Conheça a campanha
O Brasil segue como o país que mais mata pessoas trans no mundo pelo 18º ano consecutivo, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Pesquisas recentes indicam dificuldades persistentes no acesso a direitos básicos como educação, trabalho, moradia e saúde. Essa precarização cotidiana evidencia a fragilidade das políticas públicas e o impacto direto dessas desigualdades no acesso à saúde mental e ao cuidado integral.
Muitas abordagens clínicas ainda se baseiam na patologização dessas identidades. A psicanálise, por muitas décadas, associou a homossexualidade à perversão e a transexualidade à psicose. Embora a transexualidade já tenha sido retirada das classificações diagnósticas, permanece um lastro histórico dessa lógica, que continua operando de forma explícita ou velada e sustentando práticas ainda marcadas por um caráter patologizante.
Diante desse cenário, apostamos em uma psicanálise articulada às críticas antirracistas, transfeministas e contracoloniais, capaz de tensionar essa herança e propor uma revisão ontológica que evidencie os pactos narcísicos da branquitude e da cisgeneridade que orientam, muitas vezes de forma velada, a clínica com essa população.
Entendemos que o cuidado não se restringe ao consultório, mas envolve também a garantia de direitos — educação, acesso à cidade, trabalho, lazer e saúde. Por isso, defendemos uma noção de clínica ampliada, que atue na articulação e na circulação de informações sobre dispositivos públicos e no fortalecimento de redes de cuidado já existentes para a população trans em São Paulo, contribuindo para produzir acesso concreto e sustentar a vida em sua dimensão social e política.
O Clínicuz é um coletivo de psicanalistas trans e LGBTQIAP+ que surge em 2020 em uma OSC oferecendo atendimento clínico à população trans e criando espaços de transmissão, troca e debate sobre psicanálise e estudos de gênero, transfeministas e antirracistas.
O coletivo hoje trabalha de forma autônoma e segue atuando tanto na clínica com a população trans quanto na transmissão da psicanálise junto a organizações da sociedade civil.
Atualmente compõe como Núcleo de estudos de gênero e psicanálise na escola de formação em psicanálise, Instituto D'Alma.
Através de um podcast, o Clínicuz articula dois eixos de debate: a discussão clínica sobre saúde mental a partir da psicanálise e a democratização da informação, por meio de ações de letramento e do mapeamento e divulgação de serviços voltados à população trans na cidade de São Paulo.
Nosso objetivo é ampliar e tensionar a lógica hegemônica com o intuito de promover uma revisão ontológica e despatologizante da população trans, assim como mapear e comunicar serviços e redes de cuidado já existentes à essa população na cidade de São Paulo.

Com o uso do recurso pretendemos:
1. Mapear e fazer um levantamento das redes e serviços de cuidado à população trans em SP
2. Comunicar e orientar essa população sobre seus direitos, informações sobre saúde, redes e serviços de apoio
3.Ampliar o debate teórico e clínico para psicanalistas, psicólogos, estudantes, profissionais da saúde e interessades

Por meio de uma campanha matchfunding que é um modelo de financiamento coletivo turbinado, o programa Territórios Clínicos entra como nosso parceiro triplicando a doação feita. Ou seja, nessa campanha se você apoia com 20 reais o programa transforma esses 20 em 60 reais. Assim cada pequeno valor é triplicado ampliando e potencializando a sua colaboração.

Porém, o modelo é o TUDO OU NADA, isso quer dizer que precisamos bater a meta mínima de R$ 60 mil, caso contrário todo o valor arrecadado será devolvido a todos os apoiadores.
Essa é uma campanha urgente. Apoie, compartilhe e contribua hoje para fortalecer redes de cuidado e ajudar a construir uma psicanálise mais ética, plural e comprometida com a vida da população trans.
Cuidar também é um ato político e responsabilidade social de todes nós.



