Livro Tem um morcego bonito olhando para mim, de Rodrigo Ortiz Vinholo
São Paulo, SP

Livro Tem um morcego bonito olhando para mim, de Rodrigo Ortiz Vinholo

Edição e publicação do livro Tem um morcego bonito olhando para mim, de Rodrigo Ortiz Vinholo

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 16/04/2026

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“Tem um morcego bonito olhando para mim” é uma noveleta não exatamente romântica, e muito menos erótica, mas sobre as decisões questionáveis que nós fazemos quando sentimos atração por alguém. E sobre como os seres humanos (e os não exatamente humanos) podem ser ridículos. 

Imagine que certa noite um morcego entra no seu quarto, e ele é muito bonito... e então você descobre que ele era um vampiro. E que o vampiro está fugindo de uma caçadora de vampiros que... também é muito bonita. Entre pânico bissexual, descobertas sobre o mundo fantástico e questões morais confusas, a narrativa acompanha uma personagem que tenta conciliar seus impulsos físicos e morais, com resultados cômicos. 

Narrado em primeira pessoa, essa comédia peculiar sobre quebra de cotidiano vai divertir todos que já sentiram que se tornaram ridículos por conta dos próprios hormônios.

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Publicitário, jornalista, professor e escritor, Rodrigo Ortiz Vinhollo mora em São Paulo/SP. É autor de diversas obras, sendo as mais recentes “Viagens oníricas” (2024, Fuinha), “Compêndio poético da fauna sentimental humana” (2024, Gataria), “Pequeno guia de sobrevivência on-line para o século XXI” (2024, independente), “Imperador na janela” (2024, Explorações), “Na mansão morava uma mulher sem cabeça” (2024, Lendari), "Havia uma floresta no terreno baldio" (2025, Delirium), “Haicais vazios” (2025, Toma Aí Um Poema), “Destinatário ausente” (2025, M.inimalismos), “A marcha da pátria alheia” (2025, Hecatombe) e “Caóticas neutras” (2025, independente). Vencedor do Prêmio ABERST, Troféu HQ MIX, Prêmio Ecos da Literatura e outros, já participou de mais de 400 coletâneas de contos, poesias e quadrinhos.

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Neste momento há um morcego bonito me observando.

Ele está no teto do meu quarto, de cabeça para baixo, como os morcegos costumam ficar. 

Ele me encara e é realmente muito bonito.

Tenho consciência de que essa é uma afirmação incomum, primeiro porque morcegos não são geralmente considerados "bonitos", e segundo porque sou uma pessoa, e normalmente pessoas que chamam animais de "bonitos" em certos contextos não são vistas como plenamente racionais e costumam apresentar um comportamento questionável.

Garanto a qualquer pessoa que esteja lendo estas palavras que condeno qualquer tipo de envolvimento impróprio com animais e que, se você estiver pensando que considero este morcego bonito, imagine-me escrevendo estas linhas sem conseguir encontrar outra forma de descrever o ser que está diante de mim. Isso também vale para morcegos e para quaisquer outros animais — lamento, mas me recuso a manter qualquer relação desse tipo. Não levem a mal, o problema sou eu, não vocês.

Isso tudo sem mencionar as implicações ambientais. Estamos na cidade, e este é um animal silvestre. O melhor caminho, a partir de agora, é ligar para o Centro de Controle de Zoonoses para que retirem esse morcego bonito do meu quarto e o transportem com segurança para um local apropriado, onde possa ser examinado, cuidado e, eventualmente, devolvido ao seu habitat, para conviver com outros morcegos, bonitos ou não.

Mas eu não consigo me levantar. Neste momento, estou sentada na cama e observo o morcego bonito pendurado no teto, incapaz de desviar o olhar. Felizmente, ao meu lado há sempre um caderno, que uso para anotar meus sonhos e os pensamentos mais interessantes que surgem nos momentos mais inoportunos. Consigo registrar minhas impressões sobre o morcego bonito enquanto continuo sem conseguir parar de encará-lo.

Não sei ao certo por que estou escrevendo, para ser sincera. Será que isto é um sonho? Creio que não. Mesmo que eu sinta que não consigo mover meu corpo muito além do que já estou movendo, penso que não. Ainda bem que não preciso ir ao banheiro, nem beber água, nem fazer qualquer outra coisa. Seria extremamente inconveniente. Tudo o que importa agora é olhar o morcego bonito, tentar compreendê-lo e, de algum modo, registrar isso. Ele é inconcebivelmente bonito. Céus, é bonito DEMAIS.

Sinto que me faltam palavras para descrever melhor a aparência desse animal alado. Se minha escrita for muito repetitiva, a culpa é da minha limitação, mas também da minha mente. Dentro do meu cérebro, só consigo ouvir a repetição “bonito”, “bonito”, “bonito”... É como se minha mente estivesse me ajudando a me convencer de que esse belíssimo morcego é tão belo quanto eu o vejo. Mal consigo pensar. Talvez, por isso, eu escreva. Este é meu cérebro no papel.

Ele... é tão grande. Mas, ao mesmo tempo, tão pequeno. Não sei qual é o tamanho comum de um morcego, e a distância até o teto me confunde quanto a essa dimensão exata. Um, dois palmos de altura? A essa distância, eu não deveria ser capaz de distinguir sua aparência, ou sequer ter uma boa visão sobre ela, mas, de algum modo, eu tenho. Vejo com clareza o seu rosto. Não “cara”, “rosto”. Ele tem um rosto muito bonito.

Talvez, se meu celular estivesse à mão, eu estivesse compartilhando esse visitante nas redes sociais. Tiraria alguma foto do morcego bonito, exporia minhas impressões, enfrentaria algum cancelamento por motivos variados. O celular está logo ali, na mesa de cabeceira, mas não consigo alcançá-lo, assim como também não consigo me levantar.

Abro a boca para falar com o morcego e percebo que igualmente não consigo falar. Será mesmo que isto aqui

não é um sonho? Paralisia de sono, quem sabe? O morcego me encara com seu rosto bonito e seus grandes olhos amarelos, e me pergunto se é normal morcegos terem olhos amarelos. Eles parecem brilhar no escuro.

Por um instante, ele não é mais um morcego. É um homem. Tem um homem de cabeça para baixo no teto do meu quarto, me encarando intensamente com olhos amarelos brilhantes e uma expressão indecifrável. Ele usa roupas escuras, e sua pele parece pálida na penumbra do quarto. Ele é elegante. E ao mesmo tempo ele é um morcego bonito. Não me pergunte como ele é as duas coisas, porque não sei responder. Ao mesmo tempo morcego, ao mesmo tempo homem.

A janela está fechada, a porta também. Como ele entrou no meu quarto? Ou na minha casa, em geral? Eu falo "casa" no sentido de "lar", porque estou em um apartamento. Morcegos conseguem voar muito alto? Morcegos iriam ao décimo andar? Não faço a menor ideia. Teria ele pego o elevador? Será que ele passou na portaria? Teria o porteiro liberado a entrada dele sem avisar? Já aconteceu antes, mas imagino que não foi o caso dessa vez. Provavelmente o morcego apenas entrou por conta própria, porque os morcegos são criaturas do caos. Como gansos. Eles não obedecem às regras.

Minha cabeça não está funcionando muito bem. Eu continuo ouvindo as palavras “bonito”, “bonito”, “bonito” e isso me confunde. Estou preenchendo página depois de página deste caderno com meu garrancho e é o único jeito que tenho de sentir que não vou explodir, de sentir que consigo pensar alguma coisa por conta própria.

Enquanto eu divagava, o morcego se soltou do teto, bateu as asas algumas vezes, rodopiou e se transformou completamente em um homem.

Neste momento existe um homem de cabelos sedosos, roupa elegante e olhos amarelos, brilhantes, em pé na minha cama. Eu não consigo tirar meus olhos dos olhos dele por mais que alguns instantes, ainda que me incomode muito que ele esteja pisando com seus sapatos de couro caro nos meus lençóis baratos. Tenho vontade de gritar, não porque ele invadiu meu quarto, porque ele é um estranho, ou porque ele era um morcego bonito que virou um homem elegante, mas porque ele está pisando no meu colchão e na minha roupa de cama com seus sapatos, e isso é inaceitável.

Mas eu não consigo gritar.

(…)

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Publicado por Toma Aí Um Poema

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A Toma Aí Um Poema nasceu como um projeto de leitura e divulgação da poesia. Criado em 2020 como podcast, evoluiu para se tornar uma revista literária interativa e, em 2024, tornou-se uma ONG dedicada à promoção da literatura. Hoje, também atua como editora comprometida com a emancipação de autores e autoras.

O Toma Aí Um Poema é a primeira editora no formato de ONG, reafirmando seu compromisso social e cultural. O trabalho vai além da publicação: busca transformar vidas por meio do incentivo à leitura, escrita e valorização das diversas vozes que compõem a literatura.

Reconhecido como um dos projetos literários mais inovadores da atualidade, o Toma Aí Um Poema acumula resultados impressionantes:

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