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Enquanto eu me desfazia em suor ao pedalar por aquela estrada empinada, escaldante e cheia de pedregulhos, me questionando sobre os porquês de estar ali, algo extraordinário aconteceu. Um senhor, aparentando ter cerca de 90 anos, caminhava com a coluna arqueada na minha direção. Usando sandálias de couro, roupa folgada e um turbante branco na cabeça, ele carregava duas sacolas pesadas e se aproximou a uma distância intimidadora. Quando chegou perto de mim, o velho largou as bolsas no chão, colocou as mãos em meu pescoço e transpassou o meu olhar com seus olhos brilhantes, sustentando a mirada por intermináveis instantes. Em seguida me deu um abraço e um carinhoso beijo no rosto. Sorrindo, ele me disse algo que não entendi, mas que só podia ser bonito. Sorri de volta. Vendo que eu estava transpirando, o ancião abriu dois botões da minha camisa e sacudiu-a para me refrescar. Na sequência, tirou uma garrafa de água das bolsas, molhou as mãos e as passou no meu rosto, que naquele momento estava inundado de suor e lágrimas.
- Mashallah! - ele disse.
Mashallah – do Ártico à Ásia de bicicleta conta parte da jornada do escritor Israel Coifman que saiu do sul do Brasil e pedalou mais de 27 mil km através de 31 países entre 2016 e 2019. Após cruzar o Círculo Polar Ártico, Israel teve seu olhar transformado pelas auroras boreais e, como consequência, entregou o comando de sua bússola interna à própria intuição. A jornada de autoconhecimento o levou às curvas sinuosas da antiga Rota da Seda para se encontrar nas montanhas do Tajiquistão – mas, antes, foi necessário cruzar a Europa de norte a sul no início do inverno. O livro é uma mescla de diário de bordo, narrativa de aventura, história e reflexões das experiências vividas em 19 países: Dinamarca, Finlândia, Rússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia, Romênia, Bulgária, Turquia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão. É um manifesto sobre como não se aprisionar no próprio grito de liberdade e permanecer no sonho, mesmo que a viagem acabe.

A paixão pelo esporte levou Israel Coifman ao jornalismo, profissão que lhe apresentou o mundo. Trabalhou em Olimpíadas, Copas do Mundo e com conteúdo publicitário entre agências e emissoras de TV. Atravessou as Américas de carro como documentarista, mas foi com uma bicicleta carregada e acampando em alta montanha que ele se encontrou. Israel saiu do sul do Brasil e pedalou quase 28 mil quilômetros através de 31 países até chegar às montanhas do Quirguistão. De lá, veio a inspiração para assumir os hábitos de estrada como permanente estilo de vida, escrever seu primeiro livro e habitar, definitivamente, a própria liberdade.
Foto: Israel Coifman / Suécia (2019)

A navegação do livro se dá através de 11 mapas ilustrados, que vão abrir blocos de capítulos para situar o leitor em qual região do mundo ele está no livro. Os capítulos, compostos de relatos e reflexões, estão espalhados por esse mapa e aparecem (quase sempre) na cronologia da viagem.

O miolo do livro é arrojado, com margens internas um pouco mais largas que as externas para dar mais conforto ao segurar para ler. Cada capítulo abrirá com um cabeçalho com data, cidade, país e coordenadas do local de destaque do texto.

E, claro, não poderia faltar imagens para ilustrar esse livro, que é repleto de aventuras em lugares cinematográficos – muitos deles, desconhecidos para a maioria dos leitores.


Dados Técnicos
Formato: 16x23cm
Miolo: Papel Polen Natural LD 70gr
Capa: Papel Supremo LD 250gr Laminação Fosca
Caderno colorido: 16 páginas
Miolo: Aproximadamente 300 páginas








