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Quase uma confissão
Escrever este livro foi um resgate da minha história, de sonhos, derrotas e realizações.A construção do Sistema Único de Saúde (SUS), feita a muitas mãos, fez parte desta minha trajetória. Muitos que protagonizaram juntos o movimento da Reforma Sanitária, irão se reconhecer em histórias que escrevi.
Alguns relatos foram enriquecidos com cor e leveza por meio das aquarelas da artista plástica Lia Maria.
A ideia de um livro com financiamento coletivo, além de necessário, também me seduz pelo caráter da cooperação, tão necessária na prática social da saúde. Convido você, possível leitor para a realização deste sonho juntos.
Você pode me ajudar?
Todos os dias fazia contato com as duras histórias de vida das famílias do Vale do Jequitinhonha. Aprendia e ensinava com cada uma delas. A dor dos excluídos sempre foi dilacerante na minha alma.

Desta forma, as Escolas Técnicas do SUS estavam sendo fortalecidas. Viajar mensalmente para Salvador soava como uma recompensa. Podia nos finais de tarde, depois das aulas, caminhar pela região, conhecer de perto os costumes locais e explorar de forma divertida parte da cidade.

Não queria perder noites de sono pensando naquele cenário, naquela derrota. O sentimento de fracasso era muito grande, mas engoli a dor. Fui dura comigo ao não extravasar os sentimentos. Fiquei em silêncio e me comportei como se nada de extraordinário tivesse acontecido.

Precisava ver todas as coisas, porém sem me apegar a nenhuma delas. Trabalhar intensamente, mas sem me prender aos frutos do trabalho. Não envaidecer por causa das vitórias nem me frustrar com as aparentes derrotas.

