Conheça a campanha
No Brasil, quem conta nossa história?
A História que muitos de nós aprendemos é contada de forma linear, tendo como personagens principais algumas figuras nada heróicas. A memória de colonizadores, ditadores e exploradores vai se consolidando como referência positiva no imaginário das cidades, através de estátuas, nomes de ruas, monumentos e outros suportes. Mas, essa narrativa vem sendo questionada. Movimentos sociais e pesquisas recentes buscam as vozes de militantes, trabalhadores, populações afrodescendentes e indígenas, mulheres e outros grupos marginalizados, em suas lutas por direitos e reparação. Quando ouvimos às chamadas "memórias difíceis", surge uma nova forma de contar a História, atenta às violências e apagamentos de grande parte da população.

(Ataque à estátua de Borba Gato. Fonte: Gazeta do Povo, 03/10/2021)
Este questionamento ético sempre esteve presente nos trabalhos da professora Myrian Sepúlveda dos Santos, que organizava junto à sua equipe um livro e um seminário sobre as memórias difíceis, quando faleceu em março de 2024. O projeto concorreu aos editais da Fundação Carlos Chagas de Apoio à Pesquisa (FAPERJ) e obteve aprovação. O livro está pronto para impressão, mas, devido ao falecimento da organizadora poucos dias antes de sua finalização, a equipe foi impedida de usar a verba.
O livro
O livro "Lugares de Memórias Difíceis no Rio de Janeiro" tem como objetivo trazer à tona lugares de lembranças difíceis ou apagadas – da diáspora africana, da cultura indígena, da tortura, de violências, das lutas das mulheres, de tragédias ambientais e humanas, além de não-lugares que demonstram a negligência do Estado no seu trabalho de demarcação e reconhecimento. É uma publicação que reúne mais de 50 pesquisadores, jornalistas e ativistas sociais, escrevendo sobre um tema atual e necessário. Traz ainda uma seção de fotos do talentoso Custódio Coimbra. São 480 páginas em papel de altíssima qualidade, lindamente ordenadas em 7 blocos temáticos - "Memória indígena", "Memória africana", "Ditadura militar", "Violência policial", "Desastres ambientais", "Mulheres, luta e resistência" e "Outras memórias" - e um posfácio com poesias e fotos.
APRESENTAÇÃO
Lugares de memórias difíceis do Estado do Rio de Janeiro - Myrian Sepúlveda dos Santos, Ana Paula Fernandes e Gabriel da Silva Vidal Cid
MEMÓRIA INDÍGENA
Histórias insurgentes: indígenas no estado do Rio de Janeiro
Coordenação: José Ribamar Bessa e Ana Paula da Silva
Sambaqui de Camboinhas - Vicente Cretton
Os lugares de memória indígena, no Vale do Paraíba Fluminense – Marcelo Lemos
Terra Vermelha Centro de Referência Indígena – Beth Medeiro
Igreja dos Jesuítas e memória indígena em São Pedro d’Aldeia – Vicente Cretton
Caminho Ancestral da Glória – Mariana Várzea
Cheiro de fumaça, odor de preconceito: duração e fluidez entre os Mbya de Sapukai – Ana Paula da Silva
MEMÓRIA AFRICANA
Memória africana no Rio de Janeiro: silêncios visíveis
Coordenação: Gabriel Cid
Laroiê! Caminhos abertos para o Nosso Sagrado – Mário Chagas
Cais do Valongo e a memória da diáspora africana – Márcia Chuva/ Leila Aguiar/Brenda Coelho
Cemitério dos Pretos Novos: entre visibilidade e silenciamento – Simone Vassallo
Largo de Santa Rita: memória e reparação da escravidão – Márcia Leitão Pinheiro
Quilombo Sacopã, memórias atualizadas da infâmia – Luz Stella Rodríguez Cáceres
A “cabeça” estratégica de Zumbi dos Palmares na cidade negra do
Rio de Janeiro – Angélica Ferrarez
Os Caminhos de Maria Conga, Magé – Rio de Janeiro – Ana Paula Alves Ribeiro
TORTURA DURANTE A DITADURA MILITAR
Ditadura militar
Coordenação: Joana Ferraz
Arco da Maldade: o passado encontra o futuro – Barbara Goulart
Memórias em disputa sobre a “Cidade Imperial” e a Casa da Morte de
Petrópolis: a atualidade da luta – Diego Grossi e Roberto Schiffler
Memorial de Ricardo de Albuquerque – Rafael Maul de Carvalho Costa
Busto de Rubens Paiva, em frente ao quartel do DOI-CODI: um marco
da resistência – Beatriz Paiva Keller
Edifício do DOPS: um passado presente – Felipe Nin
Marcas da cidade e lugares difíceis de memória: o Estádio Caio Martins – Anelise Vieira
VIOLÊNCIA POLICIAL
Violência policial
Coordenação: Márcia Leite
Memórias não monumentais do Jacarezinho – Adriana Fernandes e Sandra Gomes
Chacina de Vigário Geral – Joana Ferraz
Amarildo: 10 anos de muitas mortes – Palloma Menezes
A Chacina do Borel: vinte anos de memória e luta - Maria Dalva Correia da Silva, Juliana Farias e Adriana Vianna
“Libertem Rafael Braga!”: do centro à favela - Jeferson Scabio
Mães em luto e na luta: a Chacina de Acari - Márcia Pereira Leite
DESASTRES AMBIENTAIS
Desastres socioambientais, um problema nosso
Coordenação: Maria Bertoche
Desastres socioambientais, um problema nosso – Maria Bertoche
Jardim Gramacho: renda, esperança e abandono a 25 km do Centro do Rio – Emanuel Alencar
A pesca que agoniza sob a rotina de derramamentos de óleo – Emanuel Alencar
Agruras das Unidades de Conservação - Praia do Aventureiro/Ilha Grande – Rosane Prado
Jamais esqueceremos: as enchentes em Petrópolis em 2022 – Sandra Sá Carneiro
As marcas de 2011 e o Ginásio Pedro Jahara, em Teresópolis– Maria Bertoche e Valdir Eduardo Ribeiro Jr.
MULHERES, LUTA E RESISTÊNCIA
“Mulher”: sujeito e objeto de lutas coletivas
Coordenação: Ana Paula Alves Fernandes
O Cemitério Israelita de Inhaúma: a luta das polacas e a leitura da morte como um arquivo – Beatriz Kushnir
Silêncio na Rua Honório, 279 A: um retrato da perseguição política contra Olga Benario – Annabelle Bonnet
Marielle Franco: objetos-semente na luta por justiça e memória – Patrícia Lânes e Lilian Gomes
8M uma intercessão de lutas: uma estética carnavalizada da dor, da violação e da resistência feminista no Rio de Janeiro – Monica Francisco
A poética política de Emily, Kathlen e Rebeca: memorial como luta por uma re semantização pública da violência – Tereza Ventura
Luta, resistência e auto organização coletiva de mulheres faveladas e mareenses no Rio de Janeiro – Gizele Martins
OUTRAS MEMÓRIAS
Outras memórias
Coordenação: Rogério Ferreira de Souza e Myrian Sepúlveda dos Santos
Emoção: os atravessamentos e a memória da dor frente à Pandemia da covid 19 – Rogério Ferreira de Souza
A Vila Autódromo existe, resiste e reexiste – Alexandre Magalhães
Quando a morte atrapalha o trânsito e a vida se transforma em luta – Patrícia Birman e Cleiton Maia
Uma criança gritando por vida! Sobrevivente da chacina de Nova Jerusalém, uma menina de rua, com só uma frase, dá lição ao país – Betty Bernardo Fuks
O desabamento dos prédios na Muzema e os destroços do Rio de Janeiro – Lia Rocha
“Onde mora a resistência”: A luta pela CasaNem e por todas as lutas que ela abriga – Fabrício Longo
POSFÁCIO
Poesias – Mário Chagas
Arte efêmera – Fotos de Custódio Coimbra
Para que o projeto aconteça, precisamos do seu apoio!Sua colaboração nos permitirá a impressão do livro e seu lançamento, com um seminário gratuito que vai acontecer no Museu da República, durante 2 dias, no final de agosto de 2024.
Mais que uma simples publicação, pretendemos prestar uma merecida homenagem à Myrian Sepúlveda dos Santos, pioneira nos estudos da memória coletiva no Brasil, pesquisadora ímpar e mulher admirável, que continuará sendo lembrada por muito tempo.

Quem somos
O grupo de pesquisa Arte, Cultura e Poder foi formado em 2008, sendo pensado a partir de uma perspectiva interdisciplinar, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, uma série de encontros foram realizados em seminários e outras atividades, consolidando a formação de uma equipe interinstitucional e multidisciplinar.
Informações em: https://www.arteculturaepoder.com/
Contatos: