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O Livro
Comorbidade é uma coletânea de memórias e reflexões de uma autora que, entre 2022 e 2024, reencontrou-se com a escrita após receber o diagnóstico de autismo. Essa descoberta foi o ponto de partida para uma jornada de autoexploração e compreensão, que a levou a revisitar momentos de sua infância e adolescência, onde os pensamentos eram em grande parte visuais, traduzidos em palavras apenas em situações de intensa sobrecarga emocional. Nesse período, anotava palavras soltas, frases e até tentava transformar suas experiências em histórias ou poesias, mas, em um ato de libertação, queimava essas páginas, aliviada pela segurança de que nunca seriam lidas.
O diagnóstico recente trouxe clareza para muitos aspectos de sua vida e, sobretudo, um entendimento sobre a importância dos estímulos sensoriais, que vão além do simples ato de andar em círculos, e da necessidade de conciliar-se com eles, mesmo que sons e luzes intensos às vezes resultem em desconforto. Embora o autismo não seja uma doença, a autora revela que, para ela, certas interações sociais e emoções podem se manifestar como verdadeiras comorbidades.
Neste livro, a autora compartilha suas memórias mais significativas desses anos de autodescoberta, na tentativa de criar uma relação mais amigável com seus sentimentos, além de revisitar memórias das quais deseja se curar.
A Autora
Larissa Gouveia Duarte é mineira, de Belo Horizonte, vegana, hipermóvel (Síndrome de Ehlers-Danlos hipermóvel) e neurodivergente (autista com altas habilidades/superdotação). Estudou alguns anos de Medicina Veterinária, na UFMG. Conviver com o especismo de forma tão explícita e violenta a fez transferir o foco de um interesse profundo — animais não humanos — para outro — a língua espanhola. Bacharela e licenciada em Letras Espanhol, pela UFMG, é licenciada em Letras Português e Inglês, pela PUC Minas, mestra em Literaturas Modernas e Contemporâneas, pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Literários da UFMG, e cursa doutorado em Linguística e Língua Portuguesa, no Programa de Pós-graduação em Letras da PUC Minas. Tem especialização em Ensino de Espanhol e em Língua Espanhola e suas Literaturas. Estuda o curso de Licenciatura em Educação Especial e, em 2024, termina os estudos em Pedagogia, Atendimento Educacional Especializado (especialização) e em Língua Inglesa e suas Literaturas (especialização). Em 2022, participou da Antologia 43 Poetas Neurodivergentes.

Alguns Poemas do Livro
1°
Sonho
No sofá deitada a cena ganha vida
Diante de meus olhos fechados
Vejo
Dedos que correm
Nos cabelos os olhos fecham
Por um instante
Macio
Os cabelos
Macios
O tempo
Macio
Os dedos
O peso que não pesa acaricia
Nas costas parece pluma
Sem preocupação
Leveza
Do sono acordada
A tarde no dia já não existe
Desperta
Tudo é noite ensolarada
Sem peso
No abraço deitada
Eu durmo.
(02/05/2022)
2°
Lembro
Da lua tampada
Do sofá
Da escada
Do cachorro pulando
Pessoas dançando
A música tocando
E o nervosismo
Me afastando...
Dos braços desenhando formas no ar
O coração parando (ou acelerando?)
Do palco
E a distância
Do choro
E o riso
A proximidade
O gosto nunca sentido
O momento
(28/01/2023)
3°
Comorbidade
A luz
as letras
a cabeça estourando.
A luz
o vazio
o sono repentino.
A luz
me culpo
me acabo.
A luz
um ‘perdão’
me confunde.
A luz
a voz
engano.
A luz
o descaso
cansaço.
A luz
monossílabo
choro.
(08/05/2024)
4°
Saiba
Quando tudo parece confuso:
Eu não quero que você saiba que fico pior do que pareço,
Eu não quero que você saiba que não consigo sair de casa,
Eu não quero que você saiba que não posso fazer nada,
Eu não quero que você saiba que só pareço funcional.
Quando tudo parece acabado:
Eu não quero que você saiba que me alegro com o que escrevo,
Eu não quero que você saiba que acho que fiz birra,
Eu não quero que você saiba que eu sou egoísta,
Eu não quero que você saiba que eu tenho pensamentos ruins.
Quando tudo parece passado:
Eu não quero que você saiba que minha mente está em loop,
Eu não quero que você saiba que despeço por cartas,
Eu não quero que você saiba do meu olho vermelho e da cara inchada,
Eu não quero que você saiba do mundo dentro de mim.
(09/06/2024)
5°
Como uma berinjela
Amarga
a boca
O gosto morto
Do roxo
do olho
Te acaba
a paz
com gosto.
Solução:
Pegue 3 berinjelas
Pique
Coloque água no limão
Deixe de molho por 20 minutos
Jogue a água fora
Coloque de molho novamente
Deixe por mais 20 minutos
Se livre das berinjelas.
(14/06/2024)
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema