Conheça a campanha
A artista Dagmar Muniz de Oliveira de 86 anos, residente em Belmonte/BA, é conhecida e reconhecida nacionalmente por produzir os maiores vasos de cerâmica do Brasil. Dona Dagmar afirma que criou tudo a partir do barro. Hoje, quase toda a família - filhos, netos e bisnetos - aprenderam o ofício e colaboram na produção de peças na Cerâmica 14 irmãos. Outros filhos seguem os ensinamentos de Dagmar mantendo ateliês e lojas próprias.
O documentário conta a história de vida de Dona Dagmar em cruzamento com os processos do fazer da ceramista: a busca do barro no Jequitinhonha, a secagem e a preparação da argila, a modelagem das peças em família, o enfornamento dos potes e a singular queima em forno caieiras. Uma narrativa com a qual podemos aprender sobre resiliência, tenacidade e sobrevivência.
Desde janeiro 2021, uma pequena equipe de cinema vinha visitando regularmente Dona Dagmar, quando em setembro de 2021 recebemos a triste notícia de que Dagmar tinha sofrido três AVCs consecutivos. Esse novo dado resultou na urgência da finalização do documentário. Pois um dos objetivos do projeto é gerar uma documentação artístico-histórica do trabalho da ceramista, valorizando assim os agentes locais de produção de cultura. Em outras palavras, queremos homenagear o trabalho e a trajetória de vida de Dona Dagmar. E pra gente, homenagem a gente faz em vida. Os artistas populares merecem reconhecimento enquanto estão atuando. Afinal a quem serve homenagens póstumas?
Outro objetivo do documentário é lançar um olhar crítico sobre as práticas culturais ligadas ao território e sensibilizar o público sobre os modos de vida – e suas culturas – em desaparecimento. Dagmar é atualmente a última ceramista remanescente de uma geração de artistas populares da região.
Depois da recuperação da artista, conseguimos finalizar a etapa de captação de imagens em março passado. E agora abrimos este crowdfunding para financiar a finalização do documentário.
Nosso objetivo é arrecadar cerca de vinte e cinco mil reais para o pagamento de profissionais da economia do audiovisual, além de remunerar a própria artista, como também, contribuir com a economia da família adquirindo algumas peças cerâmicas. Os recursos arrecadados serão usados para a montagem/edição de imagens, para a composição de trilha sonora, para o tratamento de imagem do corte final, para o tratamento de som e para a criação de créditos do documentário.
Queremos e vamos produzir um curta documental de até 25 minutos que terá circulação em festivais de cinema, mas também, distribuição gratuita na internet.
Queremos e vamos agradecer publicamente os benfeitores deste projeto. Expressaremos nossa gratidão através da publicação do nome de cada um dos benfeitores nos créditos do documentário. Como também será um grande prazer mencionar o nome de cada um em nossas ações em redes sociais e em falas públicas sobre o filme.
Objetivos (resumidamente)
-documentar a vida e a obra da artista belmontense Dagmar Muniz de Oliveira, como estratégia de salvaguardar fazeres e técnicas ligadas à cerâmica – como instância de memória. Sob a urgência da artista ter sofrido três AVCs no ano passado
-gerar uma documentação artístico-histórica do trabalho de Dona Dagmar
-narrar uma prática cultural e aprender com ela
-valorizar os agentes locais produtores de cultura
-destacar a importância de salvaguardar a memória, conectando as técnicas tradicionais às acadêmicas. Ou seja, o documentário tem também escopo pedagógico e será disponibilizado gratuitamente para escolas e universidades
-ampliar o conhecimento do grande público sobre a cerâmica, uma das mais antigas técnicas do campo do Arte – a cerâmica acompanha a evolução da humanidade
-realizar a segunda etapa de uma futura trilogia, a Trilogia do Barro, iniciada com o curta documental Kerexu. Este projeto não é o nosso primeiro trabalho sobre mulheres guardiãs de saberes em desaparecimento. É possível assistir ao curta documental Kerexu neste link: https://vimeo.com/320951195
- financiar a etapa de finalização do curta documental Dagmar, Filha do Barro
Responsáveis pela campanha
Somos os idealizadores deste projeto, mas também, os diretores do documentário. Como dupla de artistas assinamos RodriguezRemor, Denis Rodriguez e Leonardo Remor.
Como duo, nosso trabalho interroga fronteiras impostas visíveis e invisíveis, como a separação de natureza e cultura, de arte contemporânea e arte popular, de arquitetura moderna e arquitetura vernacular, de tecnologia e para-tecnologia, de artista e crítico, de curador e pesquisador, de autoria e colaboração. Divisões, binariedades que nos afastam de nossa integridade e da matriz complexa da vida, na qual forças contraditórias e complementares se revezam e se fundem. Atualmente, duas questões permeiam nosso trabalho, a primeira, materiais e materialidade e, a segunda, práticas artísticas/culturais e a produção de obras para o sistema da arte.
Nos últimos anos, a partir de imersões em diferentes contextos e territórios, e elegendo materiais, dos mais diversos, mas principalmente o barro, tentamos expandir o conceito de sustentabilidade, para além da lógica do consumo e da produtividade e em aliança com modos de vida em desaparecimento, humanos e não humanos. Desenvolvemos pesquisas e trabalhos que investem em uma mirada crítica à colonialidade, exaltam a sabedoria ancestral da relação do humano com a natureza, através de práticas artísticas que se asseguram no uso de materiais não nocisos a vida e que não produzam resíduos não recicláveis. Assim realizamos ações e diálogos que resultam em filmes, fotografias, objetos e instalações que se utilizam de metodologias, conceitos e reflexões vindos da Antropologia com o objetivo de questionar a etnografia ocidental que documenta, descreve ou narra uma prática cultural, sem aprender com ela, sem reconhecer esse conhecimento como alternativa sustentável ao mundo em colapso resultante das ideias de modernidade e progresso.
Contato
Assista a outros filmes e vídeos que produzimos:
https://vimeo.com/rodriguezremor/
Conheça nosso portfolio de trabalho, este é o nosso site:
http://www.rodriguezremor.art/
Qualquer dúvida ou esclarecimento, não deixe de nos escrever: