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Ulisses [desempregado] é o 6º livro autoral do escritor Tadeu Marcato. Um livro de poemas que transita por cenários cotidianos e íntimos: pelas ruas, pela casa, pela imaginação e pela memória. Dentro do ócio, que ora surge como escolha, ora como imposição, os versos exploram a fluidez do tempo e os gestos da vida.
Informações e acompanhamento das ações:tadeumarcato.blogspot.com
* Prefácio por Edi Pereira
Vezes aforismos, – não pelas certezas, afinal, dessas, fugimos todos(as) - vezes fragmentos, vezes versos que extrapolam páginas e páginas a tecer diálogos com outras palavras, minhas, suas, deles, delas, talvez de um mundo em ruínas que, como Gradiva – a que avança – na Pompéia soterrada pela erupção do Vesúvio, toma para si impulso do passado e, com o seu "passo" eternamente suspenso, sonha com um futuro em devir, a poesia singular [em tempo que é plural] de “Ulisses [desempregado]”, escava como um arqueólogo um tempo aiônico, brincante, pueril. E é na infância, aquele “chão que a gente pisa a vida inteira”, como nos provoca Lia Luft, que Tadeu desenha letra e letra as cenas de um humano, “demasiado humano”, que busca, “na dor de reconhecer-se”, um sentido para existir.
(continua... no livro!)
* Apresentação por Henrique Pitt
Ulisses e o desemprego estrutural - uma pequena abordagem do personagem ocultoQuando Ulisses retorna à Ítaca, na heróica narrativa da Odisseia, encontra, enfrenta e supera pelo longevo caminho óbvias dificuldades. Claro, ele tinha bons motivos para permanecer animado em seu objetivo de regresso: tinha para onde voltar, para quem voltar e para quê voltar. Mas acima de tudo isso, há que se pensar que antes o herói teve para onde ir, sair, teve motivação. Era um guerreiro destacado pela inteligência, logo, sua função o aguardava na batalha, como um empregado eficiente e indispensável, designado entre tantos para conduzir a efetivação do produto - no caso de Ulisses, a astuta vitória em Tróia. Depois, o regresso, completamente acidentado, próprio de todos os regressos. Mas Ulisses tinha propósitos, e propósitos profundos.
Já no início do século XX James Joyce nos apresenta Leopold Bloom como um personagem moderno em seu genial Ulysses. Em pouco menos de 24 horas na vida de algumas pessoas comuns de Dublin o autor oferece relações com a Odisseia e a jornada diária do personagem principal com suas qualidades e defeitos. É um romance ímpar, de fato, que descreve pessoas em um ambiente europeu com seus empregos, bons empregos inclusive - Bloom é corretor de imóveis - onde o existencialismo se dá pelo viés da moral e ética, certo e errado, individual e social.
Entenda-se que isso não é uma comparação, são referências, e ponto. Mas o personagem oculto do livro do Tadeu traz um sentido diferente ao monomito. Primeiro, justamente por estar oculto, e sendo assim pode ser qualquer um, todos ou ninguém. Segundo, porque é contemporâneo, e isso significa que é um desempregado. Na contemporaneidade todos, todas e todes somos desempregados, ou desempregados em potencial, pois mesmo quem tem emprego não o tem na prática e convive com essa possibilidade. Um braço robótico foi adquirido, contenção de gastos, o dólar, a china, a carga horária de ciências humanas diminuiu, a empresa se mudou para um país ainda mais fudido que o nosso, a guerra na ucrânia, a eleição nos eua, a idade, agora será tudo online. Na era do neoliberalismo, razões não faltam para sermos formados em desemprego, e dessa forma eu, você, o Tadeu e o Ulisses oculto somos guerreiros que fazemos parte do grande e uníssono silencioso exército de reserva e de consumo.
Quem não tem pra onde ir também não tem regresso, paira em um limbo des-motivacional, não vence, porque não há batalha a ser vencida. Mas, nesse estado de existência pós-líquido, quase gasoso, o Ulisses contemporâneo encontra em suas elucubrações a contemplação, as pequenas surpresas, as divagações em momentos inusitados, as saudades, as memórias, os detalhes da casa, das ruas, as vidas e as mortes enumeradas e esquecidas, enfim, a poesia do cotidiano. E assim nosso personagem faz-se herói pelo não-fazer, pela motivação poética do absurdo, da palavra enquanto liberdade, desempregada de seu uso objetivo.
Nossa capa por Polin Moreira

E a principal novidade: a parceria com o selo @neomarginais
Ficha técnica:
Edição: Henrique Pitt e Tadeu Marcato
Capa: Polin Moreira
Prefácio: Edi Pereira
Texto de uma apresentação possível: Henrique Pitt
Produção: Tania Capel
Editora: Poesofia Crônica + Selo @neomarginais
Livro: 100 páginas, tamanho: 15x10, couchê fosco 115g
Parceria: Coletivo Bases

Editora:
