Livro Fruto rubro agonizante de Bruna dos Anjos Gomes
Curitiba, PR

Livro Fruto rubro agonizante de Bruna dos Anjos Gomes

Edição e publicação do livro Fruto rubro agonizante de Bruna dos Anjos Gomes | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 01/10/2023

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O Livro

Fruto rubro agonizante tem como premissa a necessidade de expressar minha condição existencial no mundo. Atravessada por questões relacionadas com a neurodiversidade, gênero e posição ideológica frente ao capitalismo e o CIStema de pensamento colonial. Enquanto escritore acredito nas palavras e sua potência poética como forma de guerrilha e oposição ao estabelecido. É um respiro, um alívio, dentro de um modelo de vida em que certas existências não importam, são suportadas e quando pior indesejadas. A norma culta gramatical não faz parte da concepção, possuindo como característica uma escrita quase automática. Escrevo o que pulsa dentro de mim e despejo em palavras que para mim são mais uma subversão contra a linguagem oficial. Enquanto fruto do mundo sinto a necessidade de falar sobre questões tabus, como suicídio, depressão, violência de gênero, ódio como um sentimento que é nutrido e cultivado em corpos que são violentades. Não há paz e amor que consiga afagar esse sentimento que pulsa em um mundo excludente e cruel que opera e funciona pela exclusão.

Ê Autore

Bruna dos Anjos Gomes, é artista independente e trabalha com arte de rua, com teatro, performance, poesia e malabares. A escrita é um hábito que mantém desde a infância e a divulgação desse trabalho se deu inicialmente através da confecção de fanzines. Hoje em dia mantém um perfil no instagram onde publica seus escritos. Tem formação em licenciatura em teatro pela UFBA e dentro das práticas de teatro utiliza fragmentos de poesias de autorais para construção de cenas. É pessoa não binária e neurodiversa, que acredita na arte como espaço possível de expressão de existências marginalizadas por questões diversas e como forma de derrubar muros, cercas, reivindicando espaços.

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Alguns Poemas do Livro

Rio abaixo rio

Eu vou comer minha própria placenta
Agora que renasci
Antes estava a roer meus ossos
Os ossos que recolhia
Rio abaixo de mim
Frutos de minha própria morte
E eu não sabia se estava me afogando
Ou apenas recebendo o amparo das águas de meu próprio útero
Que me gerava
No subsolo de minha tristeza
E a cada fruto amargo que aquela árvore dava
Ninguém comia
Ficava ali na árvore até apodrecer e cair no chão
Eu estou aprendendo a apodrecer
A cair inútil no chão
Como tantas vezes

E eu ainda me cobro barato na sobrevivência diária
Porque a conta de luz foi perdida
E eu preciso pagar
Senão, meu anúncio já era
E toda e qualquer forma de sobrevivência
Que nesse deserto vai surgir apenas da inspiração
E criatividade de meus sonhos
Que de tão insensatos dizem:
Muros!
Cercas!
Leis!
Ordem!
Não aconteça!
Não exista demais!
E quando existo demais 

Minha companhia são esses vermes que vêm devorar minha podridão
Meu fruto amargo passa a ser devorado pelo chão
E pela escuridão de mim
Meu fruto rubro agonizante
Crescendo nesse solo quente e infértil
Meu fruto rubro agonizante
Rompe concretos
Rompe chão.

Suicídio existencial

Eu RG 32982410-7

CPF 36415195867

Grãozinho de areia

Declaro óbito

Morreu

Atravessou paredes e muros

Rebentou o corpo, a pele, inflamada de tanta inadequação

Seguiu com sua bagunça

Abandonando o ódio dentro da ordem

Dissolveu-se no nada

Virou caos

Virou pó

Virou purpurina

Morreu

Pariram seu corpo ao contrário no deserto

Morreu

Encontro a noite dentro de si 

E mergulhou.

A hora de dormir

Eu deveria ter tomado cuidado

E não ter ido dormir com o vazio

Deitei e a cama estava repleta de roupas sujas

E eu era parte delas

Antes eu me sentiria parte delas também

Mas, seria de um jeito bom

Eu diria

Sou parte de minhas roupas sujas, porque assim o quero!

Mas, eu comecei a dormir com o vazio e com o tempo me larguei ali

Como a música pode ser tão triste mesmo sem o ser?

O que se faz com carnes, dedos, unhas, enfim, o que se faz?

Eu durmo com o vazio e quando não se pode mais dormir eu acordo

E recomeço a encher meu corpo de veneno

Eu poderia cortar as unhas, polir os móveis, acordar mais cedo

Mas, o que eu quero saber

É o que se faz lá no fundo, bem no fundo.

O Toma Aí Um Poema
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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:

1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados.    | 1 milhão de players


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Orçamento - 50 exemplares (2300 Reais)

Impressão Gráfica | 600,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 600,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00

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