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Nosso projeto de tradução é referente à obra escrita em 1625 e publicada em 1829 com o título “Historia de la monja alférez: escrita por ella misma”, sem tradução no Brasil. Composto por 26 capítulos e apêndice de documentos históricos, o livro é uma autobiografia feita por Antonio de Erauso, nascido Catalina, que, após fugir do convento no qual vivia desde os quatro anos de idade, se veste com roupas masculinas e se lança à própria sorte. Após algumas desventuras na sua nova vida como homem, sobe em uma embarcação em direção à América, onde entrará para a vida militar e se tornará alferes. Faz parte da sangrenta Guerra de Arauco e percorre diversos territórios latino-americanos entre o México e o Chile.
Depois de matar um importante homem no Peru, para se livrar da pena de morte, Erauso revela seu sexo biológico, sua castidade e sua origem nobre, então é deportado para a Espanha. É justamente no caminho de volta que escreve seu testemunho, para pedir pensão ao rei, por ter sido soldado exemplar, e permissão ao papa para continuar sendo e se trajando como homem. Como é relatado nas notas finais, depois de receber autorização, retorna ao México e vive, até morrer, como Antonio de Erauso.
Podemos dizer que na obra há duas viagens, de espaço e de gênero. Ambas estão sobrepostas porque o deslocamento geográfico pressupõe, depende dele e possibilita o que hoje entendemos como identidade de gênero: Erauso vai de ela a ele, de noviça a soldado, de mulher a homem, da Europa à América, de metrópole à colônia, da posição de observada à de observador. A autobiografia, dessa forma, é o testemunho da construção da masculinidade de Antonio de Erauso, e nos ajuda a percorrer historicamente as compreensões do gênero.
A partir disso, nosso objetivo, além de apresentar essa figura e sua experiência pela América Latina, é realizar uma atualização crítica por meio da tradução para reler a identidade de Antonio de Erauso a partir dos estudos de gênero, por isso optamos pela não manutenção do título original e escolhemos “FreirAlferes: transformando Antonio de Erauso: história do alferes que foi freira”, por entendermos que Antonio vai passando por um processo de transformação a partir de sua fuga do convento.
A tradução será publicada pela editora Medusa em outubro de 2021.
Edição: Ricardo Corona
Capa e diagramação: Eliana Borges
Tradução: Leticia Pilger da Silva e Suéliton de Oliveira Silva Filho
Revisão de tradução: Nylcea Pedra
Orelha: Amara Moira
Coordenação: Isabel Jasinski
Pintor da atualização do retrato: Gabriel Kleinke


Atualização do retrato de Erauso pelo pintor curitibano Gabriel Kleinke:

