair dessa enrascada que o próprio ser humano se colocou. Enviado a partir de abril de 2020.
R$ 170
Fanzine Mestres das Kebradas impresso
9 benfeitores apoiando
Você recebe pelo Correio nosso fanzine impresso com fotos, histórias e reflexões dos líderes sobre como seguir em frente, cuidar das pessoas e do planeta e sair dessa enrascada que o próprio ser humano se colocou. Entrega a partir de abril de 2020.
R$ 250
Elefantinho de Udaipur
19 benfeitores apoiando
Você ganha o Elefantinho de Udaipur com uma mensagem mágica e intuitiva escrita especialmente para você. E recebe também o PDF do Fanzine Mestres das Kebradas na Índia. Entrega a partir de abril de 2020.

80 disponíveis.
R$ 350
Você na Kebrada
11 benfeitores apoiando
Você participa de um dia de imersão em uma das comunidades sobre abundância, felicidade, criatividade e colaboração com quem vive a cultura da dádiva. Você terá a oportunidade de conversar com mestres das kebradas e ganhar o Fanzine Mestres das Kebradas na Índia. Encontros a partir de abril de 2020.
R$ 680
Livro-álbum "A Kebrada na Índia"
4 benfeitores apoiando
Livro-álbum "Mestres das Kebradas na Índia" (22 x 31 cm, impresso em papel fotográfico 290 gr, mínimo de 22 páginas) com depoimentos, reflexões e uma coleção de fotos espetaculares sobre a jornada. Seu nome estará na lista de agradecimentos. A partir de abril de 2020.

45 disponíveis.
R$ 1.000
Oficina Descolonizar a Cooperação Sul
3 benfeitores apoiando
Oficina dirigida especialmente para quem trabalha ou faz pesquisa sobre cooperação internacional. A equipe do Articulação SUL facilita um workshop que traz a relevância da diversidade e do conhecimento popular dentro da cooperação entre os países do Sul Global. A proposta é acessar outros possíveis caminhos para a cooperação. Você ganha ainda o livro-álbum e o Fanzine impresso "Mestres das Kebradas na Índia".Encontros a partir de abril de 2020. Workshop on to explore how to ethically engage and be affected by different ways of knowing and being while respecting the integrity of each, the unique gifts they offer, acknowledging limitations and potential tensions between them. You also receive the Fanzine "Mestres das Kebradas na Índia" em PDF (in English). Meetings starting by April 2020.

37 disponíveis.
R$ 1.000
Quero desenhar minha jornada
2 benfeitores apoiando
Os mestres da UniDiversidade das Kebradas compartilham com você num workshop único as experiências da Índia. Você vai passar por processos de desaprendizagem, compreender como fazer um programa de educação autodesenhado e criar os próximos passos para sua jornada. Você ganha ainda o livro-álbum e o Fanzine impresso "Mestres das Kebradas na Índia".Encontros a partir de abril de 2020.

38 disponíveis.
R$ 3.200
Grandes Mestres no Zoom
1 benfeitor apoiando
Como podemos contribuir para um sistema internacional comprometido com a diversidade dos povos? O ciclo de diálogos promoverá 5 sessões online para que o grupo tenha uma conversa íntima com lideranças que estão mobilizando redes globais que buscam caminhos para criar as condições para as mudanças sistêmicas na busca de sociedades mais justas, igualitárias e sustentáveis. Cada sessão começará com uma apresentação, seguida por uma discussão. As primeiras duas sessões serão com: Manish Jain, Aliança das Ecoversidades e Bayo Akomolafe, The Emergence Network. Você ganha ainda o livro-álbum e o Fanzine impresso "Mestres das Kebradas na Índia".Encontros a partir de abril de 2020. How can we contribute to an international system committed to the socio-cultural diversity? The dialogue cycle will promote 5 online sessions for the group to have an intimate conversation with leaders who are mobilizing global networks seeking ways to create the conditions for systemic change in the search for more just, equitable and sustainable societies. Each session will begin with a 45-minute presentation, followed by 45 minutes of discussion. The first two sessions will be with: Manish Jain, Alliance of Ecoversities and Bayo Akomolafe, The Emergence Network. You also receive the Fanzine "Mestres das Kebradas na Índia" em PDF (in English). Starting by April 2020.
R$ 3.500
Doutorado informal
1 benfeitor apoiando
jornada de aprendizado transformador de seis meses que visa alinhar seu trabalho/carreira a um propósito mais profundo à serviço da felicidade, do bem-estar das pessoas e do planeta. Após uma sessão inicial onde você entra em contato com seu próprio momento de vida, será cocriado uma jornada de (des)aprendizado individual a partir de um cardápio de dinâmicas. Neste trajeto, você participa também de Grandes Mestres no Zoom, Você na Kebrada, Você ganha ainda o livro-álbum e o Fanzine impresso "Mestres das Kebradas na Índia".Encontros a partir de abril de 2020.
R$ 15.000
Kebrada na sua organização
Seja o primeiro a apoiar!
Este programa é uma oportunidade de trocas com quem vive a cultura da dádiva e lida todos os dias com escolhas em ambientes adversos. Em até três encontros, o programa inclui diferentes dinâmicas, rodas de conversas e trilhas de “empreendizagens” individuais e coletivas, além de uma imersão nas Kebradas. Você ganha ainda o livro-álbum e o Fanzine impresso "Mestres das Kebradas na Índia". Encontros a partir de abril de 2020.
R$ 17.000
Leve um mestre pra Índia
2 benfeitores apoiando
Você é generoso e quer apoiar essa causa. Garanta que seu mestre chegue lá e na volta vocês terão um momento de conversa e muita inspiração. Você ganha ainda o Elefantinho de Udaipur, o Livro-álbum e o Fanzine "Mestres das Kebradas na Índia". Entregas e encontros a partir de abril de 2020.

Este projeto inovador tem o objetivo de levar cinco líderes comunitários de São Paulo para troca de experiências na Índia sobre como criar uma universidade livre. Os mestres farão imersões com iniciativas e comunidades que reivindicam suas próprias formas de aprendizado e saberes como meios de encontrar respostas às crises ecológicas e sociais do planeta.

Tudo começou com a vinda ao Brasil do transformador social indiano Manish Jain para conhecer líderes comunitários da periferia de São Paulo em 2018. Manish Jain estudou em universidades ocidentais renomadas e trabalhou no sistema ONU. Foi quando percebeu que para realizar as mudanças necessárias era preciso honrar os valores e conhecimentos tradicionais. Há mais de 20 anos, Manish Jain lidera um movimento de educação que reconhece o aprendizado prático e os talentos transformadores de cada pessoa. É cofundador das Aliança de Ecoversities, rede de universidades livres que reúne mais de 100 iniciativas de universidades livres em mais de 40 países.

O encontro revelou o potencial de grandes líderes brasileiros, imbuídos de valores como compaixão, colaboração e generosidade e conectados com o propósito de servir à comunidade e ao meio ambiente. Usando instrumentos como arte, música e cozinha, eles improvisam com o que têm e transformam a realidade de muitos, apontando novos caminhos para a sociedade.

Surge o sonho da UniDiversidade das Kebradas, uma universidade livre pautada por valores sociais e ambientais, com espaço para aprendizado mútuo a partir de experiências reais e criativas.  A UniKebradas considera o propósito de vida e os sonhos e reconhece os saberes de cada comunidade para as mudanças que queremos ver no mundo.

Agora é a vez dos líderes brasileiros realizarem uma imersão com Manish Jain na Índia. A partir dos projetos da Shikshantar e da Universidade Swaraj, em Udaipur, no Rajastão, os peregrinos brasileiros buscarão entender melhor como criar uma universidade livre, como desaprender antigos padrões e como apoiar jornadas de aprendizado autodesenhadas.

Na volta, a experiência será aplicada em suas comunidades. É um projeto de educação transformador, inovador e com grande potencial de ser replicado. Ao mesmo tempo, traz a diversidade para enriquecer as relações do Brasil com outros países do sul global.

ENGLISH: This amount ensures that two community leaders will go to India for a journey to share experiences with projects that have reclaimed their knowledge and ways of learning as a response to Planets social and ecological issues. This exchange is an essential part of building free universities on the outskirts of huge cities.

AMOR QUE TRANSFORMA COMUNIDADES

Instituto Nova União da Arte (Nua) e Escola De Baixo da Ponte, em São Miguel Paulista, ou Mederi, em Suzano, são muitos os legados desse líder comunitário. Figura carismática que saiu do Ceará em busca de uma vida melhor em São Paulo sem saber que era ele quem traria felicidade, cuidado e esperança para tantas pessoas. Esculpindo peças de madeira para que as crianças saíssem do lixo, ajudou a transformar um antigo lixão clandestino, num bairro educador. Seu amor, poder de escuta e devoção ajudou a diminuir a violência da região de Vila Nova União, que ganhou uma rica atmosfera comunitária. Enquanto o Instituto Nua se tornou um centro de educação e arte para jovem e adolescente no contraturno escolar, a Escola De Baixo da Ponte expande muros, apropria-se do espaço público e faz da rua o melhor lugar para viver. O projeto Mederi é começar tudo de novo na cidade de Suzano. Assim, transforma vidas. Não é a toa que muitos o chamam de "pai".

MESTRA DE TODOS OS MESTRES

 Educadora da rede pública há 52 anos, esta dama serelepe das quebradas teve a ousadia de fazer uma escola aberta, democrática e inclusiva, num dos bairros considerados mais violentos do mundo, o Capão Redondo, onde nenhum funcionário queria mais trabalhar. Como? Tendo coragem de perguntar à comunidade o que eles esperavam de numa escola. Por meio de um processo profundo de escuta, entendeu que era preciso fazer um colégio sem sala de aula, carteiras e professores. E assim, foi feito. O atual Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) é reconhecida uma referência de Escola Transformadora. “Mestra” de várias lideranças da periferia, teve papel fundamental na vida de milhares de jovens e adultos da região e mostrou outros caminhos possíveis para a educação.

 MUSICA QUE UNE E DIMINUI A VIOLENCIA  E O ALIMENTO SAUDAVEL NA FAVELA

Nascido no Jardim Nakamura, no extremo sul de São Paulo, Claudinho nasceu músico. Seus primeiros instrumentos foram feitos de latas, pedaço de papelão e tampinhas de tubaína. Uma cadeira ou um pedaço de ferro viravam um pandeiro em suas mãos. Logo percebeu que a música era um importante instrumento para a paz. Com a banda Poesia Samba Soul, criada em 1988 ajudou a criar um campo de confiança para que as gangues de diferentes bairros deixassem suas rivalidades de lado. Esse movimento foi decisivo para acabar com a violência na região. O Instituto Favela da Paz, criado por ele, recebe pessoas do mundo todo para conhecer esse espaço regenerativo social, conversar sobre espiritualidade, empreendedorismo, música e energia sustentável de baixo custo e de alto impacto nas favelas.

Elem sonhava em construir uma mesa para que as pessoas pudessem se reunir e comer juntas. Assim nasce o Vegearte, projeto de alimentação vegetariana do Instituto Favela da Paz que mostra que os moradores da favela também podem ter uma dieta saudável. A iniciativa oferece cursos de gastronomia sem carne e com ingredientes acessíveis. O Vegearte possibilitou que mulheres da comunidade cozinhassem em eventos e tivessem uma atividade empreendedora carregada de significados e propósito. Dessa forma, o Vegearte entende que o comer é um ato que vai além da nutrição, mas que envolve amor e serviço ao outro. Os resíduos orgânicos da cozinha abastecem um biodigestor, que por sua vez, oferece energia limpa ao Vegearte, fechando o ciclo sustentável da casa.

SE CUROU PARA CURAR OUTRAS MULHERES

Educadora e feminista não mede esforços e não se sente intimidada para chegar em locais de risco e falar de um tema de extrema importância: a violência contra as mulheres. Nascida em São Miguel Paulista, poderia ser apenas mais uma mulher do extremo leste de São Paulo com uma forte história de violência doméstica. No entanto, com o projeto Café das Marias, grupo de mulheres para prevenção da violência, usa sua experiência de vida para ajudar outras mulheres na periferia a identificarem relacionamentos abusivos e a saírem de situação semelhante a que ela passou. Mais do que passar informações relevantes como serviços disponíveis, redes de apoio e direitos, o Café das Marias é um momento para estar entre amigas confiáveis e com tempo de qualidade para ser escutada. De forma itinerante, o grupo vai onde é preciso, seja em grupos religiosos, abrigos que recebem moradores de ruas, comunidades, casas de dependentes químicos, escolas e universidades. Seu sonho é desenhar a “universidade das mulheres”. 

 

A proposta dessa jornada prevista para acontecer em fevereiro de 2020 é fazer uma imersão de duas semanas em Udaipur, Rajastão, com a Shikshantar e a Universidade Swaraj. Estas organizações propõe uma educação autodesenhada a partir do sonho de cada um, sem a figura de um líder, sem sala de aula e a partir de experiências práticas de pessoas que são apaixonadas pelo que fazem e trabalham pelo social e ecologia do planeta. Os líderes vão participar de dinâmicas e atividades e seguir um roteiro baseado no sentir, nos relacionamentos e nas trocas. Vão participar ainda de vivências em vilas tradicionais indianas, interagir com artistas, músicos e muito mais.

Alguns dos projetos que vamos interagir

Shikshantar: O nome em hindi significa “aprender vivendo e viver aprendendo.” O instituto recebe pessoas de todas as idades para experimentos em educação onde os participantes propõe seus temas de interesses e aprendem uns com os outros.   

Swaraj University: Inspirada no conceito cunhado por Mahatma Gandhi “Swaraj”, que  significa autogoverno ou harmonia do Eu, a universidade apoia programas de aprendizagem no qual os alunos passam por processos de desconstrução de conceitos pré-estabelecidos pela sociedade, escolhem seus líderes e desenham seus programas de aprendizagem.   

Creative Adda: é uma escola numa favela em Delhi reconhecida por ter “alunos problemáticos”  que foi transformada devido a um experimento em educação livre trazida pela Shikshantar.                                          

Jail University: projeto realizado na cadeia municipal de Udaipur, onde a Swaraj University, desenvolve inúmeros projetos para que os internos, muitas vezes esquecidos pelo sistema, possam redescobrir seus talentos e potencialidades.

Udaipur, Cidade de Aprendizado: a Shikshantar reconhece que a aprendizagem pode acontecer das mais diversas formas e lugares e que toda pessoa pode ser um mestre, basta ser apaixonada pelo que faz e estar envolvida em ações ecológicas e sociais. Dessa forma, a cidade se torna uma escola sem muros.

Bianca Suyama é cofundadora do Articulação Sul, organização da sociedade civil que promove a cooperação entre países do Sul Global. É formada em Relações Internacionais e mestre em Gestão e Desenvolvimento Internacional pela London School of Economics and Political Science. Trabalhou para organizações nacionais, internacionais e governos locais, como orçamento participativo em São Paulo e CARE Internacional UK. Tem experiência em ambientes multiculturais em mais de 20 países na América Latina, África e Ásia. No entanto, suas maiores dádivas são a generosidade, desapego, capacidade de enxergar o novo e trabalhar pelo coletivo. Recentemente foi nomeada como diretora para América Latina da UniDiversidade das Kebradas.

Giselle Paulino é jornalista independente, mestre em desenvolvimento sustentável e viajóloga. Trabalhou nos principais jornais e revistas de São Paulo e organizações da sociedade civil. Mas foram suas viagens pelo mundo que trouxeram os maiores e mais significativos aprendizados para a vida.  Morou na China e no sudeste asiático. Escreveu histórias de grandes líderes e iniciativas inspiradoras em países como China, Butão, Índia, Namíbia, Madagascar, Etiópia e Brasil. Desenvolve jornadas de (des)aprendizagem nestes países e também na periferia de São Paulo. Faz doutorado informal com Manish Jain e com os Mestres das Kebradas. Dedica-se a Reimaginar a Educação e a criar a UniDiversidade das Kebradas

Realização

Articulação Sul  https://articulacaosul.org/home/

UniDiversidade das Kebradas www.unikebradas.com.br

 

GISELLE PAULINO DOS REIS DE OLIVEIRA ainda não publicou nenhuma notícia.

Este projeto inovador tem o objetivo de levar cinco líderes comunitários de São Paulo para troca de experiências na Índia sobre como criar uma universidade livre. Os mestres farão imersões com iniciativas e comunidades que reivindicam suas próprias formas de aprendizado e saberes como meios de encontrar respostas às crises ecológicas e sociais do planeta.

Tudo começou com a vinda ao Brasil do transformador social indiano Manish Jain para conhecer líderes comunitários da periferia de São Paulo em 2018. Manish Jain estudou em universidades ocidentais renomadas e trabalhou no sistema ONU. Foi quando percebeu que para realizar as mudanças necessárias era preciso honrar os valores e conhecimentos tradicionais. Há mais de 20 anos, Manish Jain lidera um movimento de educação que reconhece o aprendizado prático e os talentos transformadores de cada pessoa. É cofundador das Aliança de Ecoversities, rede de universidades livres que reúne mais de 100 iniciativas de universidades livres em mais de 40 países.

O encontro revelou o potencial de grandes líderes brasileiros, imbuídos de valores como compaixão, colaboração e generosidade e conectados com o propósito de servir à comunidade e ao meio ambiente. Usando instrumentos como arte, música e cozinha, eles improvisam com o que têm e transformam a realidade de muitos, apontando novos caminhos para a sociedade.

Surge o sonho da UniDiversidade das Kebradas, uma universidade livre pautada por valores sociais e ambientais, com espaço para aprendizado mútuo a partir de experiências reais e criativas.  A UniKebradas considera o propósito de vida e os sonhos e reconhece os saberes de cada comunidade para as mudanças que queremos ver no mundo.

Agora é a vez dos líderes brasileiros realizarem uma imersão com Manish Jain na Índia. A partir dos projetos da Shikshantar e da Universidade Swaraj, em Udaipur, no Rajastão, os peregrinos brasileiros buscarão entender melhor como criar uma universidade livre, como desaprender antigos padrões e como apoiar jornadas de aprendizado autodesenhadas.

Na volta, a experiência será aplicada em suas comunidades. É um projeto de educação transformador, inovador e com grande potencial de ser replicado. Ao mesmo tempo, traz a diversidade para enriquecer as relações do Brasil com outros países do sul global.

ENGLISH: This amount ensures that two community leaders will go to India for a journey to share experiences with projects that have reclaimed their knowledge and ways of learning as a response to Planets social and ecological issues. This exchange is an essential part of building free universities on the outskirts of huge cities.

AMOR QUE TRANSFORMA COMUNIDADES

Instituto Nova União da Arte (Nua) e Escola De Baixo da Ponte, em São Miguel Paulista, ou Mederi, em Suzano, são muitos os legados desse líder comunitário. Figura carismática que saiu do Ceará em busca de uma vida melhor em São Paulo sem saber que era ele quem traria felicidade, cuidado e esperança para tantas pessoas. Esculpindo peças de madeira para que as crianças saíssem do lixo, ajudou a transformar um antigo lixão clandestino, num bairro educador. Seu amor, poder de escuta e devoção ajudou a diminuir a violência da região de Vila Nova União, que ganhou uma rica atmosfera comunitária. Enquanto o Instituto Nua se tornou um centro de educação e arte para jovem e adolescente no contraturno escolar, a Escola De Baixo da Ponte expande muros, apropria-se do espaço público e faz da rua o melhor lugar para viver. O projeto Mederi é começar tudo de novo na cidade de Suzano. Assim, transforma vidas. Não é a toa que muitos o chamam de "pai".

MESTRA DE TODOS OS MESTRES

 Educadora da rede pública há 52 anos, esta dama serelepe das quebradas teve a ousadia de fazer uma escola aberta, democrática e inclusiva, num dos bairros considerados mais violentos do mundo, o Capão Redondo, onde nenhum funcionário queria mais trabalhar. Como? Tendo coragem de perguntar à comunidade o que eles esperavam de numa escola. Por meio de um processo profundo de escuta, entendeu que era preciso fazer um colégio sem sala de aula, carteiras e professores. E assim, foi feito. O atual Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) é reconhecida uma referência de Escola Transformadora. “Mestra” de várias lideranças da periferia, teve papel fundamental na vida de milhares de jovens e adultos da região e mostrou outros caminhos possíveis para a educação.

 MUSICA QUE UNE E DIMINUI A VIOLENCIA  E O ALIMENTO SAUDAVEL NA FAVELA

Nascido no Jardim Nakamura, no extremo sul de São Paulo, Claudinho nasceu músico. Seus primeiros instrumentos foram feitos de latas, pedaço de papelão e tampinhas de tubaína. Uma cadeira ou um pedaço de ferro viravam um pandeiro em suas mãos. Logo percebeu que a música era um importante instrumento para a paz. Com a banda Poesia Samba Soul, criada em 1988 ajudou a criar um campo de confiança para que as gangues de diferentes bairros deixassem suas rivalidades de lado. Esse movimento foi decisivo para acabar com a violência na região. O Instituto Favela da Paz, criado por ele, recebe pessoas do mundo todo para conhecer esse espaço regenerativo social, conversar sobre espiritualidade, empreendedorismo, música e energia sustentável de baixo custo e de alto impacto nas favelas.

Elem sonhava em construir uma mesa para que as pessoas pudessem se reunir e comer juntas. Assim nasce o Vegearte, projeto de alimentação vegetariana do Instituto Favela da Paz que mostra que os moradores da favela também podem ter uma dieta saudável. A iniciativa oferece cursos de gastronomia sem carne e com ingredientes acessíveis. O Vegearte possibilitou que mulheres da comunidade cozinhassem em eventos e tivessem uma atividade empreendedora carregada de significados e propósito. Dessa forma, o Vegearte entende que o comer é um ato que vai além da nutrição, mas que envolve amor e serviço ao outro. Os resíduos orgânicos da cozinha abastecem um biodigestor, que por sua vez, oferece energia limpa ao Vegearte, fechando o ciclo sustentável da casa.

SE CUROU PARA CURAR OUTRAS MULHERES

Educadora e feminista não mede esforços e não se sente intimidada para chegar em locais de risco e falar de um tema de extrema importância: a violência contra as mulheres. Nascida em São Miguel Paulista, poderia ser apenas mais uma mulher do extremo leste de São Paulo com uma forte história de violência doméstica. No entanto, com o projeto Café das Marias, grupo de mulheres para prevenção da violência, usa sua experiência de vida para ajudar outras mulheres na periferia a identificarem relacionamentos abusivos e a saírem de situação semelhante a que ela passou. Mais do que passar informações relevantes como serviços disponíveis, redes de apoio e direitos, o Café das Marias é um momento para estar entre amigas confiáveis e com tempo de qualidade para ser escutada. De forma itinerante, o grupo vai onde é preciso, seja em grupos religiosos, abrigos que recebem moradores de ruas, comunidades, casas de dependentes químicos, escolas e universidades. Seu sonho é desenhar a “universidade das mulheres”. 

 

A proposta dessa jornada prevista para acontecer em fevereiro de 2020 é fazer uma imersão de duas semanas em Udaipur, Rajastão, com a Shikshantar e a Universidade Swaraj. Estas organizações propõe uma educação autodesenhada a partir do sonho de cada um, sem a figura de um líder, sem sala de aula e a partir de experiências práticas de pessoas que são apaixonadas pelo que fazem e trabalham pelo social e ecologia do planeta. Os líderes vão participar de dinâmicas e atividades e seguir um roteiro baseado no sentir, nos relacionamentos e nas trocas. Vão participar ainda de vivências em vilas tradicionais indianas, interagir com artistas, músicos e muito mais.

Alguns dos projetos que vamos interagir

Shikshantar: O nome em hindi significa “aprender vivendo e viver aprendendo.” O instituto recebe pessoas de todas as idades para experimentos em educação onde os participantes propõe seus temas de interesses e aprendem uns com os outros.   

Swaraj University: Inspirada no conceito cunhado por Mahatma Gandhi “Swaraj”, que  significa autogoverno ou harmonia do Eu, a universidade apoia programas de aprendizagem no qual os alunos passam por processos de desconstrução de conceitos pré-estabelecidos pela sociedade, escolhem seus líderes e desenham seus programas de aprendizagem.   

Creative Adda: é uma escola numa favela em Delhi reconhecida por ter “alunos problemáticos”  que foi transformada devido a um experimento em educação livre trazida pela Shikshantar.                                          

Jail University: projeto realizado na cadeia municipal de Udaipur, onde a Swaraj University, desenvolve inúmeros projetos para que os internos, muitas vezes esquecidos pelo sistema, possam redescobrir seus talentos e potencialidades.

Udaipur, Cidade de Aprendizado: a Shikshantar reconhece que a aprendizagem pode acontecer das mais diversas formas e lugares e que toda pessoa pode ser um mestre, basta ser apaixonada pelo que faz e estar envolvida em ações ecológicas e sociais. Dessa forma, a cidade se torna uma escola sem muros.

Bianca Suyama é cofundadora do Articulação Sul, organização da sociedade civil que promove a cooperação entre países do Sul Global. É formada em Relações Internacionais e mestre em Gestão e Desenvolvimento Internacional pela London School of Economics and Political Science. Trabalhou para organizações nacionais, internacionais e governos locais, como orçamento participativo em São Paulo e CARE Internacional UK. Tem experiência em ambientes multiculturais em mais de 20 países na América Latina, África e Ásia. No entanto, suas maiores dádivas são a generosidade, desapego, capacidade de enxergar o novo e trabalhar pelo coletivo. Recentemente foi nomeada como diretora para América Latina da UniDiversidade das Kebradas.

Giselle Paulino é jornalista independente, mestre em desenvolvimento sustentável e viajóloga. Trabalhou nos principais jornais e revistas de São Paulo e organizações da sociedade civil. Mas foram suas viagens pelo mundo que trouxeram os maiores e mais significativos aprendizados para a vida.  Morou na China e no sudeste asiático. Escreveu histórias de grandes líderes e iniciativas inspiradoras em países como China, Butão, Índia, Namíbia, Madagascar, Etiópia e Brasil. Desenvolve jornadas de (des)aprendizagem nestes países e também na periferia de São Paulo. Faz doutorado informal com Manish Jain e com os Mestres das Kebradas. Dedica-se a Reimaginar a Educação e a criar a UniDiversidade das Kebradas

Realização

Articulação Sul  https://articulacaosul.org/home/

UniDiversidade das Kebradas www.unikebradas.com.br

 

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