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O Livro
O Poesia em Quarentena surgiu da necessidade de carimbar em papel o grito abafado pela máscara de proteção contra a COVID-19. É um compilado de textos escritos durante o período de quarentena no Rio de Janeiro e se estendeu até o fim da pandemia. Ele veio com raiva, sem agenda e intenção, com palavras extirpadas de um lugar impotente e até infantil de quem anseia por acordar do pesadelo da Doença, da Morte e do Tempo.
O livro é dividido em dois momentos e conta com a co-autoria da ilustradora e tatuadora Suliée Pepper, que compõe belíssimamente a obra com suas ilustrações baseadas nos textos e em suas experiências pessoais. A primeira parte chama-se Poemas da Quarentena e é permeada pela angústia direta de se estar trancafiada e sem perspectiva; já a segunda, Poemas na Quarentena, veio do confronto direto com questões diversas que já existiam, mas que foram confinadas junto à escritora, que não aguentava mais o terrível barulho que elas faziam.
Esperamos que esse livro seja catártico a todos que seguem existindo depois – e apesar – da pandemia, ao passo em que também sirva de registro desse período tenebroso que nos marcou muito mais do que conseguimos, enquanto sociedade, assumir e dimensionar. Por fim, que lembremos do crucial papel da arte em sublimar até os sentimentos mais imaturos e emaranhados, arrancando beleza de onde menos se espera.
As Autoras
Yasmin El-Hage é professora e multiartista: burlesca, circense, dançarina, musicista e, nas horas nada vagas, mestranda em Ciência da Literatura na UFRJ, onde também se formou em Letras.
Entre uma cerveja e um vinho, alterna personalidades ao contar as próprias histórias, sempre mirabolantes — sabiam que já fui alvo de facas no circo? — e falar do quanto é apaixonada pelo caos da sua cidade e tudo que a compõe.
Começou a usar a escrita enquanto leitura da realidade aos nove anos e acredita que essa criança sempre comparece quando hoje pega seu caderno e as ideias fluem. Gosta mesmo é da literatura atropelada por pensamentos, cheia de associações livres e selvagens e não tem muita paciência com parnasianos.

Suliée Pepper, carioca desbravando o mundo aos 42 anos, artista plural: tatuadora, ilustradora, burlesca. Mas, antes de tudo, amiga, irmã de vida, de amor e entusiasta das emoções e palavras de Yasmin. Entrei nesse projeto para traduzir em cores, sombras e formas um dos momentos mais trágicos da nossa sociedade atual. Acredito na arte enquanto acalanto e torço para que cada ilustração, cor ou respingo se moldem aos olhos de vocês dando contornos aos sentimentos mais emaranhados que restaram dessa pandemia.

Alguns Poemas do Livro
QUARENTENA I
Muito tentei escrever sobre a quarentena de uma outra perspectiva,
Mas só conheço a minha,
com a qual estou confinada todo esse tempo
Ainda que eu tente dormir, o faço para que o amanhã chegue mais rápido
Estar presa comigo é ter que enxugar as lágrimas que eu mesma derramei
Resultados de dores que eu mesma me causei
Passei os últimos meses me esquivando
para ser trancada com meus medos sem previsão de soltura
Então tomei vinho com eles
Dançamos, rimos, compartilhamos músicas que meus ouvidos há muito se recusavam a
ouvir
Eu não aguentava mais fugir com medo de não aguentar ficar
*
QUARENTENA V
Tenho evitado lembrar da Rua que há lá fora para não sentir tanto a falta que ela me faz.
Mas a Rua está nas paredes do meu quarto, nos meus cadernos, nos livros, na saia
amarrotada no armário e nas solas desgastadas dos sapatos.
Vivo como se tivessem tirado a Rua de trás da minha porta. Ao abri-la, não encontraria
mais que o vazio.
E temo que isso seja mais concreto do que posso admitir.
A Rua são pessoas, vida, movimento. Nem sempre alegrias, mas sentimentos dos mais
nobres.
Sentimentos esses que suspendi para evitar que venham arrebentando as estruturas já
frágeis das barragens que criei entre mim e a realidade.
Mas hoje, tiraram um choro dum violão aqui perto e prontamente ele se tirou do fundo do
meu peito também, ecoando no tal vazio que um dia já foi o que me completou.
*
MICROCONTO LACANIANO
Em telefonema com minha analista:
— Como vão as coisas? Tudo sob controle?
— Vão bem, tudo sim!
— Controle é uma ilusão.
— ...
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados. | 1 milhão de players

Orçamento - 50 exemplares (2300 Reais)
Impressão Gráfica | 600,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 600,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema