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O Livro
Em tempos de guerra
cabe transformar os abismos da desigualdade social
em trincheiras!
LINHA-DE-FRENTE-DA-POESIA reúne uma série de textos que reivindicam, à política, a importância da poética, e que fazem, destes versos, trincheiras para a linha de frente desta guerra.
O Autor
Jhonatan Carraro é professor, escritor, rapper e ator, licenciado em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Em 2018, escreve, monta, dirige e atua o solo “Devir-Cão, ou a mordida dos cínicos”, peça que recebeu destaque no circuito universitário local. Ainda conhece pouco de poesia, mas decidiu ser poeta e escreve. Em 2021, estreia na literatura com a obra “Poesia para as Ágoras de Agora – o poema na linha de frente, o poeta no campo de batalha”, lançado pela Editora Kazuá. No mesmo ano, e sob o nome artístico de CÃO, lança seu primeiro single, “Dissprezo ao Presidente”, disponível no YouTube, Spotify e demais plataformas de streaming. Ainda quer tocar bateria e sonha em fazer solos mirabolantes de guitarra. Um dia talvez, velhinho.

Alguns Poemas do Livro
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.
Não é bala perdida
nunca foi bala perdida.
Se quiser se mudar as coisas.
é preciso nomeá-las como elas são...
.
A bala é feita para matar!
E se a bala erra seu alvo, portanto
se a bala não mata...
essa sim, é uma bala perdida.
.
No entanto, se a bala
mesmo em trajetória errante
acerta!
Aí, não é bala perdida.
Aí, é uma bala ??????????
(no corpo de alguém).
.
É uma bala que, no encontro com o corpo
encontra a si própria, ou seja
o seu próprio devir como bala.
Não é bala perdida.
Nunca foi bala perdida.
A bala ????? para a morte!
...
Aliás, a bala perdida
tampouco se mostra tão perdida assim
nas estatísticas.
Ali, entre as vítimas
predomina a pele negra e retinta.
O alvo não têm a pele alva...
.
Não é bala perdida
quando a bala encontra um corpo
na periferia.
Convenhamos, se a política é genocida
a bala... cumpriu o seu objetivo
.
Bala perdida? mesmo? Só em Alphaville!
A bala atravessa os jardins do bairro nobre
e se pergunta: "o que é que eu to fazendo aqui?"
Mas na favela? Não, me desculpem
ninguém se perde centenas de vezes no mesmo lugar...
...
Bala perdida
é uma expressão cínica
que tripudia das tripas
coração que se espalha nas calçadas
.
Bala perdida
é a mais nova pedida
é a mais pedida
para assinar os relatórios
.
Bala perdida
na cabeça, nas costas, no tórax
Bala perdida ali, onde ela não se esconde
e se mostra! em toda sua letalidade
.
Bala perdida
é uma justificativa que não justifica.
É uma justificativa que só ?? justifica
(no cinismo que lhe é própria...)
...
Mas, um dia...
a bala perdida da glock
será encontrada na glote
de quem atirava!
Estejam avisados! Enquanto eu for o Poeta
o meu texto será sempre o verbo
de um verso que saiu pela culatra...
?.?:
Na minha Poesia não tem bala perdida
cada rajada é um verso que tem endereço.
A trajetória da bala é retilínea, o papo é reto!
O Poeta atira! mas também expõe o peito...
*
UMA FESTA DANADA
O inferno de uns
é o paraíso (fiscal) de outros...
No meio dos papéis de pandora
encontraram um encouraçado
brasileiro internacional
offshore, for sure
uma empresa que não produz nada
nas ilhas virgens, desvirginadas
pelo capital.
.
O presidente do banco central
e o ministro da economia
envolvidos até o cu
nessa cuestão aí.
Ocupando cargo público
em conflito de interesse com o privado.
O nosso cu
cada vez mais afundado na privada.
.
O patrimônio de uns
é a fome de outros!
Quando o Guedes vai ao restaurante
o prato que ele pede
é um escondidinho...
de sobremesa, um legítimo chocolate suíço.
”Para estancar a sangria
vamos cortar na carne!”
(da população...)
.
Assim, o gado do Guedes não percebe
que é da própria carne que se corta o bolo
aumentando a fatia
de quem sempre teve o maior pedaço.
E a nossa fatia, fica à míngua...
aos farelos
.
Foda-se o Neymar
e quem mais tiver conta no Panamá
Tony Blair e a Rainha da Inglaterra
Whatever
foda-se também a Shakira.
Viva Vanderlei Luxemburgo
mas foda-se quem tiver conta em Luxemburgo.
Se imposto é roubo
sonegação é latrocínio
falta recurso no postinho
e o pobre é quem paga a conta.
.
O que era entreposto colonial na modernidade
serve de paraíso fiscal no contemporâneo.
O mundo todo é uma ilha
mas o money mais brilha
nas ilhas da Coroa Britânica.
.
O imposto não é imposto
para o 1% mais rico do globo.
a mordida do Leão, o grosso
cai sobre o povo, sobre o consumo.
A dívida de uns
é a rentabilidade de outros.
E o salário... é só o pó
aumentando a liquidez do investidor.
Isenção fiscal pra quem já tem muito
e que por isso,
sempre consegue acumular mais um tanto.
Mas ver quem não tem nada, defendendo tudo isto?
São os postes mijando nos cachorros...
(Poema escrito em Outubro de 2021, em referência as informações reveladas pela investigação Pandora Papers. Entre elas, a de que o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, possuíam offshores em paraísos fiscais durante o período em que ocupavam estes cargos públicos.)
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema