Livro Das Cinzentas Entranhas da Metrópole de Bolso de Mattos Rodrigues
Curitiba, PR

Livro Das Cinzentas Entranhas da Metrópole de Bolso de Mattos Rodrigues

Edição e publicação do livro Das Cinzentas Entranhas da Metrópole de Bolso de Mattos Rodrigues | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 07/06/2023

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Projeto Meta Tudo ou Nada

Campanha Financiada com Sucesso!

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O Livro

Como a névoa que se adentra ao escalar os cumes de uma serra tropical, a primeira demanda da poesia é o mergulho cego, é a imersão. Gélido e denso, mas fragmentário, multilinguístico, quase inapreensível em suas contradições é esse mundo em que se joga. E é dele que se faz colheita: ‘Das Cinzentas Entranhas da Metrópole de Bolso’ é uma coletânea de poemas que escrevi entre 2015 e 2019 e editei agora, sob o olhar retrospectivo pós-pandêmico, para refletir um certo estágio da minha produção pessoal, da vida no interior sul-mineiro e de um Brasil na escalada de sua crise política, em amplo espectro. Os dezenove poemas, arranjados em quatro segmentos (Rajas, Tamas e Satva, respectivamente o azul-água, vermelho-fogo e branco-síntese da bandeira sãolourenciana, e Bijam, o epílogo), se apresentam como registros anônimos de personas fictícias que habitaram esse ‘sítio arqueológico-metafísico’ num segundo plano textual. Formalmente, inspiram do ar da Mantiqueira, de Drummond , Kafka, Gullar, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo e Baudelaire; expiram o verso livre e o poema narrativo/crônico, em maior medida, como o neoconcretismo moderado e no soneto moderno, em menor medida – um panorama que intenta ser suficientemente vasto para captar um retrato forte (e ligeiramente fugaz) do espírito do tempo em sua fração mais particular. O quanto do universal comportam as províncias no topo da montanha que chora? O universo numa casca de noz. ‘Das Cinzentas Entranhas da Metrópole de Bolso’ é uma tentativa de, na esteira do velho fenomenólogo alemão, acender uma fogueira no neblinoso interior e armar a clareira do Ser – a qual não se pode residir, mas que se deve habitar de passagem e partir ao fim da longa Noite. 

O Autor

Gabriel Mattos Rodrigues, de São Lourenço – MG. Estudo filosofia na Universidade de São Paulo e trampo no Museu de Arte Contemporânea da USP. Participei do Festival Nacional da Canção de 2017, com poesia premiada pelo concurso jovens compositores. Desde 2017, coleciono meia dúzia de poemas avulsos publicados em coletâneas e antologias poéticas de editoras nacionais como Vivara, Porto de Lenha, Tenha Livros e Cavalo Café, como também escrevo, canto e componho com a banda Boletos Antiaderentes e em carreira solo. Atualmente residindo entre as superfícies sul mineiras da Serra da Mantiqueira e a terra da garoa.

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Alguns Poemas do Livro

RÉQUIEM – [Trecho]

Nossos profetas dissertam
"é preciso crer"
– Crer em quê?
questionam atentos caçadores.
Armas nas mãos.
"É preciso crer
no novo Homem do Futuro"

– Quando chega?
Não, não basta.

Nossos filósofos pregam
"é preciso caminhar
com as próprias pernas"
mas não há pernas
não há destino!

Rastejar entre as crateras
buscar o fundo de nós,
talvez dentro do poço;
Será então nosso fado?

Piegas.

Os nossos poetas poetam
"é preciso."
e isso diz o bastante.
Amantes sussurram
"até amanhã",
mas não há amanhã.
Há, porém, mais amantes.

Amar, no entanto, não basta.
O amor deixou de ser caça
quando tornou-se peça
das esteiras às prateleiras,
da fábrica ao coração.

– Que resta, então?

Esquecido na cruz,
o ente de outrora compreende
Que, entre céu e terra,
viver sem ilusão
é crime sem perdão
e a virtude não reluz;

No fim das contas, me engano:
Vivemos tempos sombrios
e estamos todos no escuro.
É impreciso afirmar se,
em meio a todo esse breu,
existem rostos
Ou se é a dúbia faculdade humana
a buscar familiaridade
nas desbaratadas cirandas de signos.

[...]

*

ACQUA VITAE – [Trecho]


III
Quantas frações do coração
comporta a gramática?
planta, pista, pixel, papel ou paredes
de uma caverna anciã;
com grafite, com têmpera
caco de telha ou sangue das unhas;
sem fundo no saldo
sem salto e sem tergiversar
Quebrar, distorcer, borrar os espelhos
Meu reflexo, então, transcrevo:
as correntezas do tempo,
as chamas da consciência,
a condensação visceral de vida e fé
sob meus pés
e nestes papéis:
Branco.
Quantos corações comporta
essa metrópole de bolso?
Estou farto de nada,
Estou cheio de vazio.
E é com toda essa ausência de 
qualquer coisa que seja
– qualquer coisa que falte –
que essa elegia se arrasta.
Quando descer a serra,
cego pelas alvas névoas
da incerteza, de certo
esse nada será tudo que levo.
É o produto bruto
a ser batido como massa
como aço
modelado como taça
e preenchido com amor:
O amor que é como fogo
majestoso, brilha e então se apaga.
– amar a tudo que o Tempo mata
– amar tudo que é efêmero
e, saciado,
morrer de amor
pois se nada posso levar
e nada posso deixar
nada tenho a perder.
Sorver-me-ei de cada gota
do que é caos, calhordice, derrisão.
Quando o cálice for ao chão
sobre meu corpo vencido,
num espasmo, num grito
Vou dizer que estou são.
Deixarei os heráldicos leões
e a Vênus que no seio leva meu espírito.
Vou-me embora mas é aqui que pertenço.
Pois para beber da água da vida
é preciso queimar
como queimou Lourenço.
(...)

NO CORAÇÃO DA METRÓPOLE DE
BOLSO – [Trecho]
Dia 2
No anti-platô tropical da montanha que
chora
mora toda sorte de gente que,
naturalmente,
não intenta cavar às raízes
em paragens tão ondulantes
Alados leões guardam o portal
onde terra toma forma de letra
e lê-se: "abandonai as certezas
ó vós que entrais"
Por sorte, não trago nenhuma
e é precisamente isso que me traz aqui.
Em direção ao coração, através das
entranhas
meus passos marcam esse chão
que é pegajoso e instigante
– Sua cor, há de imaginar!–
Noto que se paro de andar
começo, sutilmente, a afundar.
Persisto, portanto; através das veias e
vísceras
vasos e vermes (vestidos
de terno e gravata e licença assinada
salivando sobre a cidade em sua fome
pestilenta)
e minha mente subitamente
se apavora com a ausência de sentido
que, pesada, preenche essa imensa caverna.
E eu me sinto um foragido de mim mesmo
Um roedor gigante e cansado
que circula em espirais sisifianas.
Dia 7
Marchei até a desilusão
até as horas se tornarem dias
– com sensação de séculos –.
Pensei em desistir
e dar por abortada a missão
Até que encontrei, discreta, uma rota
uma alternativa ao deserto orgânico
e aqui os acontecimentos voltam a ser
dignos
de nota.
Ela me levou a uma praça
cheia de pedras e vícios
– e claro, mais vísceras –
Mas, além disso, vestígios,
traços de alguma existência.
Poemas que nunca verão a luz do dia
sonhos sem voz que gritam rabiscos
discos de vinil
e mais mil artefatos,
todo simulacro de individualidade;
derradeira prova  de vivacidade
na cidade de bolso
boia pelas rubras poças d'água
ao longo dessa praça de pedra.
(...)

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nujgQXg.pngO Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados.    | 1 milhão de players

Orçamento - 50 exemplares (2300 Reais)

Impressão Gráfica | 600,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 600,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00

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Modalidade

Projeto, Meta Tudo ou Nada

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