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A demonia editora é uma editora independente interessada na publicação de poesia feita por pessoas dissidentes. Inspirada na imagem de Lilith como a primeira representação do desvio, e por consequência, a primeira representação do mal a partir da perspectiva da cisheteronormatividade, Lilith é a representação do desejo selvagem/não dócil com o potencial de destruir essa normatividade. Lilith mostra que sempre estivemos aqui e sempre estaremos.
Essa é a pré-venda dos livros "devoção" de Mercuria e "na língua calcinada" de Rivka.
saiba mais em: instagram.com/demonia_editora
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Em "devoção", Mercuria caminha sobre os muitos significados possíveis para a ideia de deus, em um dialogo com as autoras Hilda Hilst, Simone Weil, Sylvia Plath, Sarah Kane, Anne Carson, Irena Klepfisz, Julia Raiz e Marguerite Porete. Nesse caminho, a imagem de deus é profanizada enquanto outres sujeites são sacralizados. Pensar sobre deus para a autora se torna um caminho para pensar sobre amor, morte, não-binariedade, sexualidade, natureza e suicídio, porque afinal, como já colocou Simone Weil, “Pensar Deus é apenas uma certa maneira de pensar o mundo”.
deus pode ter um nome
pode ser o cheiro das partes
a vontade e a falha
o arrepio e o suor
deus pode ser suas mãos
que dirigem abrem portões e como uma arma submergem os dedos em mim
consagram meu corpo como lugar pleno de atenção
onde o amor é uma serpente sem patas
mordendo o próprio rabo
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O livro "na língua calcinada" é um livro que se faz em tradução: não só entre o iídiche e o português, mas entre conceitos não necessariamente opostos entre si, como natureza e morte, memória e futuro, sobrevivência e suicídio. A mística judaica também assume papel preponderante, sendo veículo de expressão do corpo, bem como do gênero e sexualidade queer - que aqui aparecem desterrados, como a própria língua iídiche, calcinada.
queimo minhas mãos e não
percebo queimo minha
boca e também não percebo
apenas depois sinto a bolha
a úlcera entalhada pelo fogo
ou pelo calor que emana dos objetos
tal como as lâminas e as palavras
que mal noto o quanto cortam
às vezes rasgam mais ou menos fundo
fazendo com que o sangue escorra
aos borbotões ou em gotas tampouco
sinto o sabor acre ou doce
das toxinas que sutilmente
paralisam meus sistemas e ´órgãos
ou ainda como as memórias
de todos os mortos que eu
vi morrerem ou tive nas mãos
quando davam o último suspiro