Conheça a campanha
O Livro
Eu não perco uma ocasião para poder falar de mim, fazendo isso termino falando do meu povo, da nossa terra e da luta prolongada pelo acesso a terra e água. Isso deve ser coisa do povo camponês do Nordeste brasileiro.
A Maria aqui pulsa como uma menina de 12 anos, esperando ser aquilo que quer ser. Os conflitos agora na sua maturidade chegam de forma ligeira. O movimento, a ciência, as amizades, os amores e a violência, são discutidos em cada verso e prosa deste livro de uma poesia regionalista. Marcado por uma época em que tudo se passa tão rápido. A vida não dá certeza, mas, mesmo assim, a certeza pode ser encontrada em períodos e fases quando estamos abertos para recebê-la. O sentir a lentidão do sentir é está distraído. Nesse movimento fui buscar o meu Agreste interior.
Com o intuito de chegar ao meu Agreste interno/interior, renasci em um encontro marcado com o Sertão. Na simplicidade interiorana envasada por um solo regional. Ah! Fui convidada ao renascimento no meu brio. Nele continha sentinelas adormecidas com aromas, sons, texturas e luz. Assim, nasceram as minhas primeiras poesias e crônicas do ano de 2021 e 2022.
Eu cá, digo logo, sou interiorana do Agreste da Jitirana, de alegria genuína e com um estandarte beleza. Como sou pernambucana de alma regionalista, não poderia de deixar de dizer que faço as linhas por onde o meu trem passa. Tenho um coração cheio de lembranças e memórias vivas. Por certo, digo agora que precisei regressar à minha melancolia latente, que permitiu o desabrochar em meio a uma pandemia da COVID-19.
A sensibilidade de a “A Jitirana Poética”, fez-me maestria no meu amor-próprio. Uma cientista do povo se fez poetisa junto do Sertão. Logo, o meu sentir me deixa atemporal com o meu mundo singular que mede o particular no universal.

A Autora
Maria José de Melo, natural de São Caetano município do Agreste de Pernambuco, atualmente morando em Jaboatão dos Guararapes-PE, Região Metropolitana de Recife-PE. Filha de camponeses, escritora, geógrafa, especialista em docência, mestre em serviço social e poetisa de eterna alma regionalista com pretensões de ser universal.
Citação preferida: “O pensamento da gente parece ser às vezes maior que o poder do lugar de onde nascemos, por isso se eterniza como universal.”
Autora do livro, “A Renda Fundiária na transposição do Rio São Francisco”, publicado em 2021, pela editora Índica. Em 2022, teve quatro participações em Antologia de Poesia, Crônicas e Conto e foi finalista no I Concurso Literário do Jornal A Nova Democracia. Escreve poema, crônica e romance. Atualmente é membro do Coletivo Literário Escribas e faz parte da Comunidade dos Escritores Admiráveis da Agência de Comunicação (LC). Está escrevendo o segundo livro em prosa longa: “Memórias Literárias de Amora: uma carta-manifesto” e um projeto de trilogia.

Alguns Poemas do Livro
Minibiografia da autora
Maria José de Melo, natural de São Caetano município do Agreste de Pernambuco, atualmente morando em Jaboatão dos Guararapes-PE, Região Metropolitana de Recife-PE. Filha de camponeses, escritora, geógrafa, especialista em docência, mestre em serviço social e poetisa de eterna alma regionalista com pretensões de ser universal.
Citação preferida: “O pensamento da gente parece ser às vezes maior que o poder do lugar de onde nascemos, por isso se eterniza como universal.”
Autora do livro, “A Renda Fundiária na transposição do Rio São Francisco”, publicado em 2021, pela editora Índica. Em 2022, teve quatro participações em Antologia de Poesia, Crônicas e Conto e foi finalista no I Concurso Literário do Jornal A Nova Democracia. Escreve poema, crônica e romance. Atualmente é membro do Coletivo Literário Escribas e faz parte da Comunidade dos Escritores Admiráveis da Agência de Comunicação (LC). Está escrevendo o segundo livro em prosa longa: “Memórias Literárias de Amora: uma carta-manifesto” e um projeto de trilogia.
Estandarte Beleza
Eu cá vou contar uma história
Disseram-me que merecia um estandarte
É! Eu sou Maria!
Divirjo de todo o mundo
Oh! “Que teimosia menina”
A minha mãe dizia
Eu sou pequena,
Mas dizem que sou gênia
Eu penso longe,
Nisso, mestre eu sou
Se você vier com fragmentos,
Eu vou lá e junto tudo
Eu vou à raiz do problema,
Gosto de rastrear as profundezas das coisas
Eu bebo água do rio seco
Lá da minha terra,
Mas bebo água do rio São Francisco
Rio profundo e salvador de um povo
Eu cá não perco uma ocasião
Para criar um estandarte
O Brasil ainda é semifeudal
Afirmar isso me deu dor de cabeça
Oh! Que teimosia!
Aqui, no Brasil, camponês não tira o próprio salário
O operário mal paga a cesta básica
Recuso-me a falar a capital de Roraima
A geografia é maior do que isso
Aprendi isso, de capital, na antiga quarta série
Meus poemas se chamam liberdade
Com disciplina
Ah! Essa é minha prontidão,
Aprendi com os camponeses
Não sei bem rimar
Rompi com a métrica
E tô brigada com a rima
Não consigo memorizar os meus versos
Pode ser falta de treino
Preguiça, menina!
A minha memória falha
Pra decoreba!
Não sei o que é,
Mas a minha memória é boa
Pra outras coisas
Não sei explicar!
Só sei que é assim,
Tô igual à Chicó!
Quando eu nasci,
Não tinha ninguém pra cuidar de mim
Minha mãe teve que se virar,
E eu também,
Com choro no escuro
Que atraso!
Ainda não tinha chegado à luz
O candeeiro foi acesso
Assim, nasceu no Agreste de Pernambuco
Lá em São Caetano
Uma menina, chamada Maria
No nupcial da flôr
Chamada
Jitirana Poética.
*
Eu e o Agreste da Jitirana
Fiquei por muito tempo procurando
Por um significado do meu nome,
Implicância de menina
“Paciência”, a minha mãe dizia
Para as minhas perguntas de cientista
A minha mãe dizia: “Estuda, Maria”
Coitada, ela não imaginava que seria tanto!
Ah! Agora tem que aguentar
Não consigo fazer outra coisa
Nem ligo mais para o que o povo diz
O duplo olhar da menina
De cientista à poetisa
Acho que herdei dos meus antepassados
Povo sofrido e uma gente telúrica
Daqui do meu Agreste de Pernambuco
Que fica encravado no Semiárido nordestino
Ah! A curiosidade sempre foi uma marca
A teimosia e o detalhe, traços persistentes
Eu já chego e digo logo!
Desde pequena, tinha argumentação pra tudo
Nasceu uma provocadora sem arrudeio
Eu sou Maria!
Na verdade,
Agora aprendi que precisamos sempre
Fazer o nosso nome
Redizer e esvoejar!
Não espere isso acontecer,
Apenas faça!
Penso como um rio
Eu gosto dos rios profundos
Sabe qual é o meu preferido?
O Rio São Francisco!
Guimarães Rosa dizia:
“O Rio São Francisco é profundo
Como o sofrimento dos homens”
Pois bem, é desse que eu gosto!
Coragem!
A vida nos ensina
Nasci na terra dos rios secos e salgados
De superfície rasa
E de terra batida
Como o seu povo vivos e sinceros
Digo uma coisa:
A Serra da Queimada é exuberante
Ah! No inverno, a névoa branca no topo
É uma poesia de inverno
Sempre fiquei me perguntando
Oxe! Como aquilo é possível?!
Que beleza esplêndida de interior!
Eu digo sem arrudeio:
A geografia se faz no dia-a-dia
No Agreste, ela é viva e presente
Eu a escolhi como ciência preferida
Criei o raciocínio geográfico ainda criança
Assim, me fiz geógrafa
Agora, digo mais,
Fechei-me no meio da Caatinga;
Criei o meu próprio mundo
E ele começa lá no Agreste quente e seco
Do meu Pernambuco imortal
A Roma dos bravos guerreiros
Sem arrudeio, digo logo,
O meu mundo é encantado
Oh, sim! Tem que ser!
Um escape da realidade
Que parece, às vezes, ser cruel
Isso me possibilitou criar uma personagem preferida
Adivinha quem é: eu mesma!
A necessidade de afirmar-se como protagonista
A busca pela superação
Uma filha do Agreste
Autêntica, reluzente e resiliente
Como a caatinga
Antes de tudo, forte.
Eu assim me fiz
Com brio de sempre
Uma interiorana do Agreste da Jitirana
Não queira mudar o meu ensejo!
Abram o sendeiro para a nova literata
Deixem meu verso ecoar!
Outro Livro da Autora
A transposição do rio São Francisco é uma obra tão esperada quanto imensa. Com a finalidade de aplacar as severas secas periódicas que se abatem sobre o sertão nordestino, a obra bilionária trouxe vastos impactos sociais, ambientais e econômicos ainda pouco estudados e conhecidos. Instigada por esta lacuna, a geógrafa Maria José de Melo realizou sua pesquisa de Mestrado em Serviço Social na Universidade Federal de Alagoas, cuja dissertação deu origem ao livro A RENDA FUNDIÁRIA NA TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO: Uma análise da propriedade camponesa no Alto Paraíba, publicado em março pela Editora Índica.
O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados. | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2300 Reais)
Impressão Gráfica | 600,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 600,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00

