Conheça a campanha
CD Tempo
A gravação do CD Tempo surge do meu prazer de cantar. Acho que desde sempre, o canto foi ocupando um espaço e dando sentido à minha vida. Esse registro também vai possibilitar que as pessoas me conheçam a partir de uma música que está em mim. Eu acho que sempre esteve, e também uma música que me acompanhou, me formou: poética, existencial, religiosa, política e cultural. Uma música que deu sentido a tudo.
Claro, definitivo ter nascido em Vila Isabel, frequentado por muitos anos a Escola de Samba Mangueira. Depois o Salgueiro e a Portela. E ter tido um avô, como meu Avô Lauro, que me mostrou todo um universo musical. Ouvia de tudo: Aracy de Almeida, Marian Anderson, Adoniram Barbosa, Carmem Miranda, Mario Reis, The Platters, Wagner, Schubert, Elizeth Cardoso, Lena Horne, Dalva de Oliveira, Angela Maria, Demônios da Garoa, Noel Rosa, Caymmi entre outros.
Quando adolescente, uns 12 anos, comecei a cantar uns sambas no botequim da esquina lá de casa e depois cantava com amigos, Bossa Nova, Jovem Guarda. Mas o que eu gostava mesmo eram os sambas das escolas: samba de terreiro, samba enredo. E sempre, Noel, Lamartine, Caymmi, que meu avô já tinha me apresentado.
Ao mesmo tempo, destaque principal nessa minha memória musical para Clementina de Jesus, a quem tive a honra de conhecer e de assistir seus shows. Adorava Clementina, Mãe Quelé, ouvir e ver Clementina era um cataclisma, uma coisa de paixão. Tinha também nisso tudo Cartola, Nelson Cavaquinho, Pixinguinha, João da Baiana, Candeia.
Depois, veio o teatro. Meu tio Sergio Britto foi a grande influência na minha formação teatral. Foi ele que abriu todas as portas. Estreei com o diretor argentino Victor Garcia no espetáculo “Autos Sacramentales” de Calderon de Labarca. Meu tio Sergio também fazia parte do elenco. Isso em Shiraz, no Irã. Volto pro Brasil e entro no Grupo Ventoforte, sob a direção de Ilo Krugli, ainda no Rio. Depois fundamos aqui em São Paulo, o Teatro Ventoforte. Aí foi um tempo de fazer teatro, mas o que mais gostava era de cantar nos espetáculos. Nos espetáculos do Ventoforte a música era um elemento fundamental.
Um dia meu tio chegou lá em casa, ele estava em temporada em São Paulo e eu resolvi cantar prá ele. Ele não me conhecia cantor. Ouviu e disse: “Paulinho, você é cantor! O que você vai fazer com isso? Se você quiser eu posso te dirigir!” Pena que não deu tempo.
Montei com amigos aqui em São Paulo um grupo onde fazíamos batuques, curimbas, jongos etc. Aos poucos foram chegando as minhas primeiras composições. Sempre feitas para o repertório do grupo. O grupo se desfez, como tudo na vida, e eu continuei meus estudos. Fiz uns shows solos, me apresentei em projetos grupais. Nunca mais parei. Agora chega o momento do CD Tempo.