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O Livro
Melodias Silenciosas, de Jullian Lemos, é uma antologia poética que percorre os caminhos do amor e da perda, compondo um retrato sensível das emoções que nos atravessam ao longo da vida. Reunindo versos escritos em diferentes momentos, o livro reflete a busca pelo amor — por si e pelos outros — e as cicatrizes deixadas pela sua ausência. Com uma escrita íntima e envolvente, o autor transforma sentimentos em poesia, criando melodias que, embora silenciosas, ressoam profundamente no coração de quem lê.
O Autor
Jullian Lemos é um homem transgênero autista, de 22 anos, graduando em Letras - Inglês na Universidade Federal de Sergipe, com foco em literatura. Na mesma instituição, atua como professor bolsista em formação e pesquisador. Apaixonado por literatura desde a infância, escreve desde os 12 anos, quando compôs A Rosa, poema que integra Melodias Silenciosas. O título do livro reflete sua forte ligação com a música, que inspira sua escrita — versos que, embora sem som, carregam a intensidade de melodias que ecoam na alma.
Alguns Poemas do Livro
A Rosa
Aquela rosa,
Aquela rosa sem nome,
Aquela rosa que não chora,
Aquela rosa que não sorri,
Aquela rosa que não ora,
Aquela rosa que não fala,
Aquela rosa que não anda,
Aquela rosa que a mulher ama,
Aquela rosa multicolorida,
Aquela rosa viva,
Aquela mesma rosa inexpressiva.
Desbotar
Eu nunca desviei
Nunca te evitei
Nunca deixei
Ou sequer considerei
Como não deveria, amei
Como não poderia, perdoei
Era o que conseguiria, te abracei
Só o que sabia fazer, me doei
Cada pedaço de mim, te dediquei
Não te impediu de nos desviar
Não te impediu de me evitar
Não te impediu de me deixar
Deixar implorando por uma gota de teu amar
Um amar que não poderia me quebrar
Não te impediu de me deixar implorando para conseguir respirar
Se ao menos você soubesse respeitar
Não te impediu de me afundar
Junto da tua alma num tenebroso mar
Não te impediu de manipular
Me fazer acreditar que era ali que eu deveria estar
Não te impediu de me desbotar
Levar toda minha alegria e minha capacidade de amar
Você não hesitou em me matar
Com memórias que nunca conseguirei apagar
Mil e um eus
Eu sinto como se vivesse o maior amor do mundo
Que não para por um segundo
E que é algo profundo
Eu sinto que meu coração está em pedaços
Que todos os meus eus são palhaços
Que nossos dias eram escassos
Eu sinto, em mim, mil capacidades
Eu sinto que terei várias propriedades
E que isso é só a realidade
Eu sinto que falhar virou rotina
Eu sinto que perder é minha sina
Eu sinto que não há mais rima
Eu sinto que meus amigos me amam de verdade
Eu sinto que deixaria saudade
Eu sinto que eles veem minha melhor parte
Eu penso em mil mundos
Eu briso em mil fumos
Eu caio mil vezes
Nesse eu vagabundo
Isso tudo
Em um minuto
No qual eu mudo
De modo súbito
É o cúmulo do caos
O quanto esse mundo é mau
E eu quero ser o tal
Que leva tudo ao normal
São tantas versões de mim
Tanto tempo ruim
Tanta flor morta no jardim
E eu só penso no fim
Ainda Estou Aqui
O verão chegou
O calor maltratou
O rio secou
O imposto aumentou
A burguesia festejou
O dono de casa chorou
Mas o povo ainda está aqui
A corda quebrou
O violão desafinou
A voz cessou
Mas a música ainda está aqui
Ela o magoou
Com ele, ela gritou
Disse que jamais o amou
Mas ele ainda está aqui
Ele chorou
Ele se isolou
Seus sentimentos ele matou
Mas mamãe ainda está aqui
Ela não julgou
Ela perdoou
Ela rezou
Mas o medo ainda está aqui
Ele se tratou
Ele se medicou
Ele se cuidou
Mas aquele pesadelo ainda está aqui
Seu melhor amigo lhe abandonou
Sua sanidade lhe deixou
Seus pulsos ele cortou
Mas seu coração ainda está aqui
Com seus filhos, ela chorou
A seu marido, ela não perdoou
E de casa, o expulsou
Mas o amor ainda está aqui
Seus sonhos ele realizou
Sua família se orgulhou
Seu filho, nele se inspirou
Mas a dor ainda está aqui
Sua mente lhe deixou
Sua esperança acabou
Seu brilho dissipou
Mas seu sorriso ainda está aqui
Aster
Eu me apaixonei por uma estrela
Que nunca parou de brilhar pra mim
E isso não se nomeia
Eu me apaixonei pelo céu
Pois por ele anseio
E não tem como colocar no papel
Eu me apaixonei pelas nuvens
Pois elas lavam meus medos
E deixam as virtudes
Eu me apaixonei pelo vento
Pois ele me alivia
E me levanta quando não mais aguento
Eu me apaixonei pela floresta
Pois seu cheiro me lembra de casa
E ele infesta
Eu me apaixonei por você
Pois você tem tudo isso
E quase ninguém vê
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.
O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.
Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:
📖 1k+ autores lidos
✍️ 1k+ escritores publicados
🎧 1 milhão de players
Com sua trajetória, o projeto segue ampliando o alcance da produção artística, promovendo conexões e transformações através da palavra.
Contato
@tomaaiumpoema