Conheça a campanha
Este projeto nasce de uma urgência: registrar, preservar e compartilhar a história do Carnaval de Belo Horizonte. Hoje, a cidade vive uma das maiores festas populares do Brasil, vibrante e diversa, mas ainda carece de uma obra que organize e torne acessível a memória construída ao longo de mais de um século de folia. O crescimento recente do Carnaval de BH não foi acompanhado por um esforço equivalente de pesquisa e preservação, especialmente das trajetórias criadas nos territórios populares e periféricos, pelas escolas de samba, blocos e coletivos que sustentaram a festa ao longo do tempo.
Esta campanha existe para enfrentar essa lacuna na história da cidade, transformar memória em conhecimento acessível a toda gama de leitores e fomentar nossa folia como patrimônio cultural vivo. Ao apoiar o projeto, você contribui diretamente para que personagens, enredos e experiências que consituem o Carnaval da cidade não permaneçam dispersas ou apagadas, mas sejam legadas às novas gerações.
A arrecadação viabilizará a compra antecipada de um livro inédito sobre a história do Carnaval de Belo Horizonte, resultado de pesquisa em arquivos públicos e privados, acervos documentais, discográficos e audiovisuais, aliada ainda a entrevistas, diálogos e vivências construídas junto aos protagonistas dessa história. Além do livro, a campanha possibilita a aquisição de cartaz, bandeira e uma edição do LP "Deita no Cimento", que funcionam não apenas como recompensas, mas como extensões simbólicas do projeto. Também estão previstas ações de acessibilidade e estratégias de difusão que ampliem o alcance do conteúdo.
A campanha é coordenada por Guto Borges, mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais, professor, pesquisador e agente cultural com atuação voltada à memória, à cultura popular e às artes. Guto é figura de destaque na retomada do carnaval de rua de Belo Horizonte, com participação ativa em processos culturais que ajudaram a fortalecer o Carnaval como manifestação popular, diversa e contemporânea. Sua trajetória articula pesquisa acadêmica e vivência cultural direta, fundamento central deste projeto.
No último ano, Guto esteve à frente do trabalho de sistematização do histórico do Carnaval de Belo Horizonte, atuando diretamente no processo de registro da festa como patrimônio imaterial da cidade.
O livro proposto também conta com pesquisa e escrita de Igor Cardoso, doutor em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador de pesquisa do projeto Horizontes do Samba, que permitiu o registro do samba de BH como patrimônio imaterial do município em 2024.
Essa campanha parte dessas trajetórias e avança no propósito de tornar o conhecimento mais acessível, ampliando e aprofundando pesquisas já realizadas. O objetivo é permitir que a história do Carnaval de BH circule, seja lida, debatida, apropriada por quem realmente constrói essa festa - a própria cidade.
Confira abaixo os eixos centrais trabalhados no livro:
1. Primeiros anos do Carnaval em Belo Horizonte (1898–1937)
O Carnaval nasce com a cidade planejada, sob a liderança de clubes da elite, como Club Matakins e Diabos de Luneta. Apesar dos raríssimos registros, cordões e batuques populares também estavam presentes.
2. Modernização do Carnaval (1937–1945)
Surge a primeira escola de samba, a Pedreira Unida, na Pedreira Prado Lopes. O samba afirma suas raízes negras e suburbanas; durante a Segunda Guerra, os desfiles param, mas os bailes continuam.
3. Pós-Guerra e o primeiro grande ciclo de Escolas de Samba (1946–1955)
O Carnaval de rua renasce, e escolas como Inconfidência Mineira popularizam o samba-enredo. Os desfiles ganham força como espetáculo, com alta densidade comunitária, mas estrutura ainda precária.
4. Crise urbana e ascensão dos Blocos Caricatos (1955–1960)
Os blocos caricatos se popularizam com sátira social e protagonismo jovem, muitas vezes tensionando as escolas de samba.
5. Bailes, canções e o início das disputas na avenida (1960–1979)
Consolidação dos concursos oficiais na Avenida Afonso Pena e fortalecimento de escolas como Cidade Jardim, Unidos dos Guaranys e Canto da Alvorada. Bailes e canções radiofônicas ampliam a projeção estadual, iniciando a estruturação do Carnaval como atração turística.
6. Poder público e o auge da festa (1980–1989)
A Belotur estrutura os desfiles e investe na festa por meio de patrocínios. Belo Horizonte experimenta o auge de público e rivalidades, mas os custos crescentes fragilizam a sustentabilidade.
7. O grande hiato (1990–2000)
A falta de políticas públicas provoca o declínio dos desfiles e o enfraquecimento das escolas. O Carnaval sobrevive principalmente em bailes, bandas e clubes independentes.
8. Retorno dos desfiles (2000–2009)
O movimento “Faculdade do Samba” impulsiona a retomada dos desfiles na Avenida Afonso Pena. Bares como o Bar Opção ajudam a articular a reconstrução cultural do samba na cidade.
9. Carnaval indomável (2009–2012)
Ações como a Praia da Estação fortalecem blocos autônomos em meio à discussão sobre o direito à cidade. O Carnaval retoma com força popular, de forma descentralizada e insurgente.