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Essa pré-venda é de Ronaldo Fialho para a publicação do livro "Cabanos".
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Em “Cabanos”, a revolta é contada sob a ótica de dois mateiros humildes e ignorantes, mas carregados de esperança. Guaraci das Águas e Vigimundo vivem as agruras da guerra armados com facão, braços e uma crença quixotesca que alimentou de sonho o povo da Amazônia regencial. As dores e a desilusões vividas por esse povo são aplacadas pela ingenuidade, pela paixão e uma raspa de alegria com as quais as personagens preenchem o cotidiano sombrio.
O romance é totalmente fiel aos fatos históricos sucedidos, como a tomada de Belém na guerra dos nove dias, e aos protagonistas verdadeiros, como Eduardo Angelim, Antônio Vinagre e o cônego Batista Campos. Todavia, é na ficção que se expressam as lendas, os costumes, os credos, a culinária, a flora medicinal e as singularidades no modo da fala dos caboclos, como nos mostra Vigimundo ao atestar o ato heroico de Guaraci no acampamento, quando obteve a patente de cabo:
“Os herói nasce nos arremedo da noite. Nem bem Guaraci virô sodado e tam logo já se fez oficiá. De tal modo dá de desbrochá os feito... Corre vento dos lugá preto! Corre vento da noite! Corre a avisá aos povo, que ora no acero das mata, assussedeu de brotá um herói! Home animoso eis Guaraci das Água!”
Breve trecho do romance:
... Pois foi o caboclo enunciar a derradeira indagação e eis que o bronco Vigimundo quase é alvejado por uma bala que ele não podia devanear de onde vinha. E uma bala puxa outra e outra e outras mais. Daí que passou a zunir bala de tudo que é rumo que a selva traz. Quando deram por si, Guaraci e Vigimundo achavam-se em meio a uma escaramuça. De um costado, homens uniformizados armados de parabelo, espingarda e terçado. Noutro costado, pobres descamisados, pau e facão. O combate sucedia no aceiro da floresta, na temperança das andirobas e no tombar dos galhos bolorentos que sustinham cipós encarniçados. A liça se destroçava pelo chão de alagadeiros, em meio aos porcos, aos índios, às mulheres e aos desgrameiros. Quartos de hora em refrega e os soldados não sabiam mais quem era o inimigo, se índio, caboclo ou negro fugido. Na cautela de se desequivocar, matavam até jequitibá. Guaraci embrenhou-se com Vigimundo por um varadouro e não mexeram fio de cabelo até que a luta cessasse, ainda que tardia... A chuva lava tudo, lava os pés, as mãos, a cara torcida. O aguaceiro lava o sustento, os quereres, as quimeras, lava a alma. Mas nem toda a água da Amazônia foi capaz de assear o sofrimento daquela gente. Dezenas de corpos tombados no aceiro, gritos de dor, choro inconsolável e as folhas do cacaueiro tintas de sangue.
CABANAGEM – “O mais notável movimento do Brasil... O único em que as camadas mais inferiores da população conseguem o poder de toda uma província com certa estabilidade. Apesar de sua desorientação e da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe, contudo, a gloria de ter sido a primeira insurreição popular que passou de simples agitação para uma tomada efetiva do poder”. Hist. Caio Prado Junior.
Livro dedicado a Miguel Jerônimo Ferrante e José Potiguara, que, com seus respectivos “O Seringal” e “Terra Caída”, desvelaram os varadouros da vida cabocla para que essa prosa se consumasse viável e autêntica.
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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos.
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.
Voe! Evoé!