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A editora Urutau nasceu para cantar as horas diante das páginas. Nos últimos cinco anos já publicamos mais de mil livros sem qualquer custo para os autores e as autoras.
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Essa pré-venda é de Catharina Azevedo para a publicação do livro "Enquanto o dia não vem”.
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dois
(ou o invólucro)
Falo da culpa por hábito — acredito que nós, mulheres, estamos acostumadas a nos sentir sempre culpadas. Tanto que, quando não há motivo, tratamos logo de inventá-lo: lembro, por exemplo, do caso de uma antiga vizinha que tivemos, uma hippie de meia-idade que tinha gastado parte da vida viajando pela América Latina. Podia fazer isso porque não tinha filhos. Acontece que essa mulher nunca tinha sentido a falta de uma criança, até perguntarem — não sei como a coisa aconteceu exatamente, escutei essa história por Helena — se ela não tinha medo de não ter quem chorasse sua morte. A partir de então, ela começou a sentir remorso por ter gastado a vida viajando, em vez de ser mãe.
Achei tudo isso uma grande bobagem. Filhos só servem para serem alimentados, crescerem e começarem a brigar por espólios inúteis, além tornarem a cerimônia da morte uma bobajada hipócrita sem fim. Não falei nada do que penso a ninguém, no entanto. Um pouco depois de Helena me contar esse caso, essa mulher se mudou. Acho que ela acabou comprando um cachorro.
A única pessoa não consigo lembrar de ter sentido culpa é minha mãe — o que é curioso, tendo em vista que sou capaz de atribuir uma mão cheia de coisas pelas quais lhe faria bem sentir algum remorso. Minha mãe acredita na culpa alheia, mas não na própria. Essa é uma das características que lhe invejo. A outra característica é o fato de que Esther é uma mulher bastante bonita. Todo mundo está sempre dizendo isso e, quanto mais escuta, mais minha mãe faz questão demonstrar que não é uma opinião a esmo.
Quando criança, gostava de ver minha mãe se arrumar — me enchia de prazer seu ritual meticuloso de estender o vestido que usaria à noite em cima da cama, como que para me mostrar em um ritual pagão o poder que a beleza lhe conferia. A figura de minha mãe era um totem, projetando em mim uma sombra que me fazia sentir a salvo. À medida em que fui crescendo, fui me acabrunhando, no entanto; percebi mais tarde que o motivo da minha tristeza era saber que jamais sairia daquela sombra por completo.
(...)
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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos.
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.
Voe! Evoé!