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Essa pré-venda é de Caio Augusto Leite para a publicação do livro "Numa só onda o mar inteiro".
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Numa só onda o mar inteiro
Quando os médicos lhe deram permissão para ver o mar sabia que já não havia mais jeito. Era fim de tarde, mas o verão fazia do céu um azul resistente, apesar de ser quase sete da noite. Os familiares correram, trouxeram a roupa que ele mais gostava – camisa branca, calça bege, sapatos marrons, tudo em tons que não gritassem, ele sempre fora uma pessoa que não gritava, seus gestos eram medidos, e poderia pegar um pardal na mão sem que a ave soubesse que estava presa, ele podia fazer a gente se apaixonar por ele sem a gente nem saber: até que o perdêssemos, ele era uma pessoa que a gente não sabia ter, mas como doía não tê-lo, se ele não ia a uma festa logo ficávamos tristes, sua ausência era mais forte que sua presença, talvez porque sua presença sempre fora delicada, como o leve aroma de um incenso de flor branca, que nos agrada e nos mantêm em paz sem a gente nem dar muita atenção.
Eu mesmo o ajudei a se vestir. Trouxe também meu chapéu panamá que ele tanto admirava, ele aceitou, ajeitei-o com cuidado sobre sua cabeça e logo parecia que o chapéu sempre fora dele e não meu, ele podia se apropriar de tudo, não porque fosse avaro ou egoísta, mas porque todas as coisas poderiam ser dele justamente por ele não as querer. Uma outra amiga trouxe óculos de sol, que também se moldou ao seu rosto. Nós nunca mais pegamos aqueles objetos, tão pessoais se tornaram, jamais teriam afinidade conosco de novo.
Fizemos tudo rapidamente e o céu ainda estava de um azul bonito quando a porta do elevador se abriu e empurramos a cadeira de rodas por toda a recepção asséptica do hospital com seus pacientes entrando e saindo, entre a vida e a morte nós passamos com ele, impunemente. Ele já meio desapegado de tudo e de todos. Sabia quem éramos nós ali? Durante dias só dizia que queria ver o mar. O mar! O mar! Gritava. E só isso dizia. Como se soubesse que enquanto não tivesse o mar, ainda teria uma chance. Mas hoje os médicos vieram e disseram que ele poderia ver o mar.
Logo estávamos lá fora e sentimos o cheiro da brisa marinha em nossa direção. Sorvemos aquele sal. Paramos antes de chegar ao banco de areia, mas ele acenou e apontou o mar, como se dissesse: vamos nos aproximar mais. Olhei para a enfermeira ao meu lado, ela assentiu. Ela já ia empurrando a cadeira quando ele acenou novamente, já fazia alguns dias que ele não dizia mais nada, apenas acenava, mas dessa vez ele falou: ouvi o som de sua voz pela última vez e naquele momento ele disse meu nome, apenas uma vez e com uma clareza tão certa para que não ficassem dúvidas de que era eu quem deveria guiá-lo. Nunca mais ouvi alguém dizer meu nome – ou dizer qualquer outra coisa – de forma tão limpa, tão pura, tão serena. Me senti, de algum modo, abençoado.
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Ao alcançarmos a primeira meta, iniciaremos o processo de produção do livro (revisão, diagramação, produção da capa, pedido de ISBN, ficha catalográfica, impressão). Além disso. 10% de todos os livros impressos serão entregues como pagamento de direitos autorais. Assim que o livro estiver pronto, será promovido um lançamento.
As recompensas serão livros, autógrafos e pequenos mimos.
Agradecemos muito pelo apoio de todas e todos e desejamos que sempre exista luz.
Seguimos!