Pré-venda do livro A dança áspera das raízes, de Bárbara Mançanares
Curitiba, PR

Pré-venda do livro A dança áspera das raízes, de Bárbara Mançanares

Edição e publicação do livro A dança áspera das raízes, de Bárbara Mançanares | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 19/04/2025

R$ 2.614

arrecadados da meta de R$ 3.200

82%

da meta 3

40

Benfeitores

Finalizada

Projeto Meta Tudo ou Nada

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 19/04/2025

Como essa campanha já foi finalizada, as recompensas não estão mais disponíveis.

Conheça a campanha

O Livro

A dança áspera das raízes é um livro de poemas escrito entre 2021 e 2024. Os poemas perpassam a morte, a água e a terra e, por isso mesmo, a vida e o desejo, aquilo que permanece pulsando. A ausência de títulos nos poemas reflete uma escolha estética presente também nos trabalhos anteriores da autora, reforçando a ideia de um fluxo contínuo dentro do território poético.

A Autora

Bárbara Mançanares é historiadora, poeta e bordadeira. Autora dos livros "Maio" (Quintal Edições, 2018), "Cartografias do corpo que canta" (Editora Patuá, 2021) e "A voz incauta da feras" (Editora Patuá, 2024), foi vencedora do Prêmio Nacional Mozart Pereira Soares de Literatura (2023) na categoria melhor livro de poesia. Foi aluna do Curso Livre de Preparação de Escritores (2021) do Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e em 2024 foi selecionada no edital Rumos, do Itaú Cultural, para escrever seu primeiro romance.

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Alguns Poemas do Livro

os elefantes dormem de lado

parecem caminhantes de uma dança lenta

coreografada no chão da savana

as raízes ainda mais profundas

como tem de ser as coisas afeitas ao tempo

nunca imaginei animais dormirem

exceto você          

                   enrolado sobre o próprio corpo

a respiração inabalável pela manhã

quando se sonha e           

                              sobretudo

quando se cansa ao sonhar

eu sou o elefante-da-savana

cavo buracos crio nascentes

carrego por vinte e dois meses

um embrião de marfim

me deito ao seu lado como se deitam as fêmeas

invisíveis e silenciosas

a maior dos animais terrestres

📜

algumas palavras soam como todas as outras

se repito à exaustão navio ou 

                                                nada

se repito à exaustão o léxico nas minhas digitais

se lê um tempo em que tudo é marulho

diferente de quando eu ou você

deitávamos a cabeça sobre as conchas

ou quando soprávamos suas fendas

e ali já não era o mar, mas um princípio de terra

digo, não comer ou matar a galinha

conjurá-la

porque algumas palavras, realmente

algumas palavras não soam como todas as outras

mas como a origem do som em uma folha em chamas

📜

não se enterra um pai como se enterra

hortênsias

bolas de gude

umbigos de bebês 

a raiz de certas ervas

um desejo escrito com tinta azul

não se enterra um pai como se varre 

a poeira resfolegada nos batentes

os grãos de café nos terreiros

as linhas no chão da casa de uma costureira

não se enterra um pai como se observa

a troca de pele das cobras

os espinhos na língua dos gatos

a forma como uma baleia surda sobrevive solitária no Pacífico

se enterra um pai como se enterra 

um pássaro de chumbo

os dedos inábeis dos filhos vasculhando na terra

qualquer definição para a palavra casa

📜

sentir com as bordas das unhas o chão calcário dos olhos

as estrelas fustigadas estendidas em segredo

saber que como a noite, 

o dia também carrega as letras do seu nome

ainda que a ausência e sua fome

fiem a nossa melhor roupa

ler a coisa viva que não é palavra

que não habita a costura dos livros

ler na coisa viva

que ainda insone

ocupa todos os lugares

apreender a morte pelo que amadurece na fruteira

📜

uma baleia azul atravessa solitária o pacífico norte

uma baleia cachalote tem seu corpo disparado feito balas

no céu de Oregon

uma baleia minke no Tapajós vira           

árvore musgo a mãe de duas cobras gêmeas

uma criança é chamada de orca no pátio da escola

                 há várias formas de um corpo se sentir em exílio


Faixas de Apoio

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O Toma Aí Um Poema

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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players

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Modalidade

Projeto, Meta Tudo ou Nada

A primeira meta de arrecadação precisa ser atingida para o projeto acontecer. Caso contrário, os apoiadores recebem o dinheiro de volta.

  • Recursos só são repassados se a meta mínima for atingida.
  • Taxa aplicada apenas sobre o valor arrecadado.
  • Apoiadores recebem recompensas quando a campanha é bem-sucedida.