Livro Do Campo à Poesia, de Leila Morais
Curitiba, PR

Livro Do Campo à Poesia, de Leila Morais

Edição e publicação do livro Do Campo à Poesia, de Leila Morais | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 09/08/2024

R$ 2.555

arrecadados da meta de R$ 3.150

81%

da meta 3

41

Benfeitores

Finalizada

Projeto Meta Flexível

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 09/08/2024

Como essa campanha já foi finalizada, as recompensas não estão mais disponíveis.

Conheça a campanha

O Livro

O livro Do Campo à Poesia, é uma coletânea de poesias novas e não tão novas, inéditas que concorreram ao Prêmio Carolina Maria de Jesus, sendo um dos livros finalistas. Este livro é um baú de memórias afetivas, que permite conectar passado, presente, futuro, elementos da natureza e as vivências do amor pela vida. O olhar poético completa-se com as ilustrações de Patrícia de Freitas Frasson.


Qus2CTY.png

A Autora

Leila Morais nasceu em Bocaina no ano de 1986. Viveu até os 18 anos numa pequena propriedade rural com seus pais e irmãos. Embaixo das árvores, escreveu os primeiros poemas. Abandonou o hábito por um tempo, mas durante a pandemia da Covid-19, a dor, o medo e a melancolia foram transcrevidos em forma de poesia. Hoje, reconhece que a escrita salva e que não pode viver sem ela.


KSmYEtX.png
A Ilustradora

Patrícia de Freitas Frasson nasceu no dia 10 de novembro de 2008 em Jaú, interior de São Paulo. Desde criançatinha o hábito de se expressar desenhando seus colegas de classe ou até mesmo seus animaizinhos de estimação.

Em 2023, com 15 anos, recebeu o convite e a oportunidade de ilustrar o livro "Do Campo à Poesia" da autora e então sua professora, Leila Morais.

Pretende se formar em artes e transmitir suas ideias para todos aqueles que desfrutam de formas , cores e principalmente, sentimentos.

NZMYOoc.png

Alguns Poemas do Livro

Eu, natureza

Um arco verde me cerca 

Há só um corredor de areia branca

E eu caminho atras de mim mesma

Quem sou agora?

Será só uma volta ao passado?

É só uma memória futura?

As narinas se abrem com cheiro de mato 

O ouvido se concentra no barulho de água de riacho

E os tons de verde se misturam a tantos verdes que já vi...

O tempo não existe

Ele só corre depois do verde

Nem os insetos incomodam...

Sou a própria natureza

Tentando brotar também na grama verde

Isenta de dor e tristeza...

Borboletas voam lentamente

Jacu, tucano e maritaca desfilam

Já não me pergunto se a água é pura

Se o ar é puro

Aqui me encontro e me curo

E volto pra vida que não deveria existir...

🌾

Lugar 

Aquela porteira é uma ponte

Que liga o tempo a eternidade

Onde vovô ainda vive

Com seus passos lentos

De lampião na mão

Pegando grãos de café

Tristeza vira poesia

Tempestade, calmaria

E o amor é um espelho


Naquele lugar 

Consigo ver o futuro

Mata ciliar reflorestada

E tanta gente acelerada

Vindo em busca de paz

Pra ouvir uma poesia

Que papai com maestria

Tem prazer em declamar


Quem viveu naquele lugar

Nunca morreu nem morrerá

Porque vive nas criações

Na árvore que plantou e deixou sombra

Nos livros,

Nas memórias dos alunos

E em diversas canções...

🌾


Um milhão de passarinhos

Ainda lembro das tardes

Que a passarada reunia

Nos fios, 

no pé de angico 

e nos coqueiros

E falava na língua que humano não entendia

Davam alguns giros no ar 

E partiam juntos 

Pra algum destino...

Eu menina, 

Tentava desenhar os pássaros

Tentava imitar seus sons

E até desejava ser um deles 

Voando livre na imensidão...


🌾

A casa de barro

Minha primeira casa

Tinha um pé de jambolão na porta da sala

E uma amoreira na porta da cozinha

Tinha cheiro de terra quando chovia

E cheiro de café pela manhã

A casa não tinha paredes internas

Cortinas de retalhos separavam a parte de dormir

Não tinha banheiro

Não tinha energia elétrica

Não tinha água encanada

Mas era um mundo de amor

Distante da cidade


Minha primeira casa 

Me permitia ser livre 

Pular de viga em viga 

De pitangueira e pindaíba

Brincar com elementos da natureza

E transformar em útil 

As embalagens das poucas coisas

Que comprávamos na cidade


Minha primeira casa 

Me permitiu conhecer cedo as letras

As palavras e as frases...

E eu lia todo e qualquer papel

Porque não conhecia a televisão

Lia bula de remédio

Lia livro de receita

Lia os livros dos poucos anos que papai estudou

Lia as notas da lavoura do vovô

Lia as composições de papai


Minha primeira casa 

Me fez respeitar os animais

Eu era igual a eles

Fazia as necessidades

Em qualquer lugar

Desde que longe dos olhares alheios...

E me permitia refrescar em qualquer poça de água

E experimentar plantas, raízes e frutos desconhecidos...

Tinha os ouvidos atentos 

E olfato de caçador

Os olhos enxergavam além do que cabia no campo de visão

Os olhos enxergavam a alma de todo bom cidadão...

Minha primeira casa

Me permitia observar horas um animalzinho

Que passasse pelo chão de terra batida em nosso quarto

Tatuzinhos, lacraias, tesourinhas

Corós, besouros, piolhos de cobra e formiguinhas

O chão era fresco 

E nos dias mais quentes 

A gente jogava água com regador

Tinha muitas flores ali,

Mas só hoje posso vê-las

Flores que perfumariam a nossa vida, 

Tão sofrida, mas tão bem vivida...


Minha primeira casa

Permitia água pura 

Direto da mãe terra

Sem canos e tubulações

Sem refrigeração 

Sem mistura

Sem preço


Minha primeira casa 

Era diferente de toda casa que já vi

Acreditávamos em lendas,

Tínhamos superstições 

Jurávamos ouvir lobisomens e sacis


Minha primeira casa 

Tinha um sofá de kombi

E bancos de tocos de mangueira

Tinha panelas de barro

E café na chaleira

Tinha fogão de lenha

Tinha forno no terreiro 

E tinha perfume de pão 

Minha primeira casa

Me permitia ver estrelas 

E ver a lua surgindo

Deitávamos em qualquer lugar a noite

Sobre a colcha de retalhos

E não conseguíamos imaginar o futuro

Porque eu criança, 

Não imaginava outra vida...

Minha primeira casa

Era como um ninho de pássaros

Mas como todo pássaro, 

Um dia voei

E acabei presa 

Num ninho de concreto

🌾

Escrever

Escrever me permitiu curar dores

E descarregar energias

Me permitiu viver 

Quando achava que morria

Escrever me fez viajar 

Para onde não podia

Por falta de dinheiro, 

Por falta de conhecimento,

Por falta de transporte...

Escrevo sobre as plantas

Escrevo sobre os rios,

Escrevo sobre as pessoas

Escrevo pros animais

Escrevo para os vivos

E para os ancestrais

Escrevo no escuro

Escrevo no vazio

Escrevo no papel, 

Escrevo na lousa

Escrevo nos túmulos,

Escrevo no computador

Escrevo no chão

Escrevo no ar

Escrevo no coração 

Escrevo em qualquer lugar...

Escrevo pra passar tempo 

E para curar

Escrevo pros mortos 

Escrevo para os que amam

Escrevo para o passado

Escrevo para lembrar

Escrevo pro futuro 

Me eternizar...


gd98IAj.png

O Toma Aí Um Poema

569cQXa.png
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players

Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)

Impressão Gráfica | 800,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 700,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00

Contato

contato@tomaaiumpoema.com.br

@tomaaiumpoema

Denunciar esta campanha

Modalidade

Projeto com Recompensas e Meta Flex

Esta modalidade é para negócios e projetos criativos. É uma arrecadação com recompensas, mas com meta Flex. Ou seja, ao final esta campanha receberá o valor arrecadado – mesmo sem bater a meta – enviará as recompensas e iniciará seu sonho.
  • No Flex, esta campanha recebe o quanto arrecada;
  • As recompensas aumentam sua arrecadação;
  • Esta campanha testa suas ideias com Risco Zero!