Conheça a campanha
O Livro
Estes poemas foram escritos ao longo de um ano de puro desejo por uma vida poetizante. A possibilidade de se entender a poesia enquanto uma potência indissociável da vida e, ao mesmo tempo, chave para o desvelamento de um ser ocultado pelas misérias cotidianas trouxeram vida a estes poemas recheados de amor e violência. As mãos deste que vos escreve estão marcadas por calos e cicatrizes profundas de uma insensatez aterrorizante e inconciliável com o bom-senso.
Peço desculpas pelos nomes citados, mas não tenho medo de dizer para aqueles cujo amor foi cultivado, muito menos aceitar o fim e o descarte. Se o amor e a violência são dois lados de um mesmo crânio esfacelado, deixemos os vermos se alimentarem desta carcaça leve que é o poeta. As imagens anárquicas e vertiginosamente belas são a proeza dos malditos escritores. Espero, com meus versos, poder trazer algo daquilo afirmado por Baudelaire: le beau est toujours bizarre. E essa bizarrice é, ao mesmo tempo, violência. Não somente contra o outro, mas fundamentalmente contra si mesmo.
Aqui vos entrego meu sangue, meu sangue que também é espírito febril. Ao passo inverso de um agricultor, treinado para colher os melhores frutos, afirmo ser um coletor mal-educado ou perverso: as frutas, as acerolas, as quais colho não são as mais belas e cheirosas. Busco as mais machucadas, mofadas, comidas por insetos e vermes, os frutos podres. Somente estes, os malcheirosos, podem nos ensinar algo e verdadeiramente nos provocar algum incômodo ao degustarmos seu néctar necrosado. Esta morte capaz de explodir a viscosidade da vida como um copo de gim barato. Eis aqui as cacofônicas correspondências imagéticas de um Estrategista do Delírio.
(João Silverio)
O Autor
João Victor Silverio de Oliveira Moreira nasceu na cidade de Santos Dumont (MG) em 2 de Março de 2000. É graduando em Filosofia pela UFJF, professor de Filosofia e faixa azul em jiu-jitsu. Amante de Filosofia desde pequeno, teve seu desabrochar poético a partir dela. Buscando sempre estabelecer as pontes entre a filosofia de Empédocles, Platão, Hegel, Mircea Eliade, Martin Heidegger e a poesia de autores delirantes como Roberto Piva, Claudio Willer e Hilda Hilst, da poesia mítica de Jorge de Lima e Murilo Mendes, assim como de Conde de Lautréamont e o surrealismo de André Breton.

Alguns Poemas do Livro
Ó Piolhos!
ó piolhos, ó sugadores do sangue de meus cabelos secos
teus ovos plantados eclodindo com viscosa placenta do útero da mãe
no interior de meu crânio
sinto vocês vagando, seus saltos, seus passos, suas sucções terríveis
coço, coço, coço, coço
mas somente os rastros sujos saem em minhas unhas
malditos germinadores! destruirei minha carne até poder libertar-me de
repulsiva obra
ó demônio, ó tu que fazes as crianças lixarem suas cabeças até a ferida
até terem seus miolos à vista com o sangue borbulhante
queimando seus ossos e suas faces apodrecidas
sai de mim, sai de meu corpo, liberta-me de tua condenação
ó piolhos, sugadores da vitalidade, demônio do ouro e dos títulos
afasta tuas garras de minha alma sugador terrível!
defecando normas em mim e subjugando-me
quero cravar pregos em meu casco para crucificar-te
atear fogo em minha face para ouvir os teus gemidos
enforcar-te com linhas de náilon e decapitar com agulhas
esvai-se de mim, ó monstruosidade branca
anão do sangue devorador de tufos
*
Maldita verdade
Se não fosse esta tua cara
de mentirosa
nós nos daríamos muito bem.
O teu problema é insistir em
não querer mentir para mim
em continuar dizendo a
verdade.
Essa maldita palavra
ver-da-de.
ver
da
de
Eu deveria esbofetar esse teu rosto de
seda
toda vez que não mentires
para mim.
Como tu consegues não
mentir?
Por que não me dizes que vamos
continuar juntos até o amanhecer?
Por que não consegues mentir
dizendo-me que vais voltar a visitar-me?
Por que não posso ficar com meus dedos
na tua
virilha
e sentir teu calor?
Por que me impedes disso?
De sentir teus dedos em minha face
ou
teus pés roçando meus calcanhares?
Quero fazer de tua palavra
lei,
de teus lábios
vida serena.
Mas tu enches a boca de vermes
e cospe-me esta maldita palavra,
esta maldita
ve
r
dad
e
*
Poemas para ler descalço - X
mananciais de sentimentos agregados
teu corpo esticado na cama
escalo-o como se fosse uma montanha
teus segredos da carne & da alma saltam em meu peito
cuspo em tua face as verdades que absorvo nas linhas noturnas destas cortinas
busco a pura imaginação, o puro engano, a pura obra artística que tu és
uma mão vermelha acaricia meus cabelos enquanto beijo tuas bochechas
o horror da primeira nudez & o medo da decepção passam por nossas mentes
mas a cada toque, a cada calor compartilhado, cada mordiscada, cada palavra dita
nos harmonizamos com o mesmo toque cingido no cosmos
duas melodias cintilantes e arroxeadas rolando pelos campos de um jardim esquecido
o crepúsculo ilumina sua face
teus olhos brilham como peras lustradas
é o anúncio de meu êxodo
as cinzas me consomem & passo a desfazer-me diante de teus olhos
nosso reencontro dar-se-á na próxima quarta-feira de cinzas
até meu corpo se desgrudar de tuas memórias
& transgredir estas palavras
tu terás alucinações poéticas & ouvirás minha voz chamar pelo teu nome
nosso amor feito de lembranças e vivências que se experienciam uma única vez
para reencarnarem em realidades inefáveis
em que o sonho e a realidade se confundem
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema