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Essa pré-venda é de Rafael de Souza para a publicação do livro "O barulho da chuva caindo".
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Espirradeiras
Era sempre assim, todos os dias, independentemente do clima: Helena se levantava logo cedo, antes mesmo de o sol se insinuar acima do telhado das casas vizinhas, por entre os galhos umbrosos das duas laranjeiras do quintal. E ela ia para o jardim cuidar de suas plantas. Este ato matinal, estimado por ela como uma espécie deexercício de plenitude, ocorreu pela primeira vez numa época longínqua, muitas vezes imemorável, quando não passava de uma mocinha com menos de dez anos de idade.
Há tempos costumava assistir à sua mãe cuidar das plantas do canteiro do jardim; e a mãe, quando o fazia, era com tanto esmero e concentração que de início não se dava conta da presença da filha. Helena, por seu turno, observava a mãe do umbral da porta da sala de visitas, local do qual dispunha de ampla visão do quintal e de todos os canteiros do jardim. Nesse ínterim, porém, a um só tempo não tirava os olhos da mãe e esperava a hora do banho para ir à escola. Como resultado dos tantos minutos que se demorava ali, tinha criado de modo espontâneo o hábito de apoiar o ombro no limiar da porta, enquanto esperava a mãe se erguer da posição de cócoras. Quando se levantava, era a sua vez de despertar a filha de um profundo estado de transe, pois sempre que ia a seu encontro Helena se achava pensativa, com os olhos sonhadores.
Quantas vezes — lembrava ela, agora mulher feita e dona do seu próprio nariz — sua mãe não veio em sua direção e, devido à sua desatenção, a despertava, com um chamado em voz abafada, de seu sono repentino? Nem ela mesma sabia explicar o fato de, inesperadamente, fixar seu olhar no lanço de pedras que trilhava a passagem do portão de entrada à porta da frente, e perceber uma vertigem nas vistas, como se estivesse ficando cega. Quando acordava, piscava freneticamente os olhos, movia a cabeça para os lados e se deparava com o rosto da mãe, os olhos fitos em sua pessoa, num semblante inquiridor e desconfiado. Nesses momentos, Helena balbuciava uma explicação que, por não conseguir pronunciá-la como pretendia, acabava desistindo de dizer. E em vez disso, falava, com voz leviana: “Deixa pra lá, mãe. É besteira...”.
Durante o café da manhã muitas vezes o episódio se repetia. Acontecia do mesmo jeito, só que em momentos distintos e sempre inesperados. De modo geral na hora das refeições, ela parava de repente de comer, às vezes ao levar a colher à boca; deixava-a suspensa no ar, e perdia-se em pensamentos. Mirava a janela à sua frente, por além da qual se podia avistar uma das árvores do quintal; seus olhos fixavam ali, como se contemplassem uma cena de rara beleza.
Por esse fato se repetir tantas vezes, a ponto de se tornar tema de discussão entre seus pais, Helena teve de fazer muitas consultas médicas. Frequentou desde neurologistas a psiquiatras, e, apesar dos exames de todas as ordens, nenhum deles encontrou nada de incomum em seu comportamento ou metabolismo. Como tratamento, chegou a tomar uns remédios, que acabou desprezando por não surtirem o efeito desejado. Contudo, alguns sintomas a partir dos dez anos se tornaram mais frequentes e intensos, de tal maneira que atrapalhavam sua vida. Aos doze anos desenvolveu um tipo de esquecimento tão severo que, se alguém lhe recomendasse algo e não a lembrassem do seu compromisso, em questão de minutos ela se esquecia de tudo.
Como era infeliz a pobre! (...)
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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos.
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.
Voe! Evoé!