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A vida de Alícia, empresária bem-sucedida e filha de um político respeitado, muda drasticamente quando Renato — ex-segurança de seu pai e recém-saído da prisão — a aborda armado e exige dinheiro para custear o tratamento do filho com câncer. O que começa como um sequestro- relâmpago se transforma em um confinamento carregado de tensão, no qual passado e presente colidem dentro do apartamento dela.
Renato acredita ter sido abandonado pelo homem a quem serviu com lealdade; Alícia, confrontada pela dor e pela revolta dele, passa a enxergar sob outra perspectiva as decisões firmes e inflexíveis do pai. Entre ameaças, revelações e uma atração inesperada, os dois constroem uma relação marcada por ressentimento, desejo e uma perigosa intimidade.
Em Extremas Condições, vítima e algoz deixam de ocupar lugares fixos. O romance questiona até que ponto a justiça pode ser fria, se o perdão é possível sob pressão — e o que resta quando o medo dá lugar a uma aliança improvável.

Luiza Alves é psicóloga clínica (CRP 07/32232), formada pela Faculdade IENH em 2019, escritora e musicista de Novo Hamburgo (RS). Em 2022, realizou o curso de Formação de Escritores pela Editora Metamorfose de Porto Alegre. Apaixonada por escrita desde a adolescência, une arte e psicologia ao seu cotidiano, sempre acompanhada de livros, gatos, fotografia e música. É também autora da obra Ensaios Criativos (2025), seu livro de estreia pela editora Fomento Literário.


[...] É surpreendida pelas batidas no vidro do carona. Paralisa ao ver o revólver nas mãos do criminoso, com a arma apontada para si. Ele abre a porta e senta no banco ao lado, sem qualquer dificuldade.
— Se gritar, você morre — diz.
O coração dela dispara. O corpo inteiro começa a tremer. Uma queimação na barriga e nas pernas surge quando desvia da arma para a fisionomia do bandido. Repara em sua expressão alarmada, na barba que cobre a face, no suor que escorre das têmporas e nos olhos castanhos e arregalados. O celular é tomado de suas mãos.
— Sei tudo sobre você, onde mora, o que faz durante a semana… Se preferir, posso te mostrar — ele diz. — Dirija até o banco. Quando chegar lá, é pra pedir trinta mil reais. Entendeu? [...]
*
[...] Numa pesquisa rápida, usa o nome de Renato vinculado ao episódio que o levou à cadeia. Algumas notícias aparecem, como a matéria sobre o caso. Já nas primeiras linhas, ela se depara com o nome completo e algumas fotos dele, todas do dia da sua prisão, durante o evento. Encontra um vídeo de seu pai, em entrevista concedida à imprensa:
— Essa situação é lamentável. Vocês, que me conhecem, sabem que sou um homem avesso a qualquer tipo de violência. Agora me acontece um negócio desses, com meu próprio segurança… Isso é inaceitável. Eu vou tomar medidas extremas pra que uma coisa como essa não volte a se repetir.
Ela olha para seu retrato, junto ao pai, sobre a cômoda. Abre a lista de contatos, no celular, e efetua outra ligação. [...]
*
[...] Alícia dispara um tapa em seu rosto. Ele gira o corpo dela de frente para a parede. Segura e puxa seus cabelos para trás. Cola o corpo no seu. Ela geme e estremece.
— Quer mesmo entrar na minha vida? — ele pergunta.
Ele roça os lábios em seus cabelos. Sente o perfume doce e profundo por trás da orelha, em meio ao suor. Um arrepio quente percorre o corpo dela.
— Já sei muito sobre você — ela diz.
Renato faz ela girar de súbito.
— Sabe o quê?
Os olhos dela passeiam pelo seu rosto e só param quando encontram sua boca. A respiração parece presa, como se não houvesse ventilação na sala. [...]
*
[...] Alícia caminha entre os convidados. Passa pelos arbustos iluminados e as decorações pendidas, até se encontrar sozinha, próximo a um pequeno chafariz. A luz tênue projeta reflexos suaves sobre a água.
— Eu ficaria horas aqui só te olhando.
Renato surge pela lateral. Ela se vira, de súbito. Um sorriso lhe escapa. Ele apoia uma taça vazia sobre a borda e beija seu rosto com cuidado. Alícia fecha os olhos com o calor do toque e o roçar da barba.
— Não quero estragar seu batom — diz ele, num sussurro.
Ela examina a camisa de brim, a corrente fina sobre a pele e o cabelo levemente desalinhado pelo vento.
— Você não me disse que viria.
— Imaginei que ainda precisasse de um segurança.
Ele sorri, com as mãos nos bolsos. [...]

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Publicado por Toma Aí Um Poema

A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
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Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
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