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O Livro
meu silêncio lambe tua orelhanitidamente nos remete ao universo feminino numa dimensão diversificada e vasta. A poeta parte das citações de outras escritoras e embrenha-se com maestria em cada palavra para escrever o poema, não só acatando o sentido na sua interpretação, mas criando um corpo que complementa as premissas. (...) Muito mais que isso, a elasticidadedos silêncios devora o corpo desde as entranhas até a alma, quando escancara a sua compreensão de mundo, vivência esta que exercita freneticamente.
— Vania Clares. Escritora

A Autora
Marta Cortezão (@martacortezaopoeta) nasceu em Tefé, no Amazonas. É escritora e poeta. Possui publicações em antologias nacionais e internacionais. Livros de poesia publicados: “Banzeiro manso” (Porto de Lenha Editora, 2017), “Amazonidades: gesta das águas” (Penalux, 2021), Zine “Aljavas para Cupido” (2022). “meu silêncio lambe tua orelha” (TAUP, 2023) é seu terceiro livro de poesia. Colunista da Revista Literária Voo Livre. Idealizadora das Tertúlias Virtuais (Prêmio APPERJ/2021), do blog Feminário Conexões e, em parceria com Patrícia Cacau, do Projeto Enluaradas.

Comentários
“(...) minha compreensão dos seus poemas é mais do que um sentir vasto, não saberia nomear o que sinto ao lê-los, como não sabe dizer o que sente, aquele que penetra libidinosamente no corpo do amado (...) A tua linguagem me adentrou, me colocou no corpo dela, de tal forma que nos tornamos um só corpo. Sou demasiadamente o corpo da tua linguagem meta, só ela é capaz de fazer vir à tona esse entranhamento.”
— Teresa Cristina Bendini. Autora dos livros Krenak, o menino dos braços compridos,
Amor em Azul, entre outros.
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No poema “pés híbridos”, “a voz lírica anseia escavar os mistérios profundos do ser, indagando as causas primeiras do seu desejo de se fazer ponte entre a palavra e a materialidade. O verbo serpenteia, insinuando-se na cadência ritmada das constantes ondas de um mar primordial. No movimento de águas profundas encontra o sal e a essência feminina da criação. Então o poema se faz: manifestação da semente que brota para dar forma ao verso, ao fruto da rebeldia do seu ventre de poeta.”
— Heliene Rosa. Escritora, professora e pesquisadora.
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Em seu poema corais de pássaros, Marta Cortezão se diz “estar feita de silêncios”. Isso é bom. Isso é muito bom! Para alguém que tem alma de rio – as ideias, invenções e desejos em fluxos irrefreáveis – são nessas brechas da lida que a poeta encontra saídas para os aranhóis da vida e dá de comer às aves famintas em sua garganta, sinfonizando pássaros e poesia. Um silêncio prenhe de palavras, cantos, gritos. O que resultará, senão poemas, canções, manifestos; senão A VOZ?
— Dani Espíndola. Escritora e poeta. Autora do livro Elvira Virgínia, entre outros.
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Os versos que compõem o poema urgências desenham a necessária epifania do corpo-palavra e o laborioso, preciso e árduo processo da escrita criativa. O eu-poemático invoca a oferenda da poesia para enchê-lo de essências que o torna prenhe de vazios, tanto no papel, quanto no corpo. Há uma analogia com as urgências dos corpos e a mansidão ensurdecedora dos silêncios das coisas fugazes e atemporais. Não se trata de qualquer corpo, mas do corpo sensível capaz de acolher as conexões que ressoam das forças do silêncio e das inutilidades. Assim, a oferenda purifica o corpo das dores e das violências que lhe tingiram a pele, permite com que ele transborde em elementos líricos.
— Elizabete Nascimento. Escritora, professora e pesquisadora.
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distopias é um poema que nos atravessa, feito dor, mas nos incita à luta, eis meu primeiro sentimento ao ler estes versos de Marta! Desnudando nossa alma e corpo, a força da sua escrita, em diálogo com a potente fala de Malala, nos leva à busca daquela voz interior, tão feminina, tão presente, mas tão silenciada... Este poema é um grito de afirmação a tudo o que não tenha, irrestritamente, verdade e amor.
— Rosangela Marquezi. Escritora, professora e pesquisadora.
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geossintaxe éum poema sussurrado por voz afrodisíaca: interroga, induzindo a resposta; oculta, sugerindo onde encontrar; provoca a memória silenciada a vislumbrar um futuro sonoro. Cai na alma como escudo e inspiração. É assim que me toca o poema deMarta. A força que emerge da voz poética feminina que sabe de si e de outras, da língua e do mundo, da luta e do amor.
— Lucila Bonina. Poeta, escritora e professora.
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O belo poema mar de diásporas, de Marta Cortezão, me faz pensar em aberturas: é um corpo/fortaleza que se deixa acariciar pela chuva e que abaixa suas defesas apenas para o sublime, como as partículas de nuvens. A chuva que banha esse corpo solitário traz a memória de lágrimas, mas também aquela da nutrição da terra, o que me faz vê-lo cheio de desejos, entre os quais o desejo de conexão, percorrendo o mundo, nutrindo a si mesmo e aos que encontra em seus caminhos.
— Lindevania Martins. Autora dos livros Teresa decide falar, entre outros.
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Alguns Poemas do Livro
Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso.
{Clarice Lispector}
corais de pássaros
estou feita de silêncios
girassóis sinfonias de pássaros
botões de rosas corais máscaras
arrebóis alquimias penitências
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voo pássaro na geografia
giro canções mascaro-me sóis
coro rosais sinfonizo poesia
sou panaceia abissal aranhóis
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penitencio silêncios alquímicos
na garganta: pássaros famintos
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Pueden dispararle a mi cuerpo, pero no pueden dispararles a mis sueños.
{Malala Yousafzai}
distopias
já não me serve
a desmedida do olhar
não me serve a crueza
que dilacera verdades
e mentiras tão óbvias
em minhas trêmulas carnes
não me serve a mão
manchada de sangue
que mutila sonhos imensos
não me serve a demagogia
que devora humanidades
o que me serve
é o que me sente
a dor que me (des)veste
é este elo benévolo
perdido no tempo
este coração humano
raquítico e doente
gritando no peito
a dor insana
de ser gente
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Você tem uma história dentro de você; ela está articulada e esperando para ser escrita – por trás do seu silêncio e sofrimento.
{Anne Rice}
urgências
dá-me a outra face do papel
para que eu possa encontrar-te
no próximo verso tórrido de amor
não me roubes as palavras
pois me é difícil reinventá-las
neste caos que me completa
tudo o que é atemporal me urge
neste átimo de eternidade tão fugaz
que esvazia o verbo
e me enche o punho de angústia
deixe-me untar-te inútil corpo
com fresca e divina ambrosia
e gozar-te plena, poesia!

O Toma Aí Um Poema
O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
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Orçamento - 36 exemplares (1440 Reais)
Impressão Gráfica | 300,00
Material de envio e frete | 250,00
Serviços Editoriais | 850,00
Margem de segurança | 40,00
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Superação da Meta: todo o valor líquido arrecadado que supere os gastos da publicação será repassado para a autora.
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