Conheça a campanha
É de conhecimento geral a dificuldade de se publicar livros acadêmicos, seja por conta dos custos elevados de produção desse tipo de material ou pelo mísero incentivo de tal prática em nosso país, principalmente nos últimos anos, em que a universidade sofreu muitos cortes de verbas e múltiplos ataques do governo anterior.
Nesse sentido, o selo acadêmico da editora Urutau — Margem da Palavra— busca viabilizar a publicação acadêmica por meio de uma política de pré-vendas.
Tradicionalmente tais publicações são dependentes do pagamento das pesquisadoras e pesquisadores ou de algum tipo de fomento do Estado. A parceria entre autoras/autores e editora tem como objetivo viabilizar a publicação diminuindo os impasses financeiros que tornam a materialização da pesquisa em formato livro viável.
A pré-venda garantirá a produção, a circulação e o pagamento de 10% de direitos autorais em livros para quem os escreveu.
Essa pré-venda é de Luis Felipe Abreu para a publicação de sua pesquisa: "A linguagem não pertence”: fantasmas da propriedade na literatura contemporânea" no formato livro.
As primeira meta é para a publicação de 50 exemplares e o valor minímo para isso é R$ 4.500,00.
Esse valor cobrirá os seguintes custos:
Preparação e revisão de texto;
Diagramação;
Capa;
Coordenação editorial e gráfica;
ISBN e ficha catalográfica;
Impressão dos livros no formato 16x23 cm, papel pólen 90 gr;
Frete de envio dos livros;
10% de direitos autorais.
Sobre a pesquisa:
“Uma linguagem não é algo que pertence”.
A sentença de Jacques Derrida, proferida em uma das últimas entrevistas dadas pelo filósofo, em 2004, serve de ponto de partida para a investigação deste livro. A frase é tomada como pista, evidência policial de um problema na cena da literatura contemporânea: se o autor está morto, por que não cessamos de falar dele? Além disso, permanece a dúvida central de qualquer crime: quem o matou? Quem lucra com seu fim?
“A linguagem não pertence” se articula como um relatório detetivesco em torno dessas questões, buscando entender a cena contemporânea de escrita e sua obsessão com a apropriação e a reescrita. Escrita Não Criativa, pós-produção, literatura remix, escrita sem escrita: o século XXI tem visto uma saturação de estratégias que retomam e repisam o argumento da irrestrita liberdade de ir e vir dos textos, seu potencial infinito de furto.
Para entendê-lo, Luis Felipe Abreu persegue suspeitos como Roland Barthes, Jorge Luis Borges e Oswald de Andrade, em uma arqueologia da recusa da autoria individual no pensamento crítico do século XX. Porém, seguindo ainda Derrida, principal parceiro nesta investigação, Abreu entende que não há tradição que não se desconstrua: sua pesquisa acaba enveredando pelos becos escuros da tradição da teoria literária. Neles, parece permanecer ainda algo de fascínio para com a questão da posse do texto. Diante disso, se faz preciso provocar: roubar uma obra, uma frase, uma citação, é negar a sua propriedade ou só trocá-la de mãos?
As duas linhas dessa investigação se encontram nas análises, na segunda parte do texto, quando são realizadas leituras em profundidade de três caso distintos de apropriação no contemporâneo. Primeiro, é discutido o caso das apropriações de livros de Borges pelos escritores argentinos Agustín Fernández Mallo e Pablo Katchadjian –processados por plágio pelo espólio do autor. Na sequência, pensa-se a Escrita Não Criativa de Kenneth Goldsmith e suas contradições, entre a cópia e a assinatura. Por fim, são discutidos poetas brasileiros contemporâneos, como Alberto Pucheu e Verônica Stigger, que esticam a corda da apropriação ao proporem uma escrita com o discurso público, pretensamente sem dono.
Ao final, essa investigação – como todo bom romance noir – responde a cada pergunta com outra questão, concluindo a existência uma conspiração maior. Aqui, a linguagem se faz falsear, passar de mão em mão, para melhor possuir, como um fantasma, aqueles que se atrevem a tomá-la.
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Pesquisemos!