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O Livro
O livro Até que enfim é a impressão da explosão do que vive nas sombras do que somos, daquilo que não se vê e não queremos mostrar. Há aqui poemas que transgridem as regras formais de sílabas poéticas. A transgressão, todavia, não se manifesta somente na forma, mas na forma de ver e trabalhar temas delicados por meio da visão crua e real do que está posto. Cada palavra é um sopro, ou um soco, no medo de se deixar ser lido.
O Autor
Vinicius é pai, marido e professor de programação de ensino médio técnico que acredita na possibilidade de se manter vivo através das palavras. Nutrindo o sonho de ser lido, busca nas palavras uma forma de compor um novo mundo. Seu primeiro livro, “Meu pai robô”, direciona para o público infantil reflexões sobre a relação das pessoas com a tecnologia.

Alguns Poemas do Livro
Mala sorte
Quando peguei na alça do caixão
leve de minha mãe
não me aguentei e ri
a minha
asquerosa irmã
perguntou se ela não precisava
de uma mala nova
nunca saiu além
de cem passos daqui
pior foi meu pai
que fez ela viajar
na tal da mala
em pedaços
sua primeira
e última viagem
Não te leio
Tem linhas que
de tão rebuscadas
só tocam os olhos,
mais nada.
Outras,
entretanto,
nadam dos olhos
para o poço,
sem fim,
da alma.
A mim me dói
Não é toda árvore
que, quando cortada,
molha os mesmos olhos.
Há aquelas, as mais vistosas,
que aparecem no jornal,
são abraçadas,
acorrentadas,
fotografadas.
E estas são tão poucas,
tantos pranteiam elas.
Há, porém, aquelas
escondidas no meio
de tantas outras,
que são mato,
são floresta.
Estas, a maioria,
ninguém chora,
nem lembra.
Pois a mim,
me dói as primeiras,
mas me dói ainda mais
estas.
Até que enfim
Um dia
eu vou dar a cara a tapa
quebrar tudo que segura
as estruturas do que desprezo
tomar as rédeas disso tudo
queimar a hipocrisia
pisar na cara do fascismo
zombar do moralismo
e ver um novo mundo
Um dia, eu espero,
no tempo que me resta,
vou descobrir
o que me impede
de fazer isso hoje.
Ligação
Hoje eu liguei para a minha mãe
Como está?
Como sempre respondeu
Tudo bem, tudo tranquilo.
A voz, a voz é o que me mata
Porque eu sei, lá no fundo,
há algo mais.
Eu desliguei
Hoje eu liguei para a minha mãe
E eu me perguntei, tudo bem?
Tudo bem,
tudo tranquilo.
O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema