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INTRAuterino mergulha em diferentes nuances da mulher: antes, durante e após a maternidade. Em como se reconhece, como se via e também como passa a ser vista após o nascimento de um filho.
Os poemas atravessam identidade, relacionamento, maternidade, cansaço, reconstrução e reconhecimento. Mas este não é um livro sobre gestação. INTRAuterino carrega a história em torno de si, da mulher anterior à mãe, da exaustão materna e da tentativa de reencontrar-se nos raros períodos de silêncio noturno, ou entre um café frio e outro, onde encontra sua pequena grande liberdade e espaço para a escrita.

Maria Germana Gomes de Oliveira Baldin escreve sobre o pseudônimo Entrevia. É nutricionista, educadora nutricional, escritora, artista de lettering e mãe do Benício. Sua escrita percorre emoções cotidianas, afetos, o feminino, a maternidade, identidade e as inquietações que atravessam os pensamentos.


Poema Re. alocar
Minha preocupação mudou muito rápido.
Foi de "será que vou ficar de recuperação em Bioquímica na faculdade?" para
"será que meu bebê está com febre?".
O senso de urgência mudou de endereço.
Meu radar apontou para lugares que, há poucos anos, sequer existiam na minha
cabeça.
*
Poema A mãe que não faz nada
porque existe uma mãe
que acorda antes de todos
pensa no cardápio
organiza horários
limpa lágrimas
acolhe choros
assopra machucados
escuta histórias
em bebenhês
e ainda encontra tempo
para trabalhar
cuidar da casa
e tentar
não se perder
*
Poema Inventário do cuidado
O dobrar das suas mini roupas
enroladinhas e cheirosas na gaveta.
As suas unhas cortadas e lixadas,
suas meias novas já compradas.
A mala da escola feita,
a agenda assinada.
Sua papinha industrializada extra comprada, a natural preparada, cozida,
congelada.
*
Poema O que eu não sabia
Deixa eu te contar o que eu não sabia que seria
Precisar entender que
Aquele corpo tinha passado por tanta transformação
Para criar tanta perfeição
Olha só essa mini mão
Deixa eu te contar o que eu não sabia como seria
Ter alguém dependendo de
você pra tudo
Todos os dias
*
Poema Depois que a casa dorme
Depois que a casa dorme
eu volto
não inteira
mas o suficiente
o chão ainda guarda
as migalhas do dia
e eu também estou esfarelada
tem leite na caneca
louça na pia
roupa molhando no varal
com a chuva rala
o silêncio me abraça
ninguém me chama

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Publicado por Toma Aí Um Poema

A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
📖 1k+ autores lidos
✍️ 1k+ escritores publicados
🎧 1 milhão de players
Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
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@tomaaiumpoema