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As palavras que compõem este livreto, Tecendo Palavras, Curando a Alma, nasceram de um marco de reconhecimento: este ensaio foi o vencedor do concurso literário "Como a Literatura mudou a minha vida?", promovido pela Influxo e pelo Coletivo Escribas em 2023. Nele, compartilho meu processo de recuperação após o trauma da violência sexual sofrida aos 12 anos, revelando como a escrita tornou-se o fio condutor da minha superação.
Nas páginas a seguir, narro como minha jornada de despertar emocional floresceu em outubro de 2021, ao romper décadas de silêncio. Escrever aquela Carta-Manifesto de 18 páginas foi o ato de coragem que expôs o crime de 2002 e seus reflexos em minha trajetória. Este livreto é o testemunho dessa travessia: um convite para entender como a literatura curou minha alma e como ela se afirma, inegavelmente, como um instrumento vital de mudança pessoal e coletiva.
Este texto é um chamado. Ele se dirige a quem compartilha da mesma dor, mas também a quem nunca a viveu de perto. Falar sobre violência sexual não deve ser um tabu restrito às vítimas, mas um debate público e urgente. Ao ampliarmos o acesso a essas vivências, fortalecemos a consciência coletiva e assumimos a responsabilidade de transformar a realidade em que vivemos.
“NEM TODO TRAUMA É SENTENÇA; EXISTE UM ‘RENASCER DITOSO’ À ESPERA DE QUEM CORAJOSAMENTE TECE A PRÓPRIA CURA”
— Maria José de Melo, 2026.


Natural de São Caitano, no Agreste pernambucano, e mora atualmente no município de Jaboatão dos Guararapes (PE), Maria José de Melo tece sua história entre a ciência geográfica e a sensibilidade da palavra. Geógrafa (UFPE), mestre em Serviço Social (UFAL) e especialista em Docência (IFMG). Sua trajetória intelectual floresceu ao dar voz ao campesinato nordestino e às comunidades ribeirinhas do Submédio São Francisco (PE) e do Alto Paraíba (PB). O que começou como rigor acadêmico transbordou para a literatura em 2021, transformando diários pessoais em uma produção pulsante de poemas, crônicas e memórias. Membra do Coletivo Escribas e premiada em concursos literários, Maria José de Melo é autora de obras que transitam da análise econômica e social de A Renda Fundiária na transposição do Rio São Francisco (2021) ao lirismo de A Jitirana Poética (2023) e à força de Memórias Literárias de Amora (2025). Hoje, ela segue dedicando-se ao seu projeto autobiográfico, onde a escrita é, acima de tudo, um ato de emancipação e vida.
"Trago o Agreste no sangue e na escrita: ele é a minha força, o meu ponto de partida e nunca o meu limite. Entendi que a literatura não pede licença a diplomas, ela exige apenas olhos atentos para traduzir a vida e mãos firmes para transformar a realidade em papel."


Percebi que algo profundo ainda não havia sido elaborado, mantendo-me presa a ciclos repetitivos de dor e abandono. Foi nesse limite que o entendimento floresceu: eu precisava mergulhar naquela dor para devolver à escuridão o peso que nunca me pertenceu. Libertei meus ombros de uma carga que é da sociedade, do Estado e do agressor — mas jamais minha.
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“Maria, que texto inspirador e que potência!! Estou tão feliz em ter te conhecido, você é pura inspiração, amor e paixão. Me vi em muitas de suas palavras, dá para sentir o quanto cada verso te move. Obrigada por tanto, você é uma mulher necessária, uma escritora que nasceu na terra seca e se regou de si mesma e agora rega a todas nós. ❤️❤️❤️”
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O Divisor de Águas: Primavera do Despertar
O que restou da minha primavera de 2021?
Restaram estilhaços de vidro no chão,
sobras do muro que, enfim, ruiu
Rompeu-se a barreira: através das lágrimas,
o trauma foi exposto à luz
E ali, no divisor de águas,
fez-se a estação do meu despertar
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A vontade de escrever pulsa enquanto houver o desejo de existir. É o movimento que preserva a chama: escrever deixa de ser um hábito para se tornar fôlego, uma necessidade essencial. Sem dúvida alguma: enquanto houver vontade de viver, haverá em mim a urgência de escrever.
*
A literatura transformou minha vida quando cheguei ao meu extremo. A narrativa em prosa ofereceu os impulsos para uma libertação que deu origem a uma carta-manifesto de 18 páginas. Mais do que um relato íntimo, aquele texto tornou-se um desabafo, uma denúncia e um manual de acolhimento para outras sobreviventes.

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Publicado por Toma Aí Um Poema

A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
📖 1k+ autores lidos
✍️ 1k+ escritores publicados
🎧 1 milhão de players
Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
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@tomaaiumpoema