Livro Frames, de Josie Kadas
São Paulo, SP

Livro Frames, de Josie Kadas

Edição e publicação do livro Frames, de Josie Kadas | Toma Aí Um Poema

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Quando pausamos um filme ali nos deparamos com um frame. 24 desses em um segundo, 1280 em um minuto. Assim um filme é feito, pelo menos, na maioria das vezes. O quanto você consegue especular de um filme apenas por observar um único frame? Um relacionamento é feito de várias cenas, encontros, transas, desavenças. O quanto você consegue entender de um relacionamento por apenas estar presente em uma das vivencias de um casal? Em um projeto extremamente confessional Josie Kadas flerta com autoficção para tentar desvendar as maiores questões que cercam os relacionamentos modernos numa série de 8 contos que tratam de vivencias incomuns por óticas seccionadas, propositalmente incompletas, perigosamente unilaterais e deliciosamente irreverentes.

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Josie Kadas é uma autora jovem e obcecada por literatura desde a infância. Ao ver seus autores favoritos derramarem o mais íntimo de si nas páginas, seguiu o curso natural de tentar fazer o mesmo. Tomando posse das angústias, repertório cultural e vivências queers de sua geração, ela dá o melhor de si ao representar a voz de pessoas à margem da representação e suas vidas, vistas como tabu por muitos. Humanizar essas narrativas e dar-lhes o tom de romantismo que tinge a vida de qualquer pessoa que se permite viver sua verdade é sua maior missão.

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“Acredito eu, que, como bambos, nos vimos em momentos cruciais, prestes a cair, no limbo do irreal, ou na vida. Que tenha sido bom ter caído na mão de amos tão desesperados e falhos como nós, pois pelo menos, essa crueza nos deu intensidade e bom sexo. Você sabe quem é. Adeus eternos amantes, infindáveis histórias e veias de ódio que cultivei de três simples estórias, de impulso, sexo, desentendimento e identificação. Purgo-os aqui, me livro de todos os meus pecados para que possa enfim cometer os próximos, frescos e novos, com a próxima da fila.”

*

“Não importa, só sei que estou aqui, que estou aqui e te magoei, e é por isso que não se mistura círculos sociais. Eu achei que seria divertido e te machuquei, querendo, sem querer. Isso é prova de que não é para ser ou foi apenas um deslize normal, que se recupera logo a qualquer momento? eu só sei que dói e uma mão invisível de um sentimento segura o meu coração com força, respirar dói e se não fosse a descarga de hormônios prazerosos em meu corpo eu teria que usar a pouca força que me resta para segurar meu choro. Você me tocou com raiva e não de um jeito animalesco que eu gosto e fazemos sempre, foi direcionada, você sabia o que fazia, você sabia a raiz da sua dor e não me dizia nada da semente. Mesmo no calor quase que insuportável que enfrento de roupão, não o tirei, pois, tínhamos pressa, o laço desfeito pende sobre a cama como tudo de difícil que eu já quis te dizer pende sobre o vazio do esquecimento. Me estremece que estamos aqui por conta de algo que dissemos, que é totalmente fútil, desnecessário e evitável.”

*

“desde sempre tive uma obsessão com os momentos que lapidam a inocência de um jovem garoto como. Corpos nus e suados de seus amigos em vestiários, os primeiros toques, os primeiros sinais inconscientes de desejo. Acho que existe essa obsessão em mim porque nunca a tive, a inocência, sinto que nasci pervertido.”

*

“Venho pensando muito na rejeição nos últimos tempos. Saí com um garoto recentemente, pela primeira vez em muito tempo parecia que estava numa situação de interesse mútuo, talvez algo mais. No fim, fiquei com Highway To Your Heart e sem garoto. Must’ve read the signs all wrong, diria Lykke Li. Não considerava relacionado, porém numa segunda análise, distante dos atos agora. Comecei a dormir com pessoas que não conhecia e, na maioria das vezes, nem considerava atraente, nas semanas subsequentes a esse fim de caso. O desejo se manifestava por uma pessoa e não se despedia com ela, caso ela fosse embora antes da consumação. Como tudo em minha vida confirmava, cada dia que passava a minha habilidade de reprimir-me e resolver-me em mim mesmo se tornava mais precária.”

*

“Quero ali, deitar em seu peito e tentar dormir com a mesma paz e fagulha que você tem, When you sleep, tomorrow, and it won't be long, once in a while, when you make me smile, mas sei que não posso, que não devo. Admiro você em seu descanso, me levanto, pego o que é meu e vou embora. And I'll sleep tomorrow and it won't be long, once in a while, then you take me down when you walk away. Durante o caminho vou fumando o que sobrou do baseado e, ao longo do tempo, tudo se enevoa novamente. The second wave, pretending that you're all that I've seen today. Mais desse veneno que de acordo com os mais velhos apodrece o corpo e destrói o cérebro. E mesmo assim continuamos, resistimos em escapar por meio do que nos mata, quase alegres em morrer mais cedo do que o esperado, pois isso implica que não teremos que assistir à queda de tudo que conhecemos e do nada que nos pertence. On your own. You cannot call me your own. Jack of all trades, master of none. Cry all the time ‘cause I'm not having fun.”

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Publicado por Toma Aí Um Poema

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A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.

O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.

Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:

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✍️ 1k+ escritores publicados

🎧 1 milhão de players

Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.

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