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O Livro

In(-)versos do meu versoé uma obra sobre a complexidade de sentimentos que permeiam o universo feminino, mas é também uma ode ao amor: ao pai, à mãe, aos filhos, aos amores feitos e desfeitos, às crianças da Síria e, sobretudo, a si mesma, mulher contemporânea que desafia o cotidiano procurando parir a si, fazendo do corpo versos e, da alma, um lugar de sangrar, transbordando até se esvaziar. Tomo emprestada a frase de Rupi Kaur: o mundo/ te dá/ tanta dor/ e aqui está você/ transformando-a em ouro. É esse tesouro que Rita Alencar oferece ao leitor, seu fígado, seus amores, suas expectativas e decepções, numa cartografia da carne que corta e acaricia ao mesmo tempo.
Seus versos são como linhas de anzol fisgando letras silentes à espera de que se deitem em ouvidos alheios, ora com olhos de fogo, ora com olhos naufragados, já que o eu-lírico é vítima e algoz de suas escolhas. Cada verso é um punho que sangra ao mesmo tempo que volta a florir e, ainda que não tenha dito tudo, pois sempre há muito a falar sobre sombras, Rita Alencar entranha em nós suas raízes; raízes que fecundam a terra de esperança. Convido todos e todas para uma leitura!
Sandra Godinho
Escritora
A Autora
Rita Alencar Clark é formada em Letras (UFAM), com Pós-graduação em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo (PUC-Rio), poeta amazonense, contista, cronista e ensaísta. Colunista do Blog Feminário Conexões e dos coletivos Enluaradas e Mulherio das Letras, com participação em diversas coletâneas e antologias poéticas. Tem dois livros publicados: “Meu grão de poesia” e “Milton Hatoum – Um certo olhar pelo Oriente-Amazônico”.

Alguns Poemas do Livro
INCENSO ORIENTAL
Um sopro de pensamento arrebata
Milhares de emoções subterrâneas
Larga no espaço, olhares e mãos
Não, uma lira não bastará ao frenesi
Das notas, ao clamor dos clarins
Afinados, postos a nos encantar.
Suave será o som… e o suor
Desperta, no fundo, o sentido do ser
E nada será, e nada foi, até então.
O despertar na tarde dormente
Anunciará, somente, a seiva viva
Do sândalo copiando miragens.
Na espiral do incenso oriental.
PAZ ALARANJADA
Flanco de paz adormecida
Pousa no torpor da tarde alaranjada
Estavas a ponto de secar a fonte
Cortar os pulsos, engolir giletes
Partir sem se despedir…
Estavas nua, só, hostil,
Mas ainda querias o teu sorriso
Forte, aquele admitido!
Naquela tarde alucinada
Fizeste uma poesia imoral
Doida, alucinógena, infantil
Não te convenceste…
Foste, assim mesmo, de carona
Nos olhos de teu passado
Amarelo, laranja, amarelado
Buscando a tua paz alaranjada.
Te encontrei assim, nua e fria.
Uma carta, endereçada a ti,
Sufocava entre teus dedos.
EPOPEIA
Por você, um exército de palavras,
Um desafio glorioso ou fatal
Um carro rompendo o sinal
Na avenida central da alma.
Não há força que suporte
A palavra secreta de um beijo
Meu seio erige com o vento
Noturna sensação insólita
Serei eu, apenas, o adesivo velho
no para-brisa dos seus olhos?
Inevitável e suspenso, desnecessário?
Enquanto o jato do pensamento
Raspa o silêncio do passado, descubro
Um país abstrato, inexplorado e de sílabas
Tônicas, com seres necessários e presentes.
Nossa epopeia de sonhos sumiu do radar
Perdemos contato com a torre.
No escuro, sozinho e triste, encontrarás
Meus olhos, aurora boreal amazônica,
Que de tão intensos se desfazem no ar.

Lançamento do Livro In(-)versos do meu verso
Data: 21 de setembro de 2024.
Horário: 12h
Local: Palácio da Justica - Centro, Manaus - AM.
O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
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Informações Adicionais
Livro In(-)versos do meu verso
Poesia Brasileira
ISBN: 978-65-83046-02-4
Ilustrações de Miguel Clark
100 p. 14x21