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A demonia editora é uma editora independente interessada na publicação de poesia feita por pessoas dissidentes. Inspirada na imagem de Lilith como a primeira representação do desvio, e por consequência, a primeira representação do mal a partir da perspectiva da cisheteronormatividade, Lilith é a representação do desejo selvagem/não dócil com o potencial de destruir essa normatividade. Lilith mostra que sempre estivemos aqui e sempre estaremos.
Essa é a pré-venda do livro 'mesmo rompida quero como nunca quis ser travesti' de Céuva.
saiba mais em: instagram.com/demonia_editora
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Em 'mesmo rompida quero como nunca quis ser travesti' a autora aprende a renascer travesti e encarnar memórias roubadas da realidade enquanto lida com sua própria natureza, enaltecendo lugares de amor, revolução e luta. Construído durante uma transição e repleto de narrativas e ressignificados, esta é uma obra que abraça a seca e estende o convite para se inundar, florescer e resistir.
assentar é lapidar amores outrora roubados
seda pele doce lambe meu peito
enquanto me pego a andar em círculos pupila
dentro em deserto derreto terras
ouço gritos
SOMOS NÓS ENTÃO DESTINADAS A MENDIGAR AMOR TORTO TRÁFEGO
NADA SOBRA ENTRE AS MOÇAS DA FLORESTA PEDRA SEM COR
AS CORES NÃO ESTÃO MANSAS
AGUARDO RESPOSTAS NA QUEBRA SALGADA DO MAR
MESMO ROMPIDA QUERO COMO NUNCA QUIS SER TRAVESTI
gritos?
judiar coração em massacre
organizo meus pensamentos sentido deyse a cada caco
escrever é rasgar a teia do certo
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'mesmo rompida quero como nunca quis ser travesti' por Érika Santos
A obra em suas mãos é um pacto. Agora, neste tempo, nos firmamos em dimensão vasta, onde os pássaros se banham na chuva, onde habita a força de atravessar espelhos, como se as rosas não fossem mais as rosas e estes corpos que chamamos de nossos nunca tivessem sido tão nossos. Em sua obra de estreia, Céuva faz do corpo seu território poético. Estamos diante da escrita como uma forma de sentir saudade, de lembrar, de significar os silêncios. Tomar a palavra para gritar todos os gritos, expressar marcas grudadas na memória: o traje, a lua, seu rosto, o ir e vir dos animais. Mesmo rompida é o expresso momento do desejo, é negar o sim e o não. É encontrar na palavra um refúgio. Transformar os dias em azul, guardar consigo o colorido céu, fingir ser água. Encontrar a palavra e dizê-la: sim, eu quero.