Livro Borderliner: o menino dos pulsos fechados, de Jon Ocaso
São Paulo, SP

Livro Borderliner: o menino dos pulsos fechados, de Jon Ocaso

Edição e publicação do livro Borderliner: o menino dos pulsos fechados, de Jon Ocaso | Toma Aí Um Poema

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É possível alcançar uma vida que vale a pena ser vivida? Através de uma prosa poética, Borderliner: o menino dos pulsos fechados mostra recortes esparsos de um protagonista com dificuldade para aceitar o transtorno de personalidade limítrofe e a luta diária enfrentada por ele em meio aos altos e baixos que a vida proporciona. Levemente inspirado em suas dificuldades reais com o transtorno, o autor apresenta um personagem imperfeito que, com todas as suas falhas e inconsistências, embarca numa jornada de autoconhecimento em busca de uma vida valiosa.

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Paulistano nascido em 1998, o autor, que segmenta sua literatura em três pseudônimos, é bacharelando em Letras e escreve prosa e poesia, abordando questões sociais, sexualidade e saúde mental. Lançou seu primeiro livro em 2019, participou de várias antologias e recebeu prêmios e destaques literários. Usa o pseudônimo Jon Everson para publicar sua poesia e Jon Amaré para seus textos de romance/erotismo, reservando Jon Ocaso para as demais publicações, que antes levavam a assinatura Jon O’Brien.

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I.

“Começo a divagar, pensando em como seria ter uma criança, se ela herdaria essa mesma sensibilidade que eu tenho. Uma criança assim merece vir ao mundo ou seria muita crueldade fazê-la nascer? Foi muita crueldade eu ter nascido ou tem algo bom depois de todo esse sofrimento? Depois de toda essa dor, há mais dor reservada ou tem algo diferente, um mistério que vai me surpreender?

Se eu tivesse um filho, eu queria que ele fosse mais como o Victor do que como eu. Mais sereno, mais calmo, mais tranquilo. Mas eu o ensinaria a lutar pelo que acredita, a escolher suas batalhas, a ser forte. Porque uma coisa que venho aprendendo com essa dificuldade é a ser forte, a me sobrepor ao sofrimento, a perder e não desistir.

Tenho inveja desse menino na mesma medida em que tenho orgulho dele. Faço carinho em Victor e sorrio para ele. O menininho sorri de volta e diz, sem fazer som:

— Eu amo você.

Meus olhos embaçam. Eu tinha me esquecido de como a família era essencial.”

*

II.

“— Eu não vou chamar a polícia — ele diz com o tom de voz de quem tenta controlar a raiva. Ele sabe que, ao menos em parte, eu tenho razão. — E agora vai embora da minha sala!

— Com todo o prazer. — Sorrio novamente.

Saio da sala roçando meu ombro no dele. Os passos até o lado de fora são satisfatórios. Sei que estou em crise — eu não faria isso em um estado normal —, escalonando, mas me sinto pleno, nas alturas, como se ninguém pudesse me derrubar.

No fundo, eu sei que posso cair a qualquer momento.”

*

III.

“Quatro meses sem me machucar, quatro meses tentando controlar os impulsos. Quatro meses de altos e baixos. Quatro meses lutando para viver uma vida que vale a pena ser vivida. Estou me tornando a pessoa que eu quero ser. Não planejo desistir agora; todas as quedas que tive me fizeram perceber que sou o único que pode mudar a minha vida. Que o outro pode ter errado ao me maltratar, pode ter faltado com responsabilidade afetiva ao me abandonar, mas que ele não vai voltar para me reconstituir, até porque essa tarefa é minha. A bagunça dos meus estilhaços fica para eu limpar. E eu vou lutar contra a doença, sobreviver e viver. Porque, apesar de não conseguir amar todo mundo, eu me amo, amo minha família, amo as pessoas que restaram, sou amado por todas elas e a minha música nunca para. Não vou deixar parar.”

*

IV.

“Meu coração pesa e lateja com o estigma da doença. Seria melhor se eu não soubesse que o que eu tenho é incurável. Seria melhor se eu tivesse alguma esperança de que esse vendaval fosse transitório, embora já tenha durado toda a minha existência, de quando em quando arrancando meus telhados, desnudando minha casa. O peso no meu coração me marca como gado, imprimindo ali uma tatuagem que dificilmente seria ignorada. Sinto como se eu carregasse uma bandeira nomeando meu transtorno, como se as pessoas pudessem lê-lo na minha testa ou nas palavras que cortei no meu corpo.”

*

V.

“Vendo o esforço da minha mãe, o jeito com que ela tenta deixar minha vida o mais confortável possível, para eu ter menos sofrimento possível, quase não sinto vontade de morrer. Quase não sinto porque essa vontade existe, porque eu acho que seria melhor para todo mundo se eu partisse. Eu já pensava isso antes da consulta, mas após receber o diagnóstico — a sentença de prisão perpétua na minha mente — isso se tornou uma ideia fixa: eu estaria melhor se morresse, pois poderia descansar, finalmente, e minha família ficaria bem depois que o processo de luto fosse encerrado.

Mas olho para a minha mãe, a tristeza valsando em seu olhar repleto de desconfiança do que estou escondendo, e percebo que ela nunca superaria o meu suicídio. Sempre haveria um buraco no seu peito que não poderia ser preenchido. Sempre doeria.”

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Publicado por Toma Aí Um Poema

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A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.

O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.

Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:

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Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.

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