Livro Infecções Lacônicas, de Ale Marques
São Paulo, SP

Livro Infecções Lacônicas, de Ale Marques

Edição e publicação do livro Infecções Lacônicas, de Ale Marques | Toma Aí Um Poema

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O que acontece quando as palavras, em vez de curar, parecem infectar cada parte da mente?

Entre versos intensos e fragmentos de alma, Infecções Lacônicas é um mergulho nas inquietações mais profundas do ser. Ale Marques reúne poemas, reflexões e narrativas que transitam entre dor, amor, solidão e pequenas fagulhas de esperança.

Dividido em estágios, o livro revela uma jornada íntima — pensamentos que se desdobram em confissões, memórias que se transformam em poesia e um coração que insiste em buscar significado mesmo em meio ao caos.

Cada página é uma explosão de sentimentos cravados em palavras, como quem escreve para não enlouquecer, como quem sangra em silêncio para existir.

Se você busca uma leitura visceral, sincera e repleta de imagens poéticas que ecoam além do papel, este livro é para você.

Primeiro livro de uma escritora completamente desconhecida :)

Bem-vindx!

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Nascida em Porto Alegre (RS) em 2001, Ale Marques é uma escritora com destaque nos cenários da fantasia e poesia, como demonstrado em sua participação no projeto “Pulpversos“, onde contribuiu em edições vibrantes e imersivas com a imaginação ganhando vida em versos e prosas. Suas contribuições em antologias como “Desvende-me“ e “Esse seu jeito doce com que tu me acaricias“ exploram as nuances das relações humanas. 

Em 2020 recebeu o prêmio de primeiro lugar no “Prêmio de Literatura e Curta- Metragem Filo-Lisboa - Crise Pandêmica: Quem sou eu neste novo mundo?)“ na categoria de texto juvenil onde relatou a sua visão de mundo durante a pandemia.

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escrevo poemas…

escrevo poemas que não saem de meus dedos

o desejo de criação bate na porta

não consigo encontrar a chave

nem uma saída

é como se tivessem trancado uma parte de mim sem a minha permissão

trancada em um quarto com nada além de emoções sobrepostas na estante

escrevo poemas que não saem de meu peito

destruo os versos um por um

inconsequente

instinto de sobrevivência

talvez eles sejam o motivo de meu afogamento constante

uma água cheia de tudo

a poluição que um corpo pode inspirar por cada dia perdido

escrevo poemas que significam nada

nem sei por que continuo gritando na frente da porta

nadando contra as ondas

desejando ar

perseguindo visões

modifico o meu corpo ao ponto de me camuflar à terra

passar despercebida nas linhas invisíveis

encontrar o átomo que me formou lá no início

encontrar o indivisível

voltar ao infinito que eu era

agora não saio desse quarto

escrevo poemas que morrem ao encontro de olhares rápidos

detenho o poder de apagá-los da existência

um toque e tudo isso voltará ao infinito

contudo não o faço

apenas sei escrever poemas que não saem de meus dedos

(esse encontrou a chave...)

ânsia peculiar

acordei com uma ânsia estranha

não do tipo ruim que rasga a barriga em um mal-estar duradouro

essa era mais uma tentação suprimida

sufocada por uma tormenta de medos

a causa e o feito

um efeito borboleta

onde as suas asas quebraram o meu tórax de impaciência

talvez acordasse para a vida ao cumpri-la

ou apenas experimentaria algo novo

nada excêntrico

apenas quero beber energia solar

preencher o meu sistema com luz pura

ver qual é a sensação de ter a vida nos lábios

pegar a planta nas mãos e tomar a sua água fresca

o seu alimento rico de segredos ancestrais

a ânsia não chegou ao extremo

porque ao olhar para a planta e ela devolver o olhar

nada aconteceu

nenhuma rivalidade cresceu entre nós

era mais uma troca de símbolos silenciosos que criamos na hora

o Sol pairava feito um deus esperando ser chamado

me desculpei por não saber orar

não me senti mais completa pelo desejo mal suprimido

o buraco ainda está lá

bem no meu interior abrindo rachaduras na superfície

esperando a água solar invadi-lo

SCINTILLA

é quase imperceptível

tu mal nota a existência

fica pairando imutável sobre os meus olhos por milissegundos em ciência

um traço

tu mal percebe o seu brilho rarefaço

é enlouquecedor tentar desvendar o seu propósito sem estardalhaço

não é letal

mas transcendental

ela caminha sobre os meus olhos dilatados na penumbra

será que é temperamental?

a eloquência me agarrou

é uma maldição querer entender o mundo fatal

apenas feche os olhos

e tudo irá se transformar em um sonho acidental

a faísca passou novamente

a fricção de um ser em outro intensamente

vou acabar com o seu sofrimento

mas tudo que vejo quando caio no sono é um filamento

o seu brilho fraco reluzindo em agradecimento

ela por fim fechou os olhos

OBJETO COTIDIANO

ela espreita nas sombras

quando a minha visão se apaga

ela recai sobre os meus papeis

eu sei...

sinto a sua cor descendo pelas linhas

tecendo a escuridão das palavras a minha espera

faço um ínfimo movimento de acordar e ela cai oca na mesa...

coisinha esperta…

não sinto a sua urgência pela noite

de tal modo que toma vida para ser livre sem mim

sem eles...

só a pararei se a pegar no flagra

tentarei novamente

não faço nenhum movimento

permaneço em inércia constante

um sono fingido orquestrado com perfeição

ela acordou.

está despejando o seu mundo particular

o que será que diz?

serão meros amontoados literários

ou as mais fantásticas odisseias?

descobrirei agora.

nas sombras ela se liberta

escreve por mim o que minha visão apagou

tudo recai sobre os papeis

nossos papeis

nossa cor

nossas linhas tecendo palavras para quem acordar com essa urgência

a urgência dos amontoados literários que um dia serão fantásticas odisseias

eu te disse…

te dizer desses dias chuvosos

os quais mantém o meu corpo deitado

envolto nas cobertas

te dizer desses dias

em que a mente apenas quer se desligar

sumir em um sono pesado

afundar em sonhos confortáveis

te dizer desses sonhos

a sensação de ter outra vida

qualquer passo me leva ao lugar que quero estar

sem hesitação na Terra dos Sonhos

te dizer desses dias cinzas que me preenchem da cabeça aos pés

uma inutilidade reconfortante

o cinza desse dia preenche os meus olhos

eu

deitada

tu

já adormecido

em minutos estarei contigo

levando essas palavras aos seus ouvidos

tu as escrevendo em minha pele

eu juntando os pedaços de vidas passadas em meu tecido

tu me fala desses dias vazios

eu te falo desses dias oníricos

nós falamos sobre a beleza de ambos

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Publicado por Toma Aí Um Poema

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A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.

O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.

Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:

📖 1k+ autores lidos

✍️ 1k+ escritores publicados

🎧 1 milhão de players

Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.

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