Livro NA CARNE ABSOLUTA, de Ana Agnolo
Curitiba, PR

Livro NA CARNE ABSOLUTA, de Ana Agnolo

Edição e publicação do livro NA CARNE ABSOLUTA, de Ana Agnolo | Toma Aí Um Poema

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 21/09/2024

R$ 2.600

arrecadados da meta de R$ 3.200

81%

da meta 3

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Finalizada

Projeto Meta Tudo ou Nada

Campanha Financiada com Sucesso!

Finalizada em 21/09/2024

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O Livro


Numa abordagem psicanalítica e filosófica, Na Carne Absoluta explora como a formação identitária é determinada por fatores biológicos, políticos e socioculturais, considerando a influência do inconsciente pessoal e coletivo na construção do "eu", onde a noção de individualidade é intrinsecamente moldada pelo ambiente externo.

O título evoca a dualidade da natureza humana, atribuindo à carne tudo aquilo que nos é transmitido por herança. O termo Absoluto faz alusão à subjetividade na constituição do ser e ao conceito de identidade criado a partir do contato com a própria realidade interna. Escrita em linguagem poética e no formato de autoanálise, a obra, dividida entre “fêmea” e “mulher”, resgata as experiências da autora desde a infância até a vida adulta.

A primeira parte, Fêmea, apresenta um recorte historiográfico do Brasil, abordando os processos colonialistas e escravocratas e suas implicações psicológicas. A desigualdade social e racial, o impacto da pobreza, o complexo de inferioridade e o “vira-latismo” intelectual, assim como as relações hierárquicas de gênero e os estereótipos associados à mulher são trabalhados pelo impacto no psiquismo, na condição de mulher negra brasileira, refletindo no seu desenvolvimento enquanto indivíduo. O eu-lírico relata como esses fatores atuaram ao serem incorporados em seu inconsciente, desencadeando conflitos emocionais, traumas, abusos e alienação.

Cura e liberdade dão a tônica do componente intitulado Mulher. O processo de autoconhecimento ocorre pela quebra de complexos e crenças internalizadas, ao acessar memórias genuínas e descobrir aspectos reais da personalidade. Sua autonomia é alcançada ao tomar consciência de si, reconhecendo sua expressão criativa no amor, na Arte, na escrita e, principalmente, no ato de pensar.

O objetivo da obra é despertar o olhar do leitor para a própria realidade interna, levando-o a observar até que ponto o que nomeia “eu” realmente corresponde à sua singularidade e características inerentes. A obra tece reflexões sobre o sentido concreto e abstrato da existência, induzindo à autopercepção e à observação das próprias verdades, diferenciando-as do que foi agregado de maneira involuntária. No contexto social atual, repleto de estímulos e informações, é essencial ponderar sobre o que e quanto realmente conhecemos de nós mesmos, para não sermos diluídos em meio às demandas exteriores.

Na Carne Absoluta é dedicada para aqueles que desejam realizar a sua própria jornada através do caminho do autoconhecimento.


A Autora


Ana Agnolo é formada em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná - Escola de Música e Belas Artes do Paraná (UNESPAR/EMBAP). Artista em essência e escritora estreante, atua como professora de Inglês pelo ensino privado e na Educação Infantil. Fascinada pelo funcionamento do ser humano e suas formas de expressão, descobriu na escrita um instrumento de autoconhecimento logo na adolescência, e, desde então, manteve uma relação de pesquisa e aprofundamento autônomo nas áreas de psicologia e psicanálise.

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Alguns Trechos do Livro


Trecho extraído da PARTE I - A Fêmea e as Heranças


HEREDITARIEDADE

Nunca esperei receber coisa alguma de herança

nenhum antepassado meu adquiriu patrimônio

tudo o que eu quiser alcançar 

será exclusivamente conquistado por mim

se assim eu fizer por merecer.


Embora eu não tenha visto sequer um real, recebi legados absurdamente grandes.


Minha linguagem genética se move

em protesto ancestral 

tem dor indígena, violentada

pelo colonizador da terra, da carne e da cabeça.

Filha da nação canarinha, violada

do meu povo usurparam 

recursos e riquezas 

mas sobretudo, liberdade e conhecimento

foram anos e anos de desuso intelectual

sou descendente de trabalho braçal.

Minha pele de cor já sabe de cor

que está sempre sob veredito

trago repertório denegrido

em meu próprio idioma

preciso ser esclarecido.


Na terra em que nasci

minha árvore genealógica seca

se as suas raízes não transportarem

 o sangue de nobres

europeus.

mulher 

nativa

latino-americana

é subgente

desprovida de alma e mente.


Minha avó materna foi analfabeta.  

Talvez com a ajuda de minha mãe, ela pudesse assinar o próprio nome. 

Se é que um nome existiu pra ela.

Para que nomear uma criatura? 

Nas suas tradições de preta-velha, 

adorou seus santos e cultivou seus rituais.

Pode uma selvagem querer ter fé?

Sua crença e intenção nunca lhe pertenceram.

Minha mãe costuma dizer que minha avó “não tinha boca para nada”.

Desde quando bicho tem opinião? 


O seu silêncio ecoou por gerações

cada palavra não dita viajou através dos meus genes e me atravessa 

repousando na ponta dos meus dedos.

Enquanto as escrevo minha avó sacia a sede

bebendo seus verbos

nas minhas lágrimas.


✒️


Trecho extraído da PARTE II - A Mulher e a Identidade


ESTREIA


Na vida inaugurada, meu primeiro respiro 

é na Palavra.


A comunicação conduz

um ímpeto antigo de existência

tem coisas que precisam sair

verbalizar

nesse processo deciframos os sentimentos 

aquilo que está codificado 

na nossa privacidade.


nem de poucas nem de meias nem de muitas 

quero ser de palavras exatas

palavra exata não carece nem excede

confessa o que é vital.


Sei que sou porque me expresso

nas inscrições breves desta minha passagem.

Falar de si requer coragem 

ao se despir das máscaras

e acessar narrativas profundas da psique

quem fala de si, não fala só de si

ao dialogar com as vivências antecedentes

que de alguma forma continuam vigentes

quem fala de si

injeta ânimo nas veias dos que virão.

Quem tem coragem pra falar de si 

é quem verdadeiramente é. 


Eu me comunico é com as mãos 

no toque sobre outras peles

tateando cada poro 

converso com a minha menina 

ao guiar canetas coloridas por desenhos desprovidos de ambição

discorro sobre cura

dentre o movimento dos meus pés 

bailando,

liberando emoções.


Na linguagem posso ser ímpar

entre as trocas de palavras 

na pluralidade das ideias

nessa dinâmica

reconheço a minha presença

e experimento a vibração

do meu eu ecoando nos pares.


Intimidade

Escrever é um ato explícitoque beira o obsceno.

Ao abrirem a porta do meu quarto,

encontraram sobre a cama

três personagens

numa orgia sublime

que de tão envolvidos pareciam um só:

Eu, caneta e papel e a Verdade

totalmente exposta.

Entre palavras eu fico nua.


O Toma Aí Um Poema

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O Toma Aí Um Poema é um projeto potente de leitura e divulgação de poesia lusófona. Começou em 2020 como podcast, depois virou revista literária interativa e hoje é uma editora preocupada com a emancipação dos autores. É considerado um dos projetos literários mais inovadores da atualidade e soma resultados incríveis:


1k+ autores lidos |   1k+ poetas publicados    | 1 milhão de players


Orçamento - 50 exemplares (2600 Reais)


Impressão Gráfica | 800,00

Material de envio e fretes | 600,00

Serviços Editoriais | 700,00

Registros, solicitações, taxas | 400,00

Margem de segurança | 100,00


Contato


contato@tomaaiumpoema.com.br

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Modalidade

Projeto, Meta Tudo ou Nada

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