Pré-venda do livro escrever de boca aberta, de Anna Davison
Curitiba, PR

Pré-venda do livro escrever de boca aberta, de Anna Davison

Edição e publicação do livro escrever de boca aberta, de Anna Davison | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 07/09/2024

R$ 5.282

arrecadados da meta de R$ 5.100

104%

da meta 7

62

Benfeitores

Finalizada

Projeto Meta Tudo ou Nada

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 07/09/2024

Como essa campanha já foi finalizada, as recompensas não estão mais disponíveis.

Conheça a campanha

O Livro

escrever de boca aberta reúne poemas que passeiam por diferentes formatos e experimentações com e sobre a escrita. Um exercício para entender o próprio escrever e o fazer e desfazer que esse ato implica – tanto do próprio texto quanto de quem escreve. 

Aqui, imagens se repetem, de modo a costurar uma (quase) narrativa de morte e nascimento, de solidão e amor, de luz e sombra. Pensar as palavras, o som, o corpo (e o tempo nele passando), a família e a sensação desconcertante trazida por objetos e seres como os pássaros, é parte fundamental do livro. 

Iniciado na pandemia, mas ultrapassando as sensações desse período, escrever de boca aberta mostra o que muitas vezes se prefere esconder, a escatologia inerente a toda existência, a loucura, as obsessões. Se inscreve no corpo e adentra a pele e a boca, para escancarar o desejo de entender o que os dedos que dançam ao escrever têm a nos dizer sobre existirmos em 2024.

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A Autora

Anna Davison cresceu em Brasília, nas asas de um avião. Desde pequena, é apaixonada por palavras, artes e gentes. Tem textos publicados em revistas brasileiras e lidos no programa A culpa é das estrelas, da rádio portuguesa Terra Nova. Seus textos flertam com o ensaio e a autoficção, sempre pela voz da poesia. Já morou em uns tantos lugares desse mundo e não vive sem pão, azeite, vinho e muitos livros.


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Alguns Poemas do Livro

mu

mu é o ideograma único na lápide de yasujiro ozu

flutuando no nada

que desenha

o silêncio das sombras

uma pinta recém-nascida na palma da minha mão

presa entre duas linhas

que dizem

o futuro dos anos

escrevo como quem desenha sinais

ou ideogramas

no espaço entre uma respiração e outra

como o que cabe entre as sobrancelhas

sinto que é preciso apreender os mapas

que carrego

nos olhos escuros

como as mãos magras e secas

que não posso parar de olhar

reparo nos dedos se mexendo sobre o branco

busco cicatrizes

encontro o nada

🖋️

palavra

terminei muitos textos com a palavra

socorro

presa na garganta que dói

porque a palavra não foi capaz de fazer

o trajeto entre o córtex pré-frontal e a ponta

dos dedos que sustentam

a caneta

o sopro

a comida

as unhas pedindo

o socorro que nem chegou à boca para

provocar o leve toque dos dentes da frente fazendo

o ar sair sibilando antes de

se instalar na entrada da garganta

longe do foco da dor

🖋️

vergílio

diz meu pai que um tio seu estava certo de ter morrido quando bebê. contava que teve um irmão gêmeo que morreu e que a mãe se confundiu e enterrou com o morto o nome do vivo. ficou ele, tio vergílio, assim mesmo, com e, com esse nome de morto. nomes são como mapas, nos ancoram no mundo, uma realidade que nos define. às vezes gosto de imaginar se seria eu outra, caso tivesse outro nome. esse nome de viva, mas que também já morreu tantas vezes. até com a tia anna, que não conheci. fiquei eu com a sina e o nome da tia morta. talvez, como vergílio, eu também seja um duplo. eu e ela. gosto de repetir algumas palavras até que elas percam completamente o sentido. anna. anna. anna. em qualquer direção, sou eu. e como eu, ao ser encarada ad nauseam, causa estranheza. a língua engrossa, pesa, já não consegue repetir. o ouvido, mesmo que a repetição seja silenciosa, não mais reconhece aquele som. deixa de ser meu nome. deixo de ser eu. viro uma vibração sem sentido. feito um sabor novo. desconhecido. gosto adquirido aos poucos, depois de muitas vezes rolado na boca, no silêncio denso que envolve minhas noites. é a própria morte. é como se olhar intensamente no espelho até deixar de se reconhecer. virar outra. de cor verde. disforme. nessas horas, parece que o tempo para. mesmo que por uma fração de segundos, morro. flutuo, sem nome e sem rosto. e, quando volto, já não sei se sempre fui anna, se esse rosto sempre foi meu. ou quantas vezes já morreu. esses múltiplos eus. com velho gosto de terreno já batido. confortável e acre. real e vivo. muito vivo, como tio vergílio.

O Toma Aí Um Poema

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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players

Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)

Impressão Gráfica | 800,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 700,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00

Contato

editora@tomaaiumpoema.com.br

@tomaaiumpoema

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Modalidade

Projeto, Meta Tudo ou Nada

A primeira meta de arrecadação precisa ser atingida para o projeto acontecer. Caso contrário, os apoiadores recebem o dinheiro de volta.

  • Recursos só são repassados se a meta mínima for atingida.
  • Taxa aplicada apenas sobre o valor arrecadado.
  • Apoiadores recebem recompensas quando a campanha é bem-sucedida.