Livro Nos Fere o Ato de Kátia Surreal
Curitiba, PR

Livro Nos Fere o Ato de Kátia Surreal

Edição e publicação do livro Nos Fere o Ato de Kátia Surreal | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 17/11/2022

R$ 1.020

arrecadados da meta de R$ 1.440

71%

da meta 3

9

Benfeitores

—

Finalizada

Projeto Meta Flexível

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 17/11/2022

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O Livro

Uma dor borbulha o íntimo, formando ondas e neblinas que saltam como pedras, abrindo-se arestas nas florestas desconhecidas da menina perdida em tempos que já vão. Trilhas se abrem pelos caminhos, entre espinhos e desatinos. Em meio ao risco e o escapismo, ela mergulha em águas turvas que a puxam para a zona obscura de uma angústia múltipla que lhe adentrou para além da vulva. Mas quem lhe adentrou? Quem a penetrou?! Não se sabe... Não há uma fotografia, nem tampouco uma cotovia a salvar seu amanhã. Assim, ela se enfia em si mesmo, numa captura do eu, que ainda nem morreu, mas se encontra em rupturas abruptas, em um percurso líquido, tísico. Talvez, seja necessário se liquefazer...

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A Autora 

Kátia Surreal (@katiasurreal_) é carioca, vive em Niterói (RJ), nascida em 13/7/1986, professora de língua portuguesa, formada em Letras (UFRJ, UFF e Uerj), militante da CMI, autora do livro Gradações hiperbólicas (2021) e do blog Fugere ad Fictem. Tem participado de diversos coletivos de escritas, recebeu o Prêmio Conceição Evaristo de Literatura da Mulher Negra (2022) e ocupa a cadeira 155: Surrealidade, da Academia Independente de Letras (AIL).

Alguns Poemas do Livro

era uma vez

sinto-me fragmentar

dia a dia

piso sobre cacos

e continuo

a pisar e a pisar

derramando sangue

dum tempo distante

que se funde com o agora

algo me dilacera

tornando-me fera

perdida na selva

entre lembranças e lapsos

onde me indago

em descompasso

imagens vagas, entrecortadas

um forte sentimento de mágoa

de tempos que já lá vão

tempo longe, muito longe

súbito, vem-me à memória

trajetória que não bem sei

parece até que nem vivi

mas persistem em mim

é um sei lá que não sei cá

nada seca a lágrima

que se desmorona

ao passo que me orienta

a procurar a dor

que se infiltrou

abuso...

abuso duma lembrança líquida

abusiva

rompida em fragmentos

coagulando-se

no rio de sangue

que brota dum reino distante

e morre e nasce

bem aqui

dentro de

mim


*

silêncio sexual

falo

na boca

o silêncio...

Tanatos

morte-vida

introduzida

na coisa em si

e em ti me acabo

como num estalo...


*

pôr do sol de quarta-feira 

todo o sol se põe 

                           no fim de tarde 

por trás da serra 

                                lisa ou florestada 

ou ainda

no interior do mar,

só de fachada

todo o sol sempre se põe 

afundando-se em algum lugar

mais ou menos rígido, 

                                   e, no ímpeto de continuar em par,

se propõe, com ele,

em trevas, 

naufragar


*

dia das crianças

o sonho se realizou

a vida então se desfez

era pra ser um dia tão bonito

as crianças levando seus brinquedos favoritos

era dia das crianças na escola

que se apagou, de repente, da memória...

lembro-me agora

de uma boba distração

larguei meu urso em algum canto

e antes que me caísse em pranto

fui atrás dele...

eu me lembro...

infelizmente, eu me lembro

e preciso...

aquelas escadas

subitamente fechadas

de fachada

eu só queria meu urso

mal sabia que passaria por um abuso...

eu só queria meu urso

mais nada!

até que ele apareceu

gemeu

os dois gememos

cada qual em seu sentido...

ente o medo e a libido

bem, é só isso

entenda como quiser!

parece não ter sentido

só sei o quão é demasiado difícil

nesta vida ser mulher

tão logo o vi pela escola

ganhando um prêmio de melhor aluno

quero apagar isso da memória

refugiando-me noutros mundos...


*

véu da lua

depois da saideira

solteira e solta

sobre o salto

volto a casa

minissaia

quase três

no mistério

da madrugada

o macho vem

querendo se dar bem

clamo à lua

minha invisibilidade na rua

a liberdade continua

pobre homem

eis que tão confuso

enquanto me transmuto

livrando-me

de seu abuso

a ordem do absurdo

eu recuso

sob a luz da lua

sou vulto

vento turvo

e me transfiguro

ao mundo machista

sou bruxa livre

vagueio só

sem dar pistas

ao clarão da noite

sou do luar o pó

não tenho medo

pois meu segredo

é vagar na madrugada

sem que ninguém veja absolutamente nada.

O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

900+ autores declamados.   |   1k+ poetas publicados.    | 90+ mil ouvintes

*

Orçamento - 36 exemplares (1440 Reais)

Impressão Gráfica | 300,00

Material de envio e frete | 250,00

Serviços Editoriais | 850,00

Margem de segurança | 40,00

[+7% Benfeitoria]

Superação da Meta: todo o valor líquido arrecadado que supere os gastos da publicação será repassado para a autora.

Contato

contato@tomaaiumpoema.com.br

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Modalidade

Projeto com Recompensas e Meta Flex

Esta modalidade é para negócios e projetos criativos. É uma arrecadação com recompensas, mas com meta Flex. Ou seja, ao final esta campanha receberá o valor arrecadado – mesmo sem bater a meta – enviará as recompensas e iniciará seu sonho.
  • No Flex, esta campanha recebe o quanto arrecada;
  • As recompensas aumentam sua arrecadação;
  • Esta campanha testa suas ideias com Risco Zero!