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O Livro
In.cor.rentes é um livro que trata de tudo o que nos faz por dentro (“in”), de tudo o que os outros impõem sobre cada um de nós (“cor”), de tudo o que nos une ao mesmo tempo que separa (“correntes”) e de tudo o que quase nos toca, pois passa “rente”. O livro é social, mas não se esquece de que há que endurecer, mas sem perder a ternura. In.cor.rentes não fala de sujeitos sem cor que, por isso mesmo, quase sempre foram vistos como brancos e brancas. In.cor.rentes fala de pessoas que trazem na pele memórias das marcas de um tempo dolorido, por isso a morte ronda os versos e não deixa tempo para recreações exageradas.Com este livro, Valmir Luis Saldanha nos obriga a exugar as lágrimas com uma mão, enquanto com a outra pede que reescrevamos a história.

O Autor
Valmir Luis Saldanha é radicado em Itatinga-SP, professor efetivo de português e comunicação no IFSP, mestre e doutorando em Estudos Literários pela Unesp-Araraquara, e autor de materiais didáticos para diversas instituições de ensino. Participa ativamente do GEAL, Grupo de Pesquisa em Antropologia Literária, da UFPB, e do LLE, Grupo de Pesquisa Língua, Literatura e Educação, do IFSP. Com In.cor.rentes ele estreia oficialmente como poeta, após ter publicado para amigos o livreto Sala de (mal) estar em 2014.
Comentários
“Conheço Valmir há bastante tempo e consigo ver que ele amadureceu muito como poeta. O poema “Memória” é o exemplo de uma obra-prima, de um diamante.”
– Bruno Malavolta. Poeta, professor e doutor em Estudos Literários.
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“Enquanto lia, tive vários devaneios. Em “Três dias de novembro”, por exemplo, vemos essa dificuldade de se bucar as origens. Ao mesmo tempo, a menção ao rapaz espancado em um supermercado é muito forte. Isso porque a origem que o poema revela ser difícil de identificar, e que tem de ser criada, também revela uma dificuldade de a quem recorrer em situações de violência. Só a leitura pra fazer a gente pensar nesse tipo de coisa. Muito bom!”
– Felipe Rodrigues. Cientista social, professor e doutorando em Educação.
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“Valmir é um colega de curso/ trabalho, um goleiro, um amigo e, mais do que nunca, um poeta. “Desaparecer de si” me pegou em cheio! Quem de nós não está “cheio de ausências”? Recomendo demais a leitura.”
– Natália Grecco. Professora e doutora em Língua Portuguesa e Linguística.
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“O livro traz grandes reflexões. O poema “Desaparecer de si”, por exemplo, discute essa ideia de que não somos nada, de que nossa existência é trivial e que pode ser extinta a qualquer momento. Gostei!”
– Luiz Henrique. Economista.
Alguns Poemas do Livro
TRÊS DIAS DE NOVEMBRO (Trecho)
Meus olhos se abriram, mas quando o olho abre não quer dizer que a gente esteja enxergando
E eu nem sei se esse homem espancado e morto tinha ido comprar filtro solar, se ele precisava se esclarecer, ou se ele precisava de mais proteção
E nem sei quem era ele
Talvez ele não fosse alguém, talvez ele fosse você, mas você não se deixa morrer tão facilmente, tão inutilmente, só por existir
Mas a gente nunca sabe mesmo quando uma outra pessoa vai se transformar na gente, e eu me vi ali, e eu vi que o último dia de alguém é tão natural quanto o primeiro, só que se o último dia de alguém é o último dia de uma multidão, então a gente fica sabendo que é só nesse último dia que a eternidade toma forma
E para sempre eu morri espancado e uma apresentadora contou para todo mundo que isso tinha acontecido
E a partir de agora eu só sentia meu coração batendo fora do peito
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MEMÓRIA
Amar o perdido no passado negro
não me deixa escrever sobre o negro passado de mão em mão
que me forjou como brasileiro
só que não inteiro
pois que a palavra que não me falava do sentido e do passado
também não me permitia atualizar meu sobrenome
transformado em negro-cabinda negro-rebelde negro-fujão
e me inutilizava como homem negro
por não ter ficado qualquer resquício do vivido no porão
pois que o passado passado
ficou obscurecido sim
vivido sim
mas passado apagado que pago em mim
e sofro
por não tê-lo na memória.
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DESPARECER DE SI
Antigamente eu achava que o sono sem sonhos era o mais próximo possível da morte
Não é
De uma noite sem sonhos passa-se a um dia comum
E é um breve suspiro que há entre se deitar e levantar
Já da ausência não se escapa
Ela é o prato na mesa diante da cadeira vazia
É o prato de onde todos se alimentam e no qual não conseguem colocar os restos
Um prato que nos alimenta ao contrário
O último sinal
(Ou o primeiro)
Da morte
Para alguns a morte é mera formalidade.
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EPÍGRAFE
A tristeza é o que ocorre quando a saudade é na presença.
O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
900+ autores declamados. | 1k+ poetas publicados. | 90+ mil ouvintes
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Orçamento - 36 exemplares (1440 Reais)
Impressão Gráfica | 300,00
Material de envio e frete | 250,00
Serviços Editoriais | 850,00
Margem de segurança | 40,00
[+7% Benfeitoria]
Superação da Meta: todo o valor líquido arrecadado que supere os gastos da publicação será repassado para o autor.
Detalhes Sobre As Recompensas
*Os apoiadores poderão escolher entre as aulas: a) “Como ler poemas”, no dia 12 de novembro de 2022; ou b) “A poesia e a formação de nossas identidades”, no dia 18 de novembro. As aulas serão on-line e ao vivo, mas ficarão gravadas.
**O livreto em questão é o “Sala de (mal) estar”, primeira publicação do autor, de 2014. É interessante notar como algums poemas mudaram de versão de 2014 para cá.
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