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O Livro
Ensaio sobre Músculos e Medos é uma coletânea que entrelaça atravessamentos profundos: sensações, angústias, amores, política, trabalho, viagens e relações de amizade. Os poemas, como fragmentos de experiências, são rastros e pistas de um corpo que se molda e se transforma a partir de seu encontro com o mundo, tanto interno quanto externo.
Construídos ao longo de uma década, a partir de 2012, os versos foram cuidadosamente selecionados e organizados em um processo de costura afetiva. Cada poema reflete um pedaço dessa jornada, compondo uma narrativa poética que nos convida a explorar as camadas da existência, entre músculos que se movem e medos que persistem.
A Autora
Ruth Piveta nasceu em Osasco-SP e reside em Londrina-PR. Psicóloga, poeta e mulher gorda pesquisadora, é mestra e doutora em Psicologia pela Unesp/Assis-SP. Ruth também atua como trabalhadora e militante de políticas públicas, com foco na Política de Assistência Social.
Alguns Poemas do Livro
mar no peito é coisa que afoga
E, ainda que aparentemente manso,
supostamente plácido e decididamente fundo,
há um mundo que acontece, escondido pelo véu da quietude. Histórias
de peixes, plânctons, plásticos, peles.
Redemoinhos sutis, movimentos imperceptíveis, revoltas
que começam pequenas,
de molécula à molécula,
até se tornarem onda.
Mar no peito é coisa que afoga.
Ensaio sobre músculos e medos
um coração humano é partido ao menos cinco vezes ao dia
Aprendi a duras penas que a vida consiste
Num interminável juntar cacos.
Recolho, um por um, Já preparando os olhos
Para vê-los nova vez espalhados.
Junto todos.
Ainda terei um castelo
[de restos]
Ensaio sobre músculos e medos – verso 2
Tem dias que chove aqui dentro.
Enquanto não me afogar resta a força pra emergir.
Flutuar nesse mar sem fim. Olhar o céu, o sol,
Sentir o mar, o sal.
Ensaio sobre músculos e medos – verso 3
Fazer a travessia dos dias.
Aprender a sentir,
reconhecer limites sem perder ternura.
Aprender a contar,
um a um,
os motivos que me fazem viva.
Sobrevida
Entende?
É como flutuar numa superfície incerta sem poder calcular a profundidade, sem escolhas
sem possibilidade de fuga
A vida não tem sido
tão bonita quanto a gente imaginou que seria
as pessoas destilando ódio
intolerantes
à qualquer reflexo que não seja de seu igual
Narcisos raivosos,
se afogam mais em ódios que em amores.
o tempo
corroendo os dias
correndo depressa,
ditando as regras
sarando algumas dores, eternizando outras
as pessoas
correndo,
sem se olhar, se esbarram sem sentir.
falam tanto, tanto, tanto
escutar é que tem sido raro
Parece que, aos poucos
a gente vai entendendo
o que aconteceu
àquela vizinha que nunca devolvia as bolas que caíam em seu quintal
Ou àquele que enlouqueceu
e se dizia o salvador do planeta.
O que morreu sozinho
e deixou uma carta de despedida.
A gente parece que entende
que o viver
é da ordem do improvável.
Nos resta encontrar
a alegria possível pra
não sufocar.
Os caminhos possíveis para
existir.
Sustentar o insustentável: paradoxo.
O Toma Aí Um Poema

O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:
1k+ autores lidos | 1k+ poetas publicados | 1 milhão de players
Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)
Impressão Gráfica | 800,00
Material de envio e fretes | 600,00
Serviços Editoriais | 700,00
Registros, solicitações, taxas | 400,00
Margem de segurança | 100,00
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@tomaaiumpoema