Conheça a campanha
O Livro
O livro mixaria reúne um conjunto de poemas curtos, com técnicas e temáticas bastante variadas. Os poemetos revelam influências da tradição brasileira do haicai – de Guilherme de Almeida a Leminski, passando por Alice Ruiz, entre outros(as) – e de diferentes formas breves, como as quadras de Mário Quintana em Espelho Mágico, os aforismos de Drummond ou de Millôr Fernandes, o estilo telegráfico dos modernistas de primeira geração – especialmente Oswald de Andrade –, a artesania verbivocovisual morfossintática da poesia concreta, também tal como desdobrada mais contemporaneamente por Arnaldo Antunes ou Ricardo Aleixo, a dicção fragmentária de Ana Cristina César, a construção de imagens curtas e fulgurantes de Hilda Hilst a Adriana Lisboa ou Ana Elisa Ribeiro, entre tantas outras referências que se poderia enumerar.
O título da obra remete à escassez verbal com que os poemas são escritos, mas também, por outro lado, às situações simples e corriqueiras sobre as quais muitos deles se voltam sem, com isso, perderem a capacidade de estimular uma reflexão mais profunda ou abrangente. Trata-se de uma perspectiva que também remonta à tradição do haicai japonês e que no Brasil, por caminhos bastante diversos, encontra nos cantos sobre as coisas “desimportantes” de Manoel de Barros o seu exemplar maior.
Contudo, em mixaria, o olhar surge impregnado pela crítica social, de modo que se estabelece um paralelo contundente entre as coisas tidas como sem importância nessa tradição lírica – objetos, pequenos animais, elementos da natureza, etc. – e o descaso socialmente atribuído a inúmeras vidas humanas não idealizadas, especialmente trabalhadores e trabalhadoras, pessoas comuns, ordinárias. O título do livro, por fim, em consonância com as técnicas empregadas em seus poemetos, pode ser decomposto em um prefixo – mix –, que remete à diversidade já aqui descrita e também ao fato de nenhuma das técnicas empregadas ser cultivada como originalmente concebida, mas sempre com a mistura, a intrusão do olhar contemporâneo que prima pela liberdade da forma; e um sufixo – aria –, que, entre outros sentidos, remete a ação e a conjunto, duas significações importantes para o contexto do livro.
O Autor
Gleidston Alis é doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais, com mestrado pela mesma instituição, tendo trabalhado em ambos projetos com a literatura brasileira contemporânea. Atua como professor na educação básica, como revisor e como criador de material didático, além de escritor, performer e músico, com especial interesse por manifestações inter-artes. Como pesquisador, possui trabalhos apresentados e publicados nas áreas: Literatura Brasileira, Literatura Comparada, Teoria Literária, Língua Portuguesa e Educação. Além disso, realiza interlocução com outras áreas das Ciências Humanas, como Filosofia e Sociologia. Publicou em 2019 o livro-objeto “duto”, com restritíssima tiragem e circulação.

Alguns Poemas do Livro

meu cabelo é mais que pelo
é o apelo
pelo qual pretendo tê-lo
-------//-------
com
parados
inter
feridos
grevividos
-------//-------
de
ver
cidade
enche os olhos
-------//-------
o mal invisível
diante dos olhos
se veste de sonho
te põe pra dormir
-------//-------
de que somos feitos
estranhos efeitos
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 64 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
Contato
@tomaaiumpoema