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O Livro
desastronauta carrega uma coleção de poemas escrita nos últimos 10 anos e que marca o fim da adolescência e o início da vida adulta do autor, explorando os rebuscamentos e as informalidades da língua portuguesa como forma de expressar os conflitos das diversas mudanças físicas, pessoais e psicológicas que permeiam suas vivências no período; trata-se ainda sobre explorar as profundezas do ser e do não ser, do sentir e do não sentir, por vezes de forma desastrada mas sempre curiosa - a p(arte) de ser desastronauta
O Autor
Vinícius Portilho tem 28 anos, é mineiro do interior, nascido em Carmo do Paranaíba, neurologista de formação (encantado pelas peripécias do cérebro e da mente) e sempre encontrou na arte da poesia sua forma de ser e existir no mundo. Desde pequeno acredita na escrita e nos versos como forma de ressignificar os sentimentos e as sensações e possibilitar encontros e desencontros profundos e por vezes desastrados consigo, com os outros e com o ambiente à sua volta, de forma que o termo “desastronauta” sempre lhe caiu muito bem aos olhos.

Alguns Poemas do Livro
geometricamente
Distância é um traço torto
saudade, linha reta.
angelorum
Em qual língua se traduz
você
Qual delas têm a semântica do teu ser
a fonética do respirar, a onomatopeia de viver
Qual língua te traduz
em hieróglifos sensatos, ideogramas hilários,
suspiros e abraços
Qual das línguas vai de encontro
à gramática de você, ao soneto dos teus olhos
até a eternidade de seus sonhos
Mas qual língua te traduz
na língua dos anjos, de santos e espantos
serenos maduros
Em que língua se traduz esse sentido
sexto, na sexta, na cesta, na certa
em teus pérfidos desencontros
Sob qual língua se traduz a luz
dos teus olhos
Em língua indecifrável? Abstrata? Serenata? Cuneiforme?
Dar tempo ao tempo,
de fonema em fonema se traduzem
os sibilos do sentimento em poema.
calendário
há dias que adias
e dias que adianta
dias que rugem
outros que rangem
dias que ardem (e como ardem)
uns que congelam
há dias em que subitamente
percebe uma flor
outros que nem o cheiro
na ponta do nariz
dias com sorrisos falsos um
ou com melancolias verdadeiras
e dias que somam
uns que somem num piscar
ou arrastam a eternidade
dias que a rotina veleja
uns meio pegos de surpresa
há dias que rumam
outros tentam
uns são ecos
outros secos
dias coloridos
degradê sépia filtrados
dia a dia há dias
em dia ou adiando
e noites para pensar
que o dia não basta
sem teu luar
quanto de você ficou pelo caminho?
quanto de você é pássaro
e quanto de você é ninho?
nem eira
nem beira
no telhado da vida o tempo corre
quanto de você ficará pelo caminho?
quanto de você será pássaro?
quanto de você será ninho?
migração
raiz do quanto
quanto de nós é o que fomos
o que somos
o que estamos
o que seremos?
quanto de nós ficou pelo caminho
num gole de café
ou ficará
num copo de cerveja
no seu colo e nesse bar
de encontros e desencontros
numa colcha de retalhos
se estende pelo portal do universo
a raiz do quanto
em sua inevitável potência
dia a dia fecha a conta
soma, some
volta o contador:
“não fechou”
pane na bolsa de valores
“nunca somos, sempre estamos”
nunca fui fã de matemática
mas há que se apreciar a aritmética da vida
síndrome de pensar
Poesia é como parto
parte
sem partir.
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema