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A editora Urutau nasceu para cantar as horas diante das páginas. Nos últimos cinco anos já publicamos mais de mil livros sem qualquer custo para os autores e as autoras.
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Essa pré-venda é de Francisco Mateus para a publicação do livro "Campo dos milagres".
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Sobre quando deixei os campos
Assombração na cidade grande é falta de dinheiro e comida. E se o demônio dá as caras, é em forma de patrão que faz homem voltar pra casa com as mãos calejadas. É dura a vida aqui, mas eu não volto pro interior não. Os homens da cidade grande podem até pensar que eu sou peão inocente e tirar sarro por mim acreditar nas coisas que vão além da compreensão humana. Mas aposto que eles não aguentam metade do que eu aguentei e nem teriam a coragem de fazer o que eu fiz.
Lá pelas bandas de Carambeí eu era conhecido por ser o melhor peão dos Campos Gerais. Domava tudo quanto era cavalo, fosse manso ou invocado, eu dava sempre jeito com o bicho. Falo com gosto porque da vida no interior, andar de cavalo livre pelas fazendas, guiando o gado, é o que mais estranho. Tá bom que o dinheiro não era muito, e também que os patrão explorava a gente que fazia até trabalho que não é de peão, mas eu levava a vida que desde menino eu queria levar, de domador e cuidador de bicho.
Aí chegou o dia que começou a correr pelas ruas de Carambeí a notícia de que havia uma mula enviada por satanás invadindo algumas fazendas da região. A cidade ficou no terror, e até os homens valentes que costumavam ficar até altas horas da madrugada bebendo cachaça nos botecos começaram a ir pra casa mais cedo. Depois da meia noite, a cidade ficava sem uma viva alma. Nem cheiro de comida no fogo se sentia. Apenas cheiro de medo.
Alguns peões, que disseram ter visto a tal da mula, falaram que a bichana aparecia sempre na noite de quinta para sexta-feira, e que seus relinchos, que parece nos ouvido mais um choro agudo, era tão alto que podia ser escutado a quilômetros de distância. Até então nenhum deles tinha chegado a vê a mula de perto, mas eles tudo disseram que só de vê de longe o animal de pêlo negro e fogo no lugar da cabeça, já aparecia a vontade de rezar pai nosso e pedir o colo da mãe.
Como a história da mula tava atrapalhando o cotidiano da cidade e os negócios das fazendas, alguns fazendeiros decidiram que o único jeito de trazer a tranquilidade de novo para Carambeí seria matando o bicho. O povo logo se empolgou com a ideia de se armar pra apagar a coisa ruim. Mas o padre da cidade, que já tinha visto a praga antes, disse que não era simples assim. Ele explicou que matar não ia acabar com a maldição que a mula carrega, e que o único jeito de se livrar dela seria alguém com muita coragem tirar com as próprias mãos o freio de ferro que o animal leva na boa. (...)
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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos.
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.
Voe! Evoé!