Livro Acerolas Podres, de João Silverio
Curitiba, PR

Livro Acerolas Podres, de João Silverio

Edição e publicação do livro Acerolas Podres, de João Silverio | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 23/05/2024

R$ 1.964

arrecadados da meta de R$ 2.600

76%

da meta 2

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Finalizada

Projeto Meta Tudo ou Nada

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 23/05/2024

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O Livro

Estes poemas foram escritos ao longo de um ano de puro desejo por uma vida poetizante. A possibilidade de se entender a poesia enquanto uma potência indissociável da vida e, ao mesmo tempo, chave para o desvelamento de um ser ocultado pelas misérias cotidianas trouxeram vida a estes poemas recheados de amor e violência. As mãos deste que vos escreve estão marcadas por calos e cicatrizes profundas de uma insensatez aterrorizante e inconciliável com o bom-senso. 

Peço desculpas pelos nomes citados, mas não tenho medo de dizer para aqueles cujo amor foi cultivado, muito menos aceitar o fim e o descarte. Se o amor e a violência são dois lados de um mesmo crânio esfacelado, deixemos os vermos se alimentarem desta carcaça leve que é o poeta. As imagens anárquicas e vertiginosamente belas são a proeza dos malditos escritores. Espero, com meus versos, poder trazer algo daquilo afirmado por Baudelaire: le beau est toujours bizarre. E essa bizarrice é, ao mesmo tempo, violência. Não somente contra o outro, mas fundamentalmente contra si mesmo.

Aqui vos entrego meu sangue, meu sangue que também é espírito febril. Ao passo inverso de um agricultor, treinado para colher os melhores frutos, afirmo ser um coletor mal-educado ou perverso: as frutas, as acerolas, as quais colho não são as mais belas e cheirosas. Busco as mais machucadas, mofadas, comidas por insetos e vermes, os frutos podres. Somente estes, os malcheirosos, podem nos ensinar algo e verdadeiramente nos provocar algum incômodo ao degustarmos seu néctar necrosado. Esta morte capaz de explodir a viscosidade da vida como um copo de gim barato. Eis aqui as cacofônicas correspondências imagéticas de um Estrategista do Delírio.

(João Silverio)

O Autor

João Victor Silverio de Oliveira Moreira nasceu na cidade de Santos Dumont (MG) em 2 de Março de 2000. É graduando em Filosofia pela UFJF, professor de Filosofia e faixa azul em jiu-jitsu. Amante de Filosofia desde pequeno, teve seu desabrochar poético a partir dela. Buscando sempre estabelecer as pontes entre a filosofia de Empédocles, Platão, Hegel, Mircea Eliade, Martin Heidegger e a poesia de autores delirantes como Roberto Piva, Claudio Willer e Hilda Hilst, da poesia mítica de Jorge de Lima e Murilo Mendes, assim como de Conde de Lautréamont e o surrealismo de André Breton.


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Alguns Poemas do Livro


Ó Piolhos!

ó piolhos, ó sugadores do sangue de meus cabelos secos

teus ovos plantados eclodindo com viscosa placenta do útero da mãe

no interior de meu crânio

sinto vocês vagando, seus saltos, seus passos, suas sucções terríveis

coço, coço, coço, coço

mas somente os rastros sujos saem em minhas unhas

malditos germinadores! destruirei minha carne até poder libertar-me de

repulsiva obra

ó demônio, ó tu que fazes as crianças lixarem suas cabeças até a ferida

até terem seus miolos à vista com o sangue borbulhante

queimando seus ossos e suas faces apodrecidas

sai de mim, sai de meu corpo, liberta-me de tua condenação

ó piolhos, sugadores da vitalidade, demônio do ouro e dos títulos

afasta tuas garras de minha alma sugador terrível!

defecando normas em mim e subjugando-me

quero cravar pregos em meu casco para crucificar-te

atear fogo em minha face para ouvir os teus gemidos

enforcar-te com linhas de náilon e decapitar com agulhas

esvai-se de mim, ó monstruosidade branca

anão do sangue devorador de tufos

  • *

Maldita verdade

Se não fosse esta tua cara

de mentirosa

nós nos daríamos muito bem.

O teu problema é insistir em

não querer mentir para mim

em continuar dizendo a

verdade.

Essa maldita palavra

ver-da-de.

ver

da

de

Eu deveria esbofetar esse teu rosto de

seda

toda vez que não mentires

para mim.

Como tu consegues não

mentir?

Por que não me dizes que vamos

continuar juntos até o amanhecer?

Por que não consegues mentir

dizendo-me que vais voltar a visitar-me?

Por que não posso ficar com meus dedos

na tua

virilha

e sentir teu calor?

Por que me impedes disso?

De sentir teus dedos em minha face

ou

teus pés roçando meus calcanhares?

Quero fazer de tua palavra

lei,

de teus lábios

vida serena.

Mas tu enches a boca de vermes

e cospe-me esta maldita palavra,

esta maldita

ve

r

dad

e

  • *

Poemas para ler descalço - X

mananciais de sentimentos agregados

teu corpo esticado na cama

escalo-o como se fosse uma montanha

teus segredos da carne & da alma saltam em meu peito

cuspo em tua face as verdades que absorvo nas linhas noturnas destas cortinas

busco a pura imaginação, o puro engano, a pura obra artística que tu és

uma mão vermelha acaricia meus cabelos enquanto beijo tuas bochechas

o horror da primeira nudez & o medo da decepção passam por nossas mentes

mas a cada toque, a cada calor compartilhado, cada mordiscada, cada palavra dita

nos harmonizamos com o mesmo toque cingido no cosmos

duas melodias cintilantes e arroxeadas rolando pelos campos de um jardim esquecido

o crepúsculo ilumina sua face

teus olhos brilham como peras lustradas

é o anúncio de meu êxodo

as cinzas me consomem & passo a desfazer-me diante de teus olhos

nosso reencontro dar-se-á na próxima quarta-feira de cinzas

até meu corpo se desgrudar de tuas memórias

& transgredir estas palavras

tu terás alucinações poéticas & ouvirás minha voz chamar pelo teu nome

nosso amor feito de lembranças e vivências que se experienciam uma única vez

para reencarnarem em realidades inefáveis

em que o sonho e a realidade se confundem

O Toma Aí Um Poema

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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players

Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)

Impressão Gráfica | 800,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 700,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00

Contato

contato@tomaaiumpoema.com.br

@tomaaiumpoema

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Modalidade

Projeto, Meta Tudo ou Nada

A primeira meta de arrecadação precisa ser atingida para o projeto acontecer. Caso contrário, os apoiadores recebem o dinheiro de volta.

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